Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 19 de Outubro de 2019

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Economia

Rui Barbosa continua se reinventando

, 4 de outubro de 2019 às 7h08

Na próxima terça-feira, dia 8, completam-se 10 anos da falência da Calçados Majolo. Foi um baque para os quase mil funcionários que atuavam nas três unidades: Rui Barbosa e São Caetano, em, Arroio do Meio e, em Travesseiro. E também para os dois municípios, como um todo. A falência, decretada pela Justiça após a inviabilidade de recuperação judicial, dominou por meses as rodas de conversa. A fábrica, que tinha mais de 50 anos de história, não resistiu às oscilações da economia, especialmente ao valor do dólar, já que a maior parte da produção era exportada.

Dez anos depois, o complexo instalado em Rui Barbosa é o único vazio. Em Travesseiro e em São Caetano, há anos, funcionam unidades da Calçados Bottero. Já o prédio de Rui Barbosa, onde funcionava a matriz, que também concentrava o maior número de funcionários, está vazio e à venda. O imóvel foi arrematado em um leilão e é de propriedade de um investidor de Encantado.
O bairro, que cresceu em função da empresa calçadista, se reestruturou. Hoje, há mais empresas do que tinha na época. Muitos ex-funcionários empreenderam. Outros já eram aposentados. Havia os que vinham de outras cidades e uma grande parte buscou outra forma de ganhar a vida. O comércio, de início, foi duramente impactado.

Os empresários Ismael César de Campos e Juliane Fröhlich Campos tinham um mercado na esquina próximo à fábrica. Hoje, numa loja muito maior, contam que a falência trouxe transformações importantes para todo o bairro. Na época foi muito difícil. De um dia para o outro o mercado ficou sem a maior parte dos clientes. Foi necessária uma reestruturação drástica, com corte no pessoal. Ismael foi trabalhar em outro ramo, enquanto Juliane e a filha continuaram tocando o negócio da família.
“A falência da Majolo nos tirou da zona de conforto. Quando a fábrica estava funcionando era cômodo, tínhamos clientes no automático”, afirma Ismael. Juliane observa que todos tiveram que se reinventar. “Apesar do baque inicial, sair da zona de conforto é positivo. O fechamento da fábrica motivou as pessoas a se profissionalizarem. Quando tinha a fábrica, famílias inteiras trabalhavam nela. Era comum os filhos crescerem e, quando tinham idade para trabalhar, iam direto na Majolo”.

Passado o primeiro ano, o período mais difícil, a família viu que era possível se reinventar. Há três anos inauguraram o novo supermercado. Uma loja maior, moderna, com um amplo mix de produtos. No estabelecimento trabalham 11 pessoas. “Nunca deixei de acreditar no bairro que eu adoro. Muitas moradias foram e estão sendo feitas. Rui Barbosa não parou. Tem escola e creche boas, posto de saúde, é perto do Centro, é um bom lugar para morar”, aponta Juliane, que acredita que o bairro tem bons atrativos para a instalação de uma indústria ou fábrica, o que impulsionaria ainda mais a comunidade local.

O empresário José Carlos Zanatta havia adquirido uma confecção instalada em Rui Barbosa um ano antes da falência da Calçados Majolo. Fornecia uniformes para a empresa e também foi afetado com o fechamento. Avalia que no começo foi difícil, mas que a situação o forçou a buscar novos clientes, o que foi positivo. Duplicou a capacidade de produção e acabou absorvendo algumas das costureiras que ficaram desempregadas. Hoje emprega 10 pessoas e conta com mais seis terceirizadas. Mesmo tendo um prédio próprