Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 21 de Janeiro de 2020

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Jornal da Semana
História Viva

Erica e Lanuin João Carlos Ritt

, 13 de dezembro de 2019 às 10h30

A história de Lanuin João Carlos Ritt está fortemente ligada a localidade de Arroio Grande, onde nasceu em 11 de abril de 1938. O avô José Ritt, tinha uma olaria na localidade e Carlos Ritt, pai de Lanuin, quando jovem, trabalhava numa casa comercial localizada em Arroio Grande. Para ir ao moinho localizado nos arredores, Carlos passava defronte a outra casa comercial (ambos os comércios eram fortes) e pensava: “como seria bom se eu pudesse ter um comércio assim”.

Depois de algum tempo, Carlos Ritt, casou-se com a jovem Maria Cecília Friedrich e, ao mesmo tempo, realizou o que tanto sonhava: comprar aquela casa comercial, em Arroio Grande.

Nasceram os filhos: Ardela, Brena, Irna, Mirta, Ireno José e Lanuin. Ardela casou-se com Clemente Kerbes, ficou viúva ainda jovem e, por décadas ,manteve um forte comércio no bairro Aimoré, defronte ao curtume. Brena faleceu aos dois anos de idade. Irna faleceu aos 15 anos, acometida pelo tifo. Mirta casou-se com Nilo Schmidt e reside em Arroio do Meio, tendo ficado viúva recentemente. Ireno José casou-se com Núvia Henz. Ireno faleceu em 2016, aos 87 anos e a esposa ainda reside em Arroio Grande.

Lanuin João Carlos Ritt é o caçula dos irmãos. Frequentou a Escola 11 de Junho em Arroio Grande Superior, tendo durante todo o período escolar o mesmo professor, Benno Thomas. À época, os alunos ficavam numa mesma sala de aula. Em dado período, chegou a ter 70 colegas de sala e o professor desdobrava-se para atender aos diferentes níveis. Depois da aula, auxiliava a família na Casa Comercial Ritt, comércio que passou a ser referência na localidade de Arroio Grande, atraindo clientes de vários pontos do município e também de São Luis, Capitão, e Nova Bréscia. Variedade de produtos, de gêneros alimentícios a roupas, louças e ferramentas. Alguns empregados auxiliavam no atendimento bem como na lida com a terra e animais (porcos, ovelhas e vacas), criados na propriedade e que posteriormente eram comercializados ao Frigorífico Ardomé, de Arroio do Meio. Próximo à casa comercial havia um matadouro para o abate de animais e também um açougue. Embora não pertencessem à família, o picador que atendia a este fim, era dos Ritt. As pessoas iam à casa comercial fazer suas compras e podiam ir ao açougue bem próximo. Não havia necessidade de sair do vilarejo para comprar qualquer gênero alimentício, carnes ou roupas e calçados.

A juventude foi vivida no interior de Arroio do Meio onde sempre teve muitos amigos, bons vizinhos e, no tempo certo, bons cunhados. Chegado o momento de prestar o serviço militar, foi para o quartel na Cia de Polícia da Aeronáutica, em Canoas. A irmã Mirta casou-se com Nilo Schmidt e residia em Porto Alegre onde tinham um comércio. Morou na casa destes durante o período do quartel. Ajudava no comércio e desfrutava deste convívio familiar. Assim, ficar um ano longe de casa, foi tranquilo. Um período bom embora não tivesse nenhum conhecido no quartel. Os amigos de Arroio do Meio naquele ano foram servir em Alegrete. Um fato deixa lembranças alegres: no quartel todos o chamavam de Ritter, fazendo alusão à fábrica de geleias. Embora nunca tenha dito que era este o seu sobrenome, o apelido pegou e todos o chamavam assim. Chegado o período de kerb em Arroio Grande, não seria dispensado para visitar a família então conversou com o camarada responsável pela chamada e pediu para que marcasse um x de presença quando esta fosse feita. Algo simples, não prejudicaria ninguém. Em forma de agradecimento lhe traria umas geleias. Ao retornar para Porto Alegre, após uma semana de kerb, passou no mercado do cunhado e comprou várias unidades de geleia Ritter para o amigo que ficou muito feliz em lhe fazer tal favor.

Após o quartel, retornou à casa paterna e seguiu trabalhando no comércio da família.

No ano de 1959 durante um baile no antigo salão Prediger, em Bela Vista, Lanuin, então com 22 anos, conheceu Erica Gerhardt que tinha 19 anos. Ela, que morava na cidade, recorda que neste baile estava na companhia de um grupo de amigas e estas observavam Lanuin à distância e até comentavam quem iria dançar uma marca com ele, ou quem ele iria convidar para dançar. Era um jovem bonito e, por sinal, um bom partido. Veio na direção do grupo de amigas e convidou justamente ela para dançar. Durante a dança Lanuin lhe confessou que pediu para um amigo, quem ela era, de onde era, queria tirá-la para dançar mas tinha medo de levar um carão (fora). Ambos não sabiam, porém Lanuim era amigo do pai de Erica, Benno Gerhardt, e seguidas vezes tinha estado na sua casa para negociar. Benno também tinha um caminhão.

