Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 06 de Julho de 2020

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Mulheres celebram seu dia com encontro em Capitão

, 13 de março de 2020 às 16h59

A sexta-feira foi especial para as mulheres de Capitão, Arroio do Meio e Travesseiro. Reunidas no Parque de Eventos de Capitão, cerca de 600 pessoas participaram do tradicional Encontro de Mulheres, organizado pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), que completa 35 anos em 2020, STR e o município anfitrião.

Na abertura da programação, diversas autoridades se pronunciaram, destacando a importância da mobilização feminina para a conquista de direitos e também por um mundo mais igualitário, no qual a mulher tenha a liberdade para fazer suas escolhas e ocupar o lugar que deseja em todos os segmentos da sociedade. A história de luta também foi lembrada, sendo exaltada a coragem das mulheres que não se calaram e foram em busca de dignidade e dias melhores, enfrentando diversos desafios, tanto dentro de casa, como na sociedade, que condenava as ações. Fizeram uso da palavra, a primeira-dama Cassiane L. Scheidt e o prefeito de Capitão, Paulo César Scheidt, a prefeita em exercício de Arroio do Meio, Eluise Hammes, a primeira-dama em exercício de Travesseiro, Cláudia Lavoratti, o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT), as vereadoras de Capitão, Patrícia Scheidt e Margarida Fröhlich, representantes do MMTR e do STR.

A primeira-dama Cassiane, que também é secretária de Assistência Social, Trabalho e Habitação, disse ter sido um orgulho poder organizar o espaço para receber o encontro. Destacou que a mulher, graças à sua luta, ganhou espaço na sociedade, atuando em várias frentes. Às vezes, na correria de cuidar de tudo, esquece de si mesma. “A gente precisa de um momento de parar e dizer: hoje eu vou cuidar um pouco de mim. Todos os dias a gente cuida de todo mundo, mas precisamos cuidar de nós também”.

A prefeita em exercício de Arroio do Meio, Eluise Hammes, lembrou que a essência do encontro é a luta das mulheres. “Se estamos aqui comemorando 35 anos de movimento precisamos reconhecer quem trouxe essa luta, que teve a coragem, que hoje nós usufruímos de muitas coisas boas porque tantas mulheres tiveram a ousadia ou mesmo a coragem de ir em frente e buscar nossos direitos, que usufruímos com tanta tranquilidade”, afirmou, contextualizando que as gerações mais jovens nem sabem como esse processo aconteceu. Hoje tem transporte escolar, assistência médica, escola pública e merenda e que isso não caiu do céu.

Para Eluise, o compromisso da geração atual é contar para as mais novas que houve essa luta das mulheres e que ela não terminou. “Que nós mulheres precisamos continuar a nos dar as mãos e seguir”.

Com o objetivo de preservar esta história e passá-la adiante, entregou para cada município um pendrive com um vídeo documentário que resgata a trajetória do MMTR. “Que cada município pense bem onde vai guardar essa história. Mas não para ficar guardada, e sim, para repassar e levar para nossas escolas, grupos de jovens, nossas organizações e instituições que temos nas comunidades”.

O documentário produzido por Wanderley Xumby Theves, recordou a história do MMTR, o seu início, as diversas mobilizações e conquistas históricas, como o reconhecimento da profissão de trabalhadora rural e o direito à aposentadoria de um salário mínimo para mulheres e também para os homens, que recebiam só a metade do valor.

Desafios e lutas

Entre os pontos altos do evento, os muitos depoimentos de mulheres que se desafiaram a participar do Movimento. Eronita Hammes lembrou que a coisa mais importante foi a conquista da cidadania, que veio com a documentação e a profissão reconhecida. “Sem documento não se vai a lugar nenhum”. Falou ainda que, na época, não havia o SUS e tudo o que envolvesse saúde era particular, descapitalizando ainda mais as famílias. A agricultora observou que a conquista da aposentadoria também beneficiou diretamente o comércio, que passou a vender muito mais. “As mulheres ficaram felizes porque puderam comprar os seus sonhos, uma roupa bonita, móveis para a cozinha, um forno. Quem não gosta de comprar algo para sua casa?”, disse avaliando que os recursos também contribuem para o desenvolvimento dos municípios.

Além do aspecto financeiro, Eronita destacou o avanço social. As mulheres, que até então não tinham vez e voz na sociedade, passaram a integrar diretorias das comunidades e de entidades. Ela foi a primeira mulher a fazer parte de uma diretoria do STR e também a primeira a assumir a presidência. “Tenho muito orgulho de ter entrado no movimento e ter feito parte deste grupo. Foi uma faculdade”.

Iolanda Giasson, que por anos foi assessora estadual do Movimento das Mulheres, afirmou ser uma grande alegria ver a organização das mulheres nos dias atuais. Destacou que Arroio do Meio e outros municípios, tanto pequenos como grandes, enfrentaram a crise dos anos 80 graças à luta das mulheres, pois o dinheiro da aposentadoria garantiu o comércio, a farmácia, o transporte e o estudo dos filhos.

Para Iolanda, que inspirou muitas mulheres a buscarem seus direitos, ainda há muito para se lutar, como no combate à violência e na defesa do SUS. “Precisamos, homens e mulheres, nos darmos as mãos e construirmos uma sociedade de paz, de fraternidade e compreensão. Precisamos valorizar a mulher”.

A luta continua

Após o momento religioso e a homenagem à Iolanda Giasson e as companheiras já falecidas, fez uso da palavra a assessora parlamentar Lourdes Santin, representando o mandato da deputada Maria do Rosário (PT). Lourdes, que mora num assentamento da reforma agrária, relatou sua trajetória na luta pelos direitos das mulheres e das minorias. Conclamou os presentes a continuarem na resistência, pois o Brasil não pode perder o SUS e o SUAS – focado na Assistência Social. “Não podemos ter retrocesso”, defendeu.

Para a palestrante, uma das grandes lutas deve ser o combate à violência contra a mulher. “São dados alarmantes. A cada segundo uma mulher é vítima de assédio sexual no Brasil. Precisamos continuar nos organizando, em movimento. Precisamos continuar na resistência”, afirmou, conclamando a todos para a união num projeto popular pelo Brasil, que defenda a democracia.

O Encontro das Mulheres encerrou com atividades culturais, com a apresentação de humor Tio e Sobrinho.

Iolanda Giasson foi homenageada por ter inspirado as mulheres a lutarem por seus direitos

Lourdes Santin conclamou as mulheres a continuarem unidas e na resistência

Por Alan Dick