Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 27 de Fevereiro de 2020

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Moradores da rua Dom Pedro II querem asfalto

, 31 de janeiro de 2020 às 9h30

Assim como em Arroio Grande, os moradores da parte alta da rua Dom Pedro II, do entroncamento com a ERS-482, em Dona Rita, até a ERS-130, nas imediações da Brinquedos Bruxel, também estão descontentes com a falta de asfaltamento da via. A angústia é intensificada por investimentos que estão sendo feitos em outras localidades mais distantes da cidade. Além disso, justificam que a rua Dom Pedro II, faz a interligação com as localidades de Dona Rita e Arroio Grande, há presença de empresas e expansão urbana.

Em menos de dois quilômetros, são pelo menos 13 endereços empresariais, incluindo a subestação da RGE, três loteamentos, que totalizam mais de 180 lotes, e 89 famílias que moram de frente para a rua, convivendo com a poeira, o barro e a estrutura viária precária.

Apesar do novo posicionamento da rede de energia elétrica, que exigiu com que os moradores recuassem as cercas, ajustando delimitações, a estrada geral que cruza a localidade continua estreita. A execução do asfaltamento já foi aprovada em lei durante o governo Sidnei Eckert. No fim de 2016, havia emendas prometidas para o local, mas nada evoluiu. A população, inclusive, já moveu um abaixo-assinado protocolado na prefeitura em 2012.

O empresário Adonis Felipe Lagemann, observa que a via fica por grandes períodos sem ser patrolada e que o mato tomou conta das valetas e bueiros. A falta de definições em torno da largura e altura do seu nível, também traz problemas de insegurança, pois os moradores estão adiando investimentos no posicionamento de cercas e outras delimitações.

Lagemann não acredita que o abandono seja uma vingança eleitoral contra os moradores, mas suspeita de que o não asfaltamento pode estar relacionado a uma intriga política e lamenta o descaso com a população. “Transformaram a localidade em zona urbana em um decreto em 1994, sem perguntar para os moradores. Isso prejudicou a sucessão da atividade agrícola, pelas restrições de certas práticas na área urbana. Ninguém saiu da agricultura à toa. Nunca fomos procurados para projetos de pavimentação. Também estamos abandonados em outras questões de utilidade pública. A maioria certamente está em dia com seus tributos e, de alguma forma, seria parceria para que a obra evoluísse”, dimensiona.

O músico e agricultor Nelson Bennen, avalia que o município acabou investindo demais na instalação de novas indústrias, o que não considera totalmente negativo, mas esqueceu da qualidade de vida. “As pessoas estão ficando velhas e não vão andar nuns metros de asfalto. Estavam mais preocupados em valorizar quem é de fora, do que das pessoas que trouxeram o município a este patamar de desenvolvimento. Alegam que há coisas mais necessárias. Se não há clima político para executar esse asfaltamento, como a cada pouco aprovam a criação de novos loteamentos? É muito estranho, um município com 85 anos e boa arrecadação não conseguir fazer asfalto na zona urbana, sendo que são poucas estradas gerais. Outros municípios menores, mais jovens e com um número parecido de empresas que temos na nossa rua, tem asfalto em praticamente toda sua extensão. Acho que devem reciclar os gastos com o funcionalismo, e arejar o orçamento para mais investimentos. O orçamento é bom, os administradores vão bem na vida pessoal. Durante o ano eleitoral todos os políticos vieram pedir votos na nossa rua, e nos quatro anos de mandato, apenas dois vereadores estiveram por aqui”, explica.

O mecânico, Airton Hendges Kramer, 43 anos, e sua esposa Alaíde Kramer, 40 anos, moradores do bairro, há cerca de 15 anos, construíram a oficina e residência a mais de 40 metros da rua, para não sofrerem tanto com os impactos da poeira. Mesmo estando fechado, o pó entra no imóvel novo com aberturas bem vedadas. Mas, para eles, o barro traz mais transtornos do que a poeira, pois acaba sujando bastante a parte interna da oficina, e atrapalha o rendimento do trabalho. Segundo eles, Arroio do Meio, não tem demanda para ter muito mais que dois vereadores.

O bairro também é um dos únicos que não possui associação de moradores e sede comunitária e não é contemplado com uma área de lazer, praça e academia ao ar livre. A maioria dos moradores participa de entidades de Dona Rita, São Caetano e Centro.

Entre outras queixas está a desordem na travessia da ERS-130. Segundo eles, a abertura da rua por baixo da ponte do arroio Grande vai contemplar apenas quem se desloca do Centro para o bairro. A construção de uma rótula para ordenar o cruzamento é vista como essencial. A escolha pelo asfaltamento da parte baixa da via, do Centro até a ERS-130, onde moram bem menos moradores, ainda é incompreendida.

Assim como em Arroio Grande, os moradores da localidade também já estão colocando placas de manifestação pró-asfalto na via. Para as próximas semanas estão previstos encontros de mobilização. A intenção é sensibilizar o poder público e a classe política.

O coordenador do Departamento do Planejamento, Fernando Eneias Bruxel, revela que não há projeção para o asfaltamento em 2020, mas que a relocação da rede de energia, vai facilitar a elaboração do projeto. Segundo ele, o decreto de zoneamento urbano, assinado em 1994, e outros anteriores, não impactaram apenas na rua Dom Pedro II, mas ressalva que a população está no direito de reivindicar a obra.

Empresas presentes: Brinquedos Bruxel, Transportes Dametto, Águas e Gás Petry, Oficina do Airton, RGE, JJ Soldas, Oficina Gerhardt Multimarcas, Mamá Aluguel de Ferramentas de Construção, Eletrobaca, AL Pisos, Eletricista Cléberton, Metalúrgica Gonçalves e Transportes Müllenz, Metalúrgica Roveda, Cristiano Lopes Metalúrgica, diversos prestadores de serviço, e as futuras instalações de depósito do Atacado e Distribuidora Reis.

Mesmo a 40 metros da via, Airton e Alaíde Kramer, sofrem impactos da poeira e barro

Para Nelson Bennen, falta entendimento político e interesse dos gestores em asfaltar uma das poucas vias que ainda possui estrada de chão na zona urbana do município

Segundo Adonis Felipe Lagemann, estrutura viária da Dom Pedro II não condiz com decreto de zona urbana feito em 1994

Por Alan Dick