Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 09 de Dezembro de 2019

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Jornal da Semana
História Viva

Adailton Cezar Cé

, 29 de novembro de 2019 às 12h30

Natural de Putinga, na época distrito de Encantado, Adailton Cezar Cé, foi predestinado a se qualificar para liderar a família nos negócios. Com apoio dos familiares, credibilidade na sociedade e muito trabalho, realizou e inspirou muitos outros empresários, líderes e políticos, em diversas iniciativas que marcaram e continuam marcando o desenvolvimento de Arroio do Meio.

Seus pais, Hermínio Pedro e Adelina Maria Roveda Cé vieram de Garibaldi, juntamente com outros integrantes da família. Instalaram residência em Putinga e começaram a traçar a história da família na política, negócios, desenvolvimento social e na vida comunitária.

Neto de italianos, Adailton foi influenciado desde a infância pelo pai, que foi vereador em Encantado por três mandatos e pelo tio, Jordani Sétimo Cé, que foi prefeito daquele município trazendo muitos investimentos para o distrito. Seu pai, que também era agricultor e comerciante, foi quem doou dois terrenos onde foram construídas a escola estadual e a Sociedade Recreativa Esportiva e Cultural Rui Barbosa.

Adailton guarda até hoje a fotografia em que posou com o pai e o tio, o fundador da Cosuel, João Batista Marquese e o governador Ildo Meneghetti, na visita à barragem da Usina Hidrelétrica Putinga LTDA, empreendimento da família que levava energia elétrica a todo município de Encantado, com 60 km de rede trifásica. Foi a primeira vinda do então governador ao interior do Estado, onde visitou a Cosuel e a usina. Um defeito técnico acabou comprometendo a estrutura da barragem, o que trouxe dificuldades financeiras. Os tios de Adailton acabaram ajudando a família a se reerguer.

Aos 11 de idade descobriu o gosto pela política, distribuindo santinhos nas campanhas de seu pai. Mas sua infância e a de seus irmãos Oneri João, Juraci Antônio, Glaia (in memoriam), Gladis, Miriam e Sônia, nunca foi fácil. Todos precisavam ajudar na lida do interior. Adailton não teve uma adolescência comum. Convencido pelo vigário e incentivado pelo pai a ser o único dos filhos homens a estudar, frequentou um Colégio de Padres Carlistas em Sarandi durante dois anos. Na época, o deslocamento era feito por estradas de chão. Não existia a BR-386.

Posteriormente, foi transferido para o Colégio São José dos Irmãos Maristas de Lajeado, completando o ginásio em quatro anos (Ensino Fundamental completo) e formou-se técnico em contabilidade, obtendo o registro profissional para o ecercício contábil. No internato praticava muitas atividades esportivas. “Sempre fui uma criança muito responsável. Havia poucas reclamações de mim. Meu pai confiava muito em mim. Com os religiosos aprendi a diferença entre bondade e maldade. Quando se é leal acima de tudo, Deus ajuda as pessoas”.

Em 1962 sua família mudou-se de Putinga para Arroio do Meio. Seus tios, o pai e outros investidores de Encantado detinham mais de 50% das cotas do Frigorífico Ardomé e queriam que Hermínio fosse diretor industrial. Mas, uma crise no segmento levou os sócios a venderem o estabelecimento para um grupo de Lagoa Vermelha, amargando um déficit que desvalorizou as cotas pela metade, e trouxe-lhes um ensinamento para a vida: mais vale a credibilidade, do que ter dinheiro no bolso. É preciso respeitar os alemães. São pessoas muito boas – disse o pai para os filhos.

Adailton já cursava ensino técnico e também o científico para, futuramente, buscar a graduação em Odontologia. No entanto, seu pai o convenceu de que a contabilidade o credenciaria para dirigir diversas modalidades de negócios e liderar a família a partir de então. “O curso era tão completo na teoria e na prática, que todos os que o concluíam eram capazes de abrir um escritório ou gerenciar as finanças de uma empresa”. Entre os professores, na disciplina de Contabilidade Bancária, estava Ruy Dagoberto Bersch, que atuava no Banco do Brasil e depois frequentou a faculdade de Medicina tornando-se médico. Adailton frequentou o quartel apenas um mês para não atrapalhar os estudos.

Em 1963 os irmãos Cé adquiriram dos irmãos Pedralli uma indústria de estofados e colchões de crina vegetal, e nomearam J. A. Cé Cia Ltda, lançando no mercado sofás-camas. As vendas ocorriam em grandes quantidades. No mesmo período, Adaílton abriu seu primeiro escritório, atendendo 30 empresas, mas acabou deixando a gestão com o amigo Basílio Cella, natural de Pouso Novo, e colega desde os tempos de internato, para se dedicar mais ao segmento da indústria. Cella foi, inclusive, prefeito de Ciríaco, no norte do RS, por dois mandatos.

