Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 04 de Junho de 2020

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Economia

Impactos do Covid-19: falta de matéria-prima, diminuição do consumo e economia prejudicada

, 27 de março de 2020 às 9h28

Além do alto risco à saúde da população, o Covid-19 (coronavírus) reflete na economia mundial. Conforme a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e economista, Cíntia Agostini, no início de 2020, a perspectiva de crescimento do PIB, na média mundial, era de 2,9%. Esta, chegou a 2,5%, quando a pandemia do Covid-19 estava no auge. “Agora, da forma que isso se alastrou pela Europa, com a perspectiva dos Estados Unidos e dos nossos países, já se fala de um crescimento econômico de 1,5% na média mundial, ou seja, já afetou a economia no curtíssimo prazo e afeta bolsas de valores”, explica.
As empresas que deram férias coletivas na China e na Europa, como forma de prevenção à proliferação do vírus, já não estão mais entregando matéria-prima. Segundo a economista, isso reflete no trabalho no mundo inteiro. A consequência disso será empresas com suas produções paradas por falta de matéria-prima, inclusive aqui. “À medida que uma indústria não trabalha, não entrega mercadoria, o que vai afetar outras indústrias com efeito em cadeia. Isso atinge tanto a demanda de produtos, quanto o consumo, a medida que as pessoas não consomem”, projeta Cíntia, advertindo que se trata de um problema bastante sério: “Como o vírus tem uma alta possibilidade de contágio, se isto não for contido, essa possibilidade de contágio faz um número muito grande de pessoas necessitadas dos serviços de saúde, mas estes serviços não têm condições, em qualquer país que seja, de atender esse grande volume. Então, a indicação dos serviços públicos, em qualquer lugar do mundo, de uma forma geral, é de que as pessoas não circulem. Imaginem que, aqui na região, a gente já teve praticamente todos os eventos cancelados, reuniões canceladas… Isso significa negócios cancelados, as empresas não estão recebendo fornecedores, não estão recebendo clientes e isto vai acontecer nas últimas semanas para tentar achatar o pico da incidência do vírus”, ilustra.
Segundo a economista, aqui no Vale do Taquari, não serão diferentes as consequências previstas com a pandemia, mas ela pondera que ainda existem algumas vantagens por se tratar de uma região de interior. “Não demandamos aglomerações muito grandes de pessoas, mas mesmo assim elas já estão sendo desestimuladas para que não ocorram, para que a gente consiga conter esse pico de uma forma adequada. Mas isso vai afetar a economia, então sempre é motivo de nos preocuparmos”, avalia.

Covid-19 somado à estiagem

De acordo com Cíntia, o Brasil não está em uma situação confortável e a estiagem que atinge o RS, intensifica as previsões de extrema cautela com a economia. “Por exemplo, a estiagem fez os nossos produtores da agricultura familiar sofrerem muito e terem perdas e prejuízo nas suas lavouras que chegam de 30% a 60%, dependendo das culturas que eles produzem. Isto também é muito ruim. Agora, essa quarentena recomendada só vai prejudicar se as pessoas agirem de forma irracional neste momento, ninguém precisa ficar se expondo e não deve se expor, só que todos nós precisamos ser racionais”, adverte.
Isso significa que as corridas aos supermercados para estoques de mantimentos e produtos são desnecessárias e podem prejudicar quem não teve ainda recursos para comprar sua comida. Cíntia ressalta que não adianta deixar de viver devido à pandemia e que quem deve se preservar são as pessoas que pertencem ao grupo de risco. As demais devem diminuir seus fluxos, evitar certos lugares e circular menos, porém, sem deixar de fazer atividades, como ir ao mercado comprar mantimentos. A tecnologia será uma grande aliada para virtualizar os contatos e possibilitar o trabalho home office.
“Não vai ter uma área mais ou menos afetada, mas começa muito pelo turismo, pelo lazer, pelo consumo vinculado a este. Vai acontecer também naquelas empresas que dependem invariavelmente de matérias-primas que vêm, ou da China, que agora já está se reestabelecendo, ou da Europa que, por exemplo, no caso da Itália, deveria ter contido antes, e agora está sem saber o que fazer porque há muitas pessoas morrendo em função do que é oriundo do vírus. Nessas condições, a gente pode ter, ali na frente, oportunidades, como as de negócios voltados à área da saúde pública e ao desenvolvimento dessa área, oportunidades de fornecimento a setores que não vão estar sendo abastecidos pelo mercado externo, matérias-primas ou produtos que vinham da Europa e da China, que a gente vai ter que criar alternativas internamente, enfim, isso tudo vai acabar acontecendo nestas condições”.
A economista finaliza dizendo os impactos reais do Covid-19 ainda não são muito claros e que as próximas semanas podem dar maior amplitude para estes diagnósticos, que são associados à agravantes como a estiagem, no caso do RS.

Por daiane

Cíntia Agostini, presidente do Codevat e economista, diz que efeitos da pandemia já refletem na economia mundial e que a estiagem é um agravante no RS