Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 27 de Fevereiro de 2020

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Natal

Quem definiu o 25 de dezembro?

, 21 de dezembro de 2019 às 11h01

O Evangelho de Lucas relata a comemoração do nascimento de Jesus, mas não faz referência e nenhuma data. Uma das hipóteses mais aceitas é que a Igreja teria escolhido o 25 de dezembro para dar um cunho religioso a um dos festejos pagãos da época. O povo romano comemorava a Saturnália em homenagem a Saturno, o deus da agricultura. Durava cerca de quatro dias e ninguém trabalhava, um rei era coroado para exercer o papel de Saturno e presentes eram trocados. Tudo começava no Solstício de Inverno, que marcava a noite mais longa e o dia mais curto, uma data importante para os romanos, povo que se dedicava à agricultura. O objetivo era pedir para o inverno não ser rigoroso até o retorno do sol.

Havia ainda outros cultos, como o ao deus Apolo, que era considerado o “Sol Invicto” e Mitra, adorado como deus sol, especialmente pelos integrantes do exército romano. No ano de 274 o Imperador Aureliano dedicou um templo ao deus e fixou o 25 de dezembro como Natalis Solis Invicti, ou seja, Nascimento do Sol Invicto.

Esta festividade acabou superando a Saturnália com o passar dos anos e, quando Constantino se converteu ao Cristianismo, em 313, a Igreja procurou estabelecer uma data para marcar o nascimento de Jesus. O 25 de dezembro foi escolhido. Um decreto do Papa Júlio I, no ano 350 D.C., determinou a substituição da veneração ao deus sol nesta data pelo nascimento de Jesus.

A Igreja, conforme artigo do portal francês, traduzido em oito línguas para difundir conhecimentos cristãos, decidiu aproveitar a data graças ao apoio de algumas passagens bíblicas já interpretadas em sentido cristológico, como a profecia sobre o “Sol de justiça” que teria brilhado “com a saúde em seus raios”, segundo o profeta Malaquias. O próprio Jesus havia dito: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”, conforme o profeta João Batista. Em um mosaico dos séculos II-III, conservado na necrópole vaticana, encontra-se uma imagem de Cristo representado como um sol em um carro triunfal.

Celebrações duram oito dias

As celebrações do nascimento de Jesus não terminam na noite do dia 24 de dezembro, pois a Igreja celebra a Oitava de Natal, período que se estende até o dia 1º de janeiro, quando é celebrada a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A celebração tem suas raizes no Antigo Testamento, no qual os judeus festejavam as grandes festas por oito dias. Assim, a Oitava segue sendo uma tradição considerada importante na Igreja – além do Natal, ela acontece na Páscoa.

As celebrações:

A primeira ocorre no dia 26 de dezembro com a festa de Santo Estevão, protomártir, que deu sua vida por anunciar a Cristo. Com ele se recordam os mártires de todos os tempos que entregaram sua vida por amor a Jesus.

No dia 27 de dezembro se recorda o apóstolo São João, o chamado ‘discípulo amado’. É o único apóstolo que, tendo amado a Jesus, não morreu martirizado. É autor de um dos Evangelhos e de três cartas apostólicas.

Outra das solenidades que se recordam durante a Oitava de Natal é a dos Santos Inocentes Mártires, no dia 28 de dezembro, celebrando as crianças mortas por Herodes. Durante este dia, se recorda, de modo especial, os bebês que foram abortados.

Dentro da Oitava também está a festa da Sagrada Família, que tem lugar no segundo domingo de Natal. Neste dia se recorda a Sagrada Família de Nazaré proposta como modelo para todas as famílias.

A Oitava de Natal termina no dia 1º de janeiro com a solenidade de Maria Mãe de Deus. A festa mariana mais antiga que se conhece no Ocidente. Com esta celebração se inicia um novo ano sob a proteção de Nossa Senhora como Mãe de Deus, e mãe dos filhos de Deus.

Mas o tempo de Natal não termina no dia 1º de janeiro, já que se estende até a festa do Batismo do Senhor que ocorre no domingo posterior à festa da Epifania do Senhor, que é outra das festas principais do Natal. A Epifania, que é a manifestação do Senhor aos Reis Magos, é comemorada no dia 6 de janeiro.

Por Alan Dick