Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 27 de Fevereiro de 2020

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Natal

Ela cantou toda a música…

, 21 de dezembro de 2019 às 11h18

Para Liane e Laura Fröhlich, certamente o Natal de 2003 ficará para sempre guardado na memória.

Minha filha Laura, hoje com 19 anos, aniversaria em 12 de dezembro e havia recém completado três aninhos, queria muito que o Papai Noel lhe trouxesse uma bicicleta como presente de natal. Aquele havia sido um ano muito difícil para nós. O Luciano Fröhlich, meu marido, tinha sido diagnosticado com câncer no ano anterior. Exatamente nesta época. O tratamento, as sessões de quimioterapia e radioterapia estenderam-se por meses e, no Natal de 2003, ele de certa forma, estava curado, estávamos muito felizes.

Aguardávamos a visita do Papai Noel e, de repente, tocou um sininho no pátio defronte da nossa casa. Fomos atender, Laura foi ao encontro dele e o convidamos para entrar. Durante o tempo que ficou sentado no sofá da sala, ela permaneceu no seu colo e atendeu seu pedido de cantar uma canção de Natal, cantou: PAPAI NOEL. Ele próprio ficou de queixo caído ao ouvi-la. Tal canção é muito longa e ela a cantou todinha, sem que ninguém acompanhasse. Admirado, ele pediu onde ela havia aprendido. Na mesma hora, sentindo-se um tanto quanto orgulhosa de si mesma, respondeu que havia sido a tia Adri, a Baixinha (creche Trenzinho da Alegria). “Eu e o Luciano nos emocionamos, nem nós sabíamos que ela conhecia a música inteira, embora cantarolasse uns trechinhos pra gente”. Antes de seguir viagem, o Noel lhe entregou uns presentinhos, eram roupas. Ela agradeceu com um sorriso meio amarelo e não se intimidou em dizer que estava esperando mesmo uma bicicleta. Ciente do pedido, ele a pegou pela mãozinha e conduziu até o pátio onde a bicicleta tão sonhada a aguardava. Palavras não conseguirão descrever nossa alegria nem a emoção que ela sentiu, foi algo indescritível e inesquecível.

Depois de cinco anos a doença se manifestou novamente e cada Natal era mais um que o Luciano passava ao nosso lado. Ele e a Laurinha eram “unha e carne”, a cachorrinha Cindy, que hoje tem 17 anos, era outra grande companhia. Da mesma forma o Cabeça – Mário Matte, seu melhor amigo e parceiro de 22 anos de trabalho com pinturas residenciais. Mário, de certa forma fazia parte da família. Veraneava com a gente, vinha à nossa casa todos os dias e fazia o possível e o impossível para alegrar a Laura. Dava-lhe presentes que nem nós pensávamos em dar, percebia o quanto o Luciano estava debilitado. Ele foi uma luz em nossa vida e, ironicamente, também foi acometido pela mesma doença. Luciano faleceu em 2014 quando a Laura tinha 13 anos e Mário, alguns anos depois.

Por Alan Dick