Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 25 de Fevereiro de 2020

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Jornal da Semana
Natal

O dia em que vi que o Papai Noel existe

, 20 de dezembro de 2019 às 11h49

Para CASSIANE LISBOA OST, 33 anos, sócia proprietária da Academia Bioforma, o Natal tem, hoje, um brilho especial:

“Nasci e cresci em Palmas e o Natal para meus pais ou, mais ainda, para a minha mãe, acho que era como um dia qualquer. Ela trabalhava muito, tinha três filhos para cuidar (sendo eu a caçula) e não tinha o hábito de decorar a casa. Nunca fez um pinheirinho e a casa ficava igual como em qualquer outro dia do ano. Sem contar que era difícil a gente ganhar um presente nesta época. Geralmente no final do ano era comprado algum equipamento para o trabalho na propriedade, trocavam o trator, sempre tinham contas a pagar. Eu ficava um pouco triste, pairava algo diferente no ar e eu tinha minhas fantasias, embora quase nem acreditasse no Papai Noel. Ele nunca aparecia e nem deixava pistas. Porém um Natal foi especial demais e, ainda hoje, eu e meus irmãos Adriano e Cláudia nos emocionamos ao lembrar.

Eu devia ter 7 anos e a Cláudia, irmã mais velha, tinha na época 14 ou 15. Numa tarde, enquanto eu estava no pátio brincando, ela me chamou para ir até a sala ver o que tinha lá. Fui correndo e quando entrei quase não acreditei: um pinheiro enorme, todo enfeitado. Naquele momento vi que o Papai Noel de fato existia e não havia nos esquecido. Mal sabia eu de todo o trabalho que ela teve para me surpreender, claro dentro do que estava no seu alcance.

Cláudia cortou um pinheiro que aliás, era bem grande, e levou sozinha para dentro de casa sem que eu percebesse. O colocou dentro de uma lata ou vaso. Foi ao limoeiro e colheu um montão de limões, de vários tamanhos. Ela se puxava, envolveu cada limão com um papel, qualquer papel colorido que tivesse pela casa, e os transformou em bolinhas de natal e os pendurou na árvore. Não tínhamos algodão, e com muita criatividade tirou a lã de uma velha cadeira que tinha no galpão, e jogou sobre o pinheiro como se fosse neve. Foi o máximo”.

No ano seguinte, nova árvore, só que além dos limões havia bolinhas de natal de verdade. “Nunca pedi como ela conseguiu dinheiro para comprar, acredito que ela guardou algum dinheiro que o pai eventualmente dava para o lanche e, com ele, comprou os enfeites. A mãe certamente não teria dado. Amamos nossa mãe, mas nunca entendemos o porquê de ela não gostar desta data.

O tempo passou e crescemos. A Cláudia teve seus filhos e eu enfeitava tudo para encantá-los. Acredito que proporcionei a eles a mesma felicidade que ela proporcionou a mim.

Hoje, casada com Daniel e mãe de Maria Eduarda, 9 anos, decoro toda a casa e simplesmente amo o Natal, sempre foi assim. Aguardamos a chegada do Noel e a Maria Eduarda já escreveu a cartinha e a colocou embaixo do pinheirinho”.

Por Alan Dick