Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 22 de Novembro de 2019

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Chuva em excesso prejudica agricultura e construção civil

, 8 de novembro de 2019 às 11h26

Desde o início de outubro, choveu mais de 500 milímetros na região. A previsão é de que pancadas esparsas continuem pelo menos até a próxima quinta-feira, dia 14. Os principais setores afetados são a agricultura e a construção civil.

O técnico em agropecuária Elias de Marco, da Emater/RS-Ascar de Arroio do Meio, não lembra de outra situação semelhante na primavera. “É histórico”, relata. A situação atrasou a colheita de trigo, devido ao excesso de umidade nas lavouras e o plantio da soja. Muitos trechos de lavouras de milho terão de ser replantados, devido a falhas na germinação ou deslocamento de sementes. Além disso, boa parte do adubo acabou sendo lavada ou infiltrou para baixo do nível das raízes, e vai provocar um desenvolvimento desproporcional. Já as hortaliças ,estão apodrecendo. Como um todo, o clima úmido favorece as pragas. E a falta de sol, prejudica ainda a fotossíntese.

De Marco completa que a chuva excessiva pode acostumar mal as plantas, para períodos mais quentes e secos do verão. “É preferível faltar um pouco na primavera do que ser demasiado”, explica. Por outro lado, acredita que os pontos positivos são que não houve granizo e que a cheia não foi tão expressiva.

Obras paradas

Na construção civil mais da metade das obras foram afetadas, especialmente construções sem chapa ou telhado prontos. O mestre de obras Gerson Henz, 45 anos, o Tigrão, de Travesseiro, que atua há 10 anos no segmento, nunca viu situação parecida em outubro. Com três obras em andamento, conseguiu atuar poucas horas no último mês. “Não é possível começar uma fundação sequer. Atrasa tudo. Além disso a falta de renda dificulta o pagamento de contas, como a contribuição para o INSS”, avalia.

Tigrão também revela que tem obras programadas até março, no entanto, observa que a construção de imóveis está praticamente parada no município. A maioria das obras está em torno de ampliações e reformas.

O mestre de obras da VGF, Clécio Schwarzer, 52 anos, morador de Rui Barbosa, Arroio do Meio, revela que na construção de edifícios a chuva praticamente não atrapalha. Com 35 anos de atuação, sendo 14 na construção de edifícios, Schwarzer diz que o clima desfavorável permite a organização de caixarias para vigas, montagem de ferragens e espaçadores para os próximos pavimentos.

O prédio de nove andares e 5,8 mil metros quadrados que está construindo na rua Dr. João Carlos Machado, no Centro, foi planejado desde o início para que não ocorressem pausas e para que seja entregue dentro do prazo. “Antes de começar a construir, montamos um galpão para organizar os materiais que seriam usados na fundação e dessem sequência à sustentação da obra. No momento, estamos no terceiro andar. Trabalhamos em cinco na parte estrutural. É preciso planejamento e execução detalhada visando a funcionalidade dos apartamentos. A argamassa é comprada, para dar mais eficiência ao andamento e padronização. O reboco, parte elétrica, hidráulica e acabamentos são terceirizados”, repercute.

Segundo Schwarzer, o mercado da construção reagiu em obras maiores. Ele destaca ainda a segurança financeira para os profissionais que atuam na construção de edifícios, pois geralmente são obras de longo prazo, o que o anima a continuar por pelo menos mais duas décadas.

Por Alan Dick