Em 1964, aos 21 anos de idade, frequentando os eventos sociais do Clube Esportivo Arroio do Meio (Ceam), conheceu Jussara Schneider, a filha do ferreiro da cidade, com quem viria a se casar aos 27 anos. A futura esposa, o sogro e a amizade com o comerciante Marcedo Sommer, conhecido da época em que vendia mercadorias em Putinga, ajudaram Adaílton a se aproximar das pessoas de descendência alemã. “Havia uma dificuldade de comunicação muito grande”, recorda. Nesta fase, seu pai o incentivou a substituí-lo, efetivando a filiação no PSD, representando a família na política. Posteriormente, durante a revolução militar, Adailton acabou filiando-se na Arena. Até hoje mantém admiração pelos deputados estaduais Antonino Fornari (falecido em 2007 e deputado por quatro mandatos) e Erni Petry – arroio-meense que também foi prefeito de Lajeado.

O final da década de 1960 e a primeira metade da década de 1970 foram de muitas conquistas no campo empresarial. Em 1967 incorporam imóvel da transportadora Panex de Caxias do Sul, situada na esquina das ruas Marechal Floriano Peixoto e Júlio de Castilhos, e fundaram a Auto Mecânica Panex. No mesmo ano, adquiriram a empresa de ônibus Schmitz e Scheid Ltda, que fazia o transporte entre Pouso Novo e Arroio do Meio, que posteriormente se tornou a Transportes Irmãos Cé. Em 1970 adquiriram, com empréstimo da Cia Atlantic de Petróleo, um posto de combustíveis nas esquinas rua Dr. João Carlos Machado e São Luiz. Em 1972 abriram a empresa de caminhões caçamba Terraplam Ltda que ajudou na construção da ERS-130 de Lajeado a Arroio do Meio, concluída em 1974. E na sequência foi aberta a Cerâmica Vale do Taquari, situada no bairro Universitário em Lajeado, que no início das operações atendeu três grandes construtoras de Santa Cruz do Sul.

Todas as empresas prosperaram. O posto de combustíveis chegava a vender 300 mil litros por mês, quando ainda não havia outras abastecedoras na ERS-130. A empresa de ônibus foi importante na democratização do acesso ao ensino. Para ajudar as famílias, as passagens eram quitadas com o lucro da safra. Posteriormente, o transporte de estudantes foi subsidiado pelas prefeituras. Hoje a empresa atua em quatro frentes: o transporte de estudantes, que é feito no mesmo horário das linhas concedidas pelo Daer em Arroio do Meio e Travesseiro; o transporte de trabalhadores de grandes indústrias; e o turismo com ônibus modernos e confortáveis. Entretanto, as exigências e responsabilidades do transporte de passageiros são desafiadoras.

Tal habilidade no campo empresarial aproximou Adailton da Associação Industrial e Comercial de Arroio do Meio (Acisam), onde acompanhou as gestões de Amos Wallérius, Fridhold Kuhn, Roque Kerbes, Arnildo Fensterseifer e Oscar Barden, que viria a presidir em 2003 e 2004 e de 2008 até os dias de hoje.

Em 1989, a vinda de tijolos furados de SC, enfraqueceu o setor de tijolos maciços no RS, colocando em cheque a continuidade da produção e vendas. Para viabilizar a permanência no segmento, Cé estudou uma forma de aproveitamento dos tijolos e negociou com empresas de materiais de construção, o que deu origem ao ambicioso edifício Dona Adelina, de 9.235 metros quadrados, situado na esquina das ruas Dr. João Carlos Machado e Bento Gonçalves, de tamanho equivalente a 240 casas populares de 40 metros quadrados, proporcionando a vinda do Supermercado Imec no Centro de Arroio do Meio, ocupando a parte térrea. Foi uma forma de homenagear a mãe exemplar que era adorada pelos filhos. A conclusão da parte comercial, permitiu a continuidade da ala residencial, sendo o marco inicial da Cé Empreendimentos Imobiliários Ltda que, na década de 2000, passou a operar também no ramo de locação e incorporação de bens imóveis. Este imóvel encorajou outros investidores a construírem edifícios nas primeiras quadras da entrada da cidade, modernizando e diversificando todo o comércio e Centro. “Toda a minha família, meus irmãos, filhos e sobrinhos são a razão da minha capacidade de desenvolver os empreendimentos. Sempre tive mais o intuito de ajudar do que de me beneficiar. A união e esforço dos meus irmãos e cunhados Lauro Fröner (falecido) e Vitor Souza, e a confiança que depositaram em mim foram cruciais para as realizações. Deixamos um bom lastro para todos se estruturarem. A seriedade nos negócios e vida social, nos deu muita credibilidade perante as instituições. Apesar disso, evitamos financiarmos e sempre tivemos um bom equilíbrio na gestão e investimentos somado ao trabalho”, dimensiona.

