Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 24 de Fevereiro de 2020

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Natal

Qual o principal símbolo natalino?

, 21 de dezembro de 2019 às 10h57

As comemorações natalinas ganharam, com o passar dos anos, diversos símbolos e hoje a árvore, ou pinheirinho está presente nas ruas, vitrines e em praticamente todas as casas. Ela, contudo, não é considerada o principal deles. O Natal, para quem pratica o cristianismo, simboliza o nascimento de Jesus e, desta forma, o principal símbolo é o presépio. O pinheirinho teria se popularizado mais rapidamente porque não faz uma referência direta a Jesus. Não existe uma precisão quanto a sua origem. Alguns atribuem à Martinho Lutero, na Alemanha, sua popularização. Outros à São Bonifácio. A decoração da árvore nem sempre foi ligada ao Natal e nasceu muito antes dele. Diversas teorias discorrem sobre as raízes desse costume. Desde a Idade Média, e até mesmo antes dela, várias culturas realizavam cultos às árvores: as sempre verdes, como os pinheiros, eram moradia dos deuses e sinal de vida. Desta forma, esperava-se obter saúde, fertilidade, vitalidade e proteção.

Os romanos já decoravam suas moradias com guirlandas de louros, na virada do ano. A transformação dessa tradição em árvore de Natal se deu a partir dos autos de Natal da Idade Média. Neles, a doutrina cristã era apresentada como peça de teatro, para os fiéis que não sabiam ler.

No início do século VIII, o monge beneditino São Bonifácio tentou acabar com essa crença pagã da árvore que havia na Turíngia (Alemanha), para onde fora como missionário. Com um machado teria cortado um pinheiro sagrado, que os locais adoravam no alto de um monte, e como teve insucesso na erradicação da crença, decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus.

Outros historiadores contam que os druidas adoravam árvores de carvalho como símbolos da divindade. São Bonifácio teria começado a usar outra árvore, o abeto, um tipo de pinheiro, porque a sua forma triangular ajuda a simbolizar a Santíssima Trindade e porque os seus ramos verdes apontam para o céu.

Presépio foi criado por São Francisco

A tradição de montar um presépio teve início com São Francisco de Assis, no ano de 1223. Em Greccio (cidade perto de Roma), na Itália, São Francisco queria mostrar aos camponeses como tinha sido a noite do nascimento de Jesus. Ele explicava, mas as pessoas não entendiam. Foi aí que ele teve a ideia de criar a cena. Alguns relatos apontam que ele confeccionou bonecos de argila e outros contam que ele usou pessoas e animais reais.

O número de figuras que fizeram parte da encenação também é impreciso. Maria, José e o bebê (Jesus) estavam nela. Algumas versões apontam que São Francisco fez um burrinho, alguns pastores, um boi, três reis e uma estrela. Arrumou tudo em volta do bebê e conseguiu, então, explicar o que queria, de uma forma bem fácil. O costume espalhou-se por entre as principais catedrais, igrejas e mosteiros da Europa durante a Idade Média, começando a ser montado também nas casas de reis e nobres já durante o Renascimento. Em 1567, a Duquesa de Amalfi, na Itália, mandou montar um presépio que tinha 116 figuras para representar o nascimento de Jesus.

Foi no Século XVIII que o costume de montar o presépio nas casas comuns se disseminou pela Europa e depois pelo mundo. O presépio teria chegado ao Brasil no século 17, conforme alguns estudiosos. O religioso Gaspar, de Santo Agostinho teria montado o primeiro em Olinda, Pernambuco. Outra versão diz que o presépio foi montado pela primeira vez no Brasil para ser apresentado aos índios e colonos portugueses em 1552, uma iniciativa que teria sido tomada pelo padre José de Anchieta.

Por Alan Dick