Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 02 de Julho de 2020

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Empresário e seguidores criticam padrão salarial dos vereadores

, 17 de abril de 2020 às 9h36

Desde o fim de 2019, o empresário do setor imobiliário, João Carlos Hilgert, 57 anos, morador de São Caetano, Arroio do Meio, vem postando uma série de posicionamentos em torno do padrão salarial do Poder Legislativo, questionando a proporcionalidade da remuneração com as atribuições da função. As críticas ganharam força no início do ano quando algumas Câmaras de Vereadores propuseram a redução salarial dos agentes políticos, como alternativa de economia do dinheiro público.
As postagens de Hilgert tiveram uma série de compartilhamentos, centenas de curtidas e comentários, feitas por seus amigos e seguidores nas redes sociais. O empresário até deu uma trégua no início da pandemia da Covid-19, mas ficou revoltado quando os vereadores aprovaram a manutenção dos salários numa sessão sem a presença popular, num momento de muitas incertezas na economia e saúde pública, entendendo que os edis poderiam ter dado outro exemplo.
Hilgert ficou surpreso com a quantidade de pessoas que compartilhavam da mesma opinião, mas, devido ao teor ofensivo e distorcido de algumas pessoas, pensou em desistir das postagens, porém, entendeu que é uma forma dos vereadores saberem o que parte da população pensa. “Obviamente que o salário dos vereadores não é tão alto em comparação com muitos profissionais que trabalham em tempo integral, mas eles não trabalham em tempo integral, e a redução pela metade seria um bom exemplo. Talvez a economia gerada não seria suficiente para grandes obras, mas com certeza, ajudaria a comprar a quantidade suficiente de respiradores”, contextualiza.
Na sua opinião, há um erro de concepção no papel dos legisladores originário nos meios de fidelização dos votos e interesses individuais da população, o que precisa ser revisto pelos políticos e sociedade. “Não são assistentes sociais, nem agentes de saúde que precisam estar à disposição em tempo integral da população. Sua função é apenas legislar e fiscalizar os projetos e gestão do Poder Executivo, e para isso um salário de em torno de R$ 2,4 mil seria o suficiente. A responsabilidade da função não justifica uma supervalorização. Se a população os procura para solucionar outros problemas, eles precisam dar apenas o encaminhamento”, argumenta.
Para o empresário, o vereador, em primeiro lugar, precisa ser um cidadão de bem, líder, saber ouvir e ter uma boa leitura social para tomada de decisões, além de uma boa capacidade de interpretação da legislação. “Se gostariam de ter mais verba e orçamento para realizações, deveriam se candidatar ao Executivo e não ao Legislativo”, expõe.
Hilgert esclarece que não pretende se candidatar e sequer está filiado em um partido, o que impede pretensões. Mas se diz um defensor da democracia. “Só estou usando as redes sociais para ajudar a construir um debate eleitoral mais amplo. Também quero incentivar novos líderes, independentemente de partidos e doutrinas, precisamos de representatividade de todos os setores”, defende.

Por daiane