Assim iniciou o namoro e depois de três anos, o casamento. Nos primeiros quatro anos de casados, residiram com os sogros, na casa junto ao comércio, em Arroio Grande. Depois construíram uma casa no mesmo pátio. O irmão Ireno José, que já estava casado também residia em Arroio Grande.

Vivendo ali, Lanuin e Erica formaram sua família. Nasceram os filhos André, Daniel e Cristhiano. Os três estudaram na escola da comunidade nas séries iniciais e, posteriormente, com transporte coletivo particular, deram continuidade aos estudos no colégio na sede do município. Enquanto isso, Lanuin ajudava na casa comercial. Passava boa parte do dia distante dali, levando mercadorias e mudanças para outras cidades, inúmeras vezes até Santa Catarina. Transportava telhas, lajes, levava muitos porcos vivos para São Paulo, transportados num caminhão porcadeira, de dois pisos. Se na ida o caminhão seguia carregado de produtos/mudanças, na volta o caminhão trazia outros fretes. Retornar com o caminhão vazio seria desperdício de dinheiro. Lanuin recorda que a viagem mais distante que fez foi à Nova Friburgo/RJ para onde levou uma carga de 200 porcas criadeiras ainda filhotes.

No ano de 1985 e os filhos adultos – André fazendo faculdade e trabalhando numa instituição bancária em Muçum, Daniel iria prestar o serviço militar – percebeu que não havia trabalho para todos na empresa. Decidiu vender a casa para o sobrinho César e a parte que lhe cabia da sociedade, para o irmão Ireno. Construiu uma casa na cidade, num terreno que Erica recebeu dos pais. O caminhão recebido na transação deu início a um novo negócio, também familiar, só que desta vez, ao lado dos filhos.

Contratou um bom motorista, Ronei Führ, que tornou-se um grande amigo da família. O caminhão era câmara fria e realizava viagens para lugares mais distantes como São Paulo, Rio de Janeiro e, principalmente, para o porto de Itajaí, em Santa Catarina, fazendo fretes, geralmente levando produtos de indústrias locais. Em pouco tempo comprou mais um caminhão, que ele ou o filho Daniel dirigiam. Quando percebeu, o filho André decidiu largar o emprego no banco e ir trabalhar no negócio da família.

A Transritt já completou 35 anos, evolui em todos os aspectos, num trabalho que preza a qualidade e a responsabilidade, aliada a muito profissionalismo por parte dos irmãos Ritt, assim como de toda equipe de colaboradores que atua na empresa.

Lanuin e Erica brindaram Bodas de Ouro em setembro de 2012 e, juntos há 57 anos, hoje observam o quanto os filhos cresceram, são responsáveis, todos se tornaram bons pais e lhes presentearam com cinco netos: Lucas e Ana Amélia, Daniel Júnior e Diego e também Bernardo. A primeira bisneta, Cecília, nasceu em 31 de outubro de 2019 em Balneário Camboriú. Tem menos de dois meses e já é muito amada por seus bisavós.

Se em outros tempos o casal trabalhou muito e não mediu esforços para ajudar os filhos, assim como eles tiveram o apoio dos seus pais, hoje a vida segue de uma maneira bem tranquila. O casal adora passear. Por 10 anos seguidos em época de férias viajavam para o litoral, geralmente na companhia dos filhos. Nos 10 anos seguintes optaram por visitar as águas termais de Piratuba e, hoje, gostam de desfrutar do conforto da própria casa onde tem sempre um filho por perto já que a empresa está instalada na parte térrea da residência. Gostam de visitar os filhos, rever amigos e, por vezes, aos sábados e domingos, passear de carro por Nova Bréscia, Capitão e Arroio Grande, simplesmente para apreciar a paisagem. Lanuin nunca cortou o vínculo com a localidade na qual nasceu. Por 20 anos foi presidente do Esporte Clube Guarani e faz questão de continuar sócio.

Erica tem um cuidado todo especial com suas plantas e, se em outros tempos bordou tantos e tantos quadros que decoram as paredes da moradia, hoje aprecia a leitura. Mantém amizades de longa data na própria rua onde reside, e como adora flores, integrou por mais de 15 anos o Grupo das Orquídeas formado por um grupo de senhoras. Com o falecimento de Dorotéa Suhre, o grupo enfraqueceu e desde então não ocorreram novos encontros, da mesma forma os “Kränzchen”, não ocorrem mais.

Juntos, Erica e Lanuin, administram a própria casa, apreciam o chimarrão, têm aquele horário para assistir TV e acompanhar as notícias. São cúmplices quando o quesito é a cidade onde moram: mesmo passeando por outros lugares, visitando outras cidades, nada se compara a Arroio do Meio. “Aqui tudo é mais bonito, as pessoas são queridas, todos se conhecem, não falta trabalho, há qualidade de vida, a cidade cresceu muito e a cada dia nos admiramos com a beleza das construções que surgem nos novos loteamentos. Adoramos morar aqui”.

Por Alan Dick