Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 11 de Agosto de 2020

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Fuga para o litoral

7 de fevereiro de 2020 às 14h50

Admito: sou um cara louco por praia. Desde piá viajava a Tramandaí com meus pais, onde ficávamos alojados num casarão do meu avô materno, Bruno Kirst, que vivia cheio de gente. Viajávamos no final de dezembro com retorno somente em março.

Hoje é bem diferente, mas basta sol, água e cerveja gelada. Não precisa mais nada. Ops… esqueci: precisa de protetor solar, aliás, muito protetor! Para minha frustração tenho consciência de que jamais ficarei bronzeado. Entre janeiro e março a minha fisionomia atende à seguinte sequência: começo branquelo (tipo transparente), depois tipo “vermelho colorado” e, em seguida, a situação é de pele descascada. A fase seguinte é de volta à brancura. Depois de 60 anos de verão estou conformado com meu déficit de melanina. Paciência.

Faz tempo que não vou à praia. O máximo que consigo é uma fugida num feriadão até o Rio de Janeiro onde eu e minha mulher somos recebidos com todas as mordomias pelo casal Vicente Petry e Carolina Wist, amigos de longa data. Lá, o programa não muda: praia das 10h às 17h. No final da tarde, um banho rápido, uma sesta seguida de uma recorrida aos botecos que proliferam por lá. Cada um com atrações diferenciadas, bolinhos especiais e gastronomia consagrada. Tudo regado a chope ou cerveja gelados.

Resta aguardar o Carnaval, com vários
dias de folga que lotam todas as praias

Muitos amigos ficam espantados com meu conformismo de ficar em Porto Alegre, com a sensação térmica que beira os 42°C. Nesta época trabalho de jeans, camisa de manga longa e sapatênis, deixando de lado o terno e gravata.

Ao longo de 40 anos como jornalista, perambulei por quase 20 empregos, em alguns mais de uma vez. Não me arrependo desta vida de andarilho. Essas mudanças constantes representaram experiência agregada e muitos amigos. Encaro estas mudanças como investimento.

Esta rodagem ensinou que nem sempre é possível tirar férias na época em que 90% dos gaúchos correm rumo ao mar – no RS, no Nordeste ou Caribe. Sempre imagino que no ano que vem será diferente. Como já escrevi aqui, às vésperas dos 60 anos imaginava uma vida mais regrada, com menos horas de trabalho e mais tempo de lazer. Ainda não foi possível, mas não perco a esperança. Afinal, sonhar não paga imposto, pelo menos até o momento em que escrevo estas mal traçadas.

Admiro aqueles que “saem em desabalada corrida” – como diriam os locutores de antigamente – em direção a freeway toda sexta-feira e voltam no domingo à noite ou segunda-feira de madrugada. Fiz isso por muitos anos, mas não tenho mais paciência para estes ralis de fim de semana.

Resta aguardar o Carnaval, com mais dias de folga, mas que lota as praias com filas intermináveis em postos de gasolina, supermercado, padarias, restaurantes e até na beira mar. Nestas ocasiões costumo chegar cedo na areia com chimarrão, caipirinha, jornais, lanches e toda a tralha para passar o dia de papo pro ar.

Por Alan Dick