Na política foi vereador no mandato de 1993/1996. Na presidência da Casa, liderou a criação do primeiro Plano Diretor. Lembra que a proposta estava engavetada há oito anos, porque nenhum vereador tinha conhecimento suficiente para deliberar sobre o assunto. Cé então convocou todos os engenheiros do município e secretários de governo e, com ajuda do especialista em engenharia Isidoro Fornari Neto, “debulharam”, os Planos Diretores de outras cidades como Santa Cruz do Sul e Lajeado, e formataram a legislação em cima da realidade arroio-meense. Durante a Legislatura Cé também fez questão de assumir a presidência do Consepro, introduzindo transparência e eficiência na gestão dos recursos da segurança pública que garantiram melhorias nas viaturas e quarteis da Polícia Civil e Militar, além do reconhecimento estadual, junto com a delegada Elisabete Barretto Müler, de melhor delegacia do interior do RS durante o governo de Antônio Brito. Nesta época Cé e Elisabete foram agraciados em solenidade no Palácio do Piratini. Adailton também não mediu esforços para atrair a Bremil para Arroio do Meio. “Sempre atuei de forma idônea e transparente. Eu nunca participei de conchavos”, garantiu.

Estava preparado para ser o prefeito de Arroio do Meio em 1997. Mas durante a campanha, seu colega de PDS, Júlio Gasparotto Sobrinho, já falecido, se filiou ao PTB, para também concorrer ao Executivo, o que acabou dividindo os votos da oposição. Cé ficou na segunda colocação, perdendo para Paulo Steiner. Mesmo assim, não deixou de colaborar com o governo do MDB. Sua articulação com o Secretário Estadual dos Transportes, José Otávio Germano, foi determinante para a construção da rótula de acesso à cidade.

A sintonia de Cé, então líder Progressista com o MDB, foi um dos motivos que convergiram na candidatura de Danilo Bruxel para prefeito, então pelo PPB e Betinho Dalpian (MDB) para vice. A união dos dois maiores partidos do município impulsionou a diversificação da economia com destaque para a expansão industrial, fazendo com que hoje a indústria responda por 60% da arrecadação de impostos, essencial na geração de empregos e renda, colocando Arroio do Meio num patamar diferenciado em âmbito regional e estadual.

O interesse de Adailton pela política tem ligação com a sua preocupação com o desenvolvimento da sociedade de forma justa e democrática. “Sem a política, nada se constrói. Mas para fazer parte deste processo é preciso ter sensibilidade e discernimento. A comunidade precisa de pessoas de confiabilidade”, pondera. Por isto sempre fez questão de se aconselhar com prefeitos e políticos, além de se relacionar com deputados, conquistando inúmeras verbas para o município. Tem como meta, em janeiro, estruturar o PSDB junto com outros líderes, para dar uma opção interessante aos munícipes nas eleições de 2020.

Na Acisam, Adaílton, liderou a realização da Frango Fest em 2005, um dos eventos mais marcantes de Arroio do Meio, que gerou mais de R$ 100 mil de lucro, divididos entre a entidade e o Ceam, que sediou o evento, permitindo a transformação de ambas. E encabeçou a execução da revitalização do antigo e precário prédio da entidade, transformado-o em um moderno e amplo espaço para eventos e reuniões. Isso rendeu não só a valorização do imóvel, como também oportuniza às entidades e munícipes um local apropriado e bem localizado. Outro destaque são as oportunidades de qualificação para associados e o bom atendimento prestado. A meta dele é finalizar a gestão com a quitação do investimento.

Entre outros marcos, esteve a inauguração da nova sede da Transportes Irmãos Cé em dezembro de 2009, que passou a concentrar o escritório de todos os empreendimentos na esquina das ruas São Luís e Gustavo Wienandts. Também ocorreram investimentos e automação da olaria. A recente construção do prédio Caminho D’Águas, com 16 apartamentos e quatro lojas, no local onde estava situada a Auto Mecânica Panex está prestes a ser inaugurada. E há ainda o lançamento do audacioso e moderno edifício Comercial Novo Centro, para estacionamentos e salas comercias, que contará com elevador para automóveis, 78 boxes, 24 quatro salas comerciais (com direito a dois boxes por sala) e duas amplas lojas no térreo que contam com mezanino cujo espaço sozinho totaliza 4.510 m². A tecnologia alemã da Tyssen Krupp foi conhecida em viagem a São Paulo. A inteligência artificial e o gerador próprio aliam uma série de operações logísticas visando a operacionalização digital e manutenção preventiva, trazendo segurança e conforto aos usuários.

Adailton tem uma estima enorme pelo apoio incondicional da esposa Jussara, falecida em 24 de maio de 2018. “Uma exímia professora de matemática, atuando por 41 anos no magistério. Mãe exemplar e professora dos meus filhos no Colégio São Miguel e Colégio Alberto Torres”. Também tem orgulho dos filhos Alessandro, assessor da Promotoria de Justiça em Estrela e do advogado Vinícius, que atende em escritório particular e é assessor jurídico da Câmara de Vereadores de Arroio do Meio.

Adailton mantém muito zelo pela saúde, fazendo exercícios todos os dias. Apesar dos desafios de se administrar empresas no Brasil, elese sente motivado e honrado. Ainda tem muita vontade trabalhar e sonhos a realizar, ajudando as pessoas próximas e a comunidade que o acolheu.

Por Alan Dick

Empresário tem uma admiração e um orgulho muito grande da esposa Jussara (falecida em maio de 2018) e dos filhos Alessandro e Vinícius