Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 09 de Dezembro de 2019

O Alto Taquari - Cotidiano

Jornal da Semana
Social

Evento para agradecer e apresentar a cultura haitiana

, 30 de novembro de 2019 às 11h26

A tarde de domingo foi especial para a comunidade haitiana em Arroio do Meio. A I Festa de Cultura Haitiana reuniu dezenas de imigrantes e convidados no salão da Comunidade Católica Cristo Rei do bairro Aimoré. Logo no início, os organizadores salientaram que era um evento especial, de gratidão à boa acolhida que tiveram em Arroio do Meio e uma oportunidade de mostrarem sua cultura, por meio da música, dança e gastronomia.

Como muitos dos imigrantes ainda não dominam o idioma brasileiro, Renel Simon, que conduziu o evento, traduziu simultaneamente toda a programação e falas. Na abertura, a expressão de fé e também de civismo, com a entonação dos hinos do Haiti e do Brasil. “Esta é uma atividade de gratidão. A comunidade estrangeira é muito forte em Arroio do Meio e está crescendo, com a chegada de novas pessoas. Queremos agradecer pela boa acolhida e dizer que estamos felizes e contentes em estar aqui no município”, disse Simon, em nome dos compatriotas que moram em Arroio do Meio. Eles destacaram o auxílio que vêm recebendo, tanto da sociedade civil organizada, como de pessoas da comunidade.

O prefeito Klaus Werner Schnack agradeceu pelo convite e ressaltou que o município está feliz em poder contar com o apoio dos haitianos no seu desenvolvimento. Afirmou que somam à comunidade local e que trazem preceitos parecidos, de comunidade, família e trabalho em conjunto, como o próprio lema da bandeira haitiana diz: a união faz a força. Disse saber dos desafios que muitos enfrentaram até chegar a Arroio do Meio ou depois, para trazer a família, e agradeceu a confiança de todos por escolherem o município para se estabelecerem.

Homenagens

Um dos pontos altos da tarde foram as homenagens à professora Denise Scheid Huppes e à Aneliese Valerius, por todo o auxílio e apoio que vêm dando à comunidade haitiana. “Professora Denise não temos suficientes palavras para te agradecer, mas você está dentro dos nossos corações”, disse Diego Larose em nome dos demais. A professora, que vem se dedicando ao ensino da língua portuguesa e ao apoio em diversos aspectos, recebeu um quadro de honra ao mérito e muitos abraços.

Na sequência foi homenageada Aneliese Valerius que, desde 2012, auxilia a comunidade haitiana na renovação dos documentos e no encaminhamento na Polícia Federal. “Não é fácil encontrar uma pessoa de bom coração como você. Queremos dizer muito obrigado. Nós nunca esquecemos seus trabalhos voluntários”.

Denise e Aneliese, emocionadas, agradeceram pela homenagem. Denise ressaltou que o trabalho junto aos haitianos deu um novo sentido à sua vida e que todos os dias aprende com eles sobre respeito, ética, retidão de caráter, valor à família, escola e ao trabalho e, sobretudo, gratidão. Lembrou que o projeto de ensino da língua portuguesa é possível por meio da comunidade católica e agradeceu pelo apoio do padre Alfonso Antoni, presente no evento, bem como da assistente social da Diocese de Santa Cruz do Sul, Jenifer Berté. A Diocese tem enviado recursos e também participado de campanhas em benefício dos imigrantes. Agradeceu ainda à Comunidade Cristo Rei pela cedência do espaço e aos arroio-meenses como um todo, bem como ao seu marido Silvério Huppes, pela parceria e apoio incondicional.

Aneliese reforçou as palavras de Denise e ressaltou que a comunidade haitiana é carinhosa, amorosa e solidária. “Todos estão dispostos a ajudar”. Agradeceu pela homenagem e ressaltou que foi conquistada pela comunidade haitiana e que todos fazem parte da sua vida.

Brinquedos

Ao final das homenagens, os presentes puderam degustar pratos típicos do Haiti. Encerrada a refeição, a professora Denise e o marido Silvério, acompanhados por Jenifer e pela diretora do AT, Isoldi Bruxel, fizeram a entrega dos brinquedos arrecadados ou comprados a partir de doações da comunidade. As 19 crianças, nascidas no Haiti ou no Brasil, ficaram radiantes com os presentes.

Por Alan Dick