Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 06 de Junho de 2020

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Municípios

Alex gosta da tranquilidade e do sossego do município

, 13 de março de 2020 às 16h15

Conforme pesquisa realizada junto ao Cartório de Registros Thomas, em Arroio do Meio, Alex Hartmann, 27 anos, filho de Ademar e Maria Fachini, é a única pessoa naturalizada capitanense no ano de 1992. Nasceu em 17 de abril de 1992, exatamente no ano da emancipação.

O fato de ser o primeiro capitanense registrado no município, o pegou de surpresa. Sentiu-se lisonjeado e, de certa forma, voltou no tempo. Rememorou a infância e o tempo vivido ao lado dos tantos primos e amigos, do período entre os 10 e 14 anos, quando frequentou a escolinha de futebol de Capitão, dirigida por Nestor Scheibe e dos campeonatos que participou com a equipe da escolinha do Rui Barbosa, de Arroio do Meio. Alex sempre residiu em Linha Zanoteli e concluiu o Ensino Médio frequentando a rede de ensino municipal e pública. Filho de agricultores, desde pequeno ajudou os pais na propriedade e, ao completar 14 anos, passou a trabalhar com os tios que têm tradição de mais de 20 anos na derrubada de mato.

Como o próprio município, Alex também tem sonhos que pretende realizar, porém sabe que para torná-los realidade, é preciso continuar trabalhando com responsabilidade. Num futuro próximo, pretende se casar, constituir uma família, fortalecer as amizades e nunca mais decepcionar ninguém. “Ser uma pessoa do bem” define. Tudo isso tendo como cenário Capitão, mesmo porque nunca teve vontade de morar em outra cidade. Toda a sua família reside ali. Conhece praticamente todos os moradores e gosta do sossego e da tranquilidade que a localidade oferece.

Andando por Capitão observa a beleza do município, infraestrutura, indústria, comércio e tudo prosperando. Por dois anos esteve fora, voltou tendo a certeza que ali, de fato, é o seu lugar. Precisou de um tempo para se livrar do vício que experimentou por pura curiosidade na adolescência. Foram anos de retrocesso, segundo ele, um caminho quase sem volta. Reconhece que o apoio da família e, especialmente, da mãe Maria foi fundamental para que conseguisse largar definitivamente o vício. Em 2017, à pedido dela, internou-se na Comunidade Evangélica Terapêutica “Desafio Jovem”, de Três Coroas. Foi um longo período de muito arrependimento e bastante aprendizado. Criado na roça, Alex não teve dificuldades em se adaptar ao local que ocupa uma área de cerca de 300 hectares. Dirigia trator, cuidava da plantação e colheita, dirigiu a agroindústria, tudo dentro de uma proposta de recuperação. Durante todo o período de internação, mensalmente, recebia a visita da mãe. Apenas numa oportunidade pôde retornar para o convívio familiar, em função de uma cirurgia. Durante a internação ninguém pode usar o celular. Estando em casa teve esta “liberdade” e no Facebook, reencontrou Janaine Da Silva, 19 anos, de Capitão. Hoje moram juntos.

Alex continua trabalhando com os tios na derrubada de mato, numa jornada que começa às 7h30min e se estende até as 16h. Depois deste horário, segue para a lancheria que a mãe abriu no centro de Capitão e, até a meia-noite, faz serviço de tele-entregas de lanches.

Por Alan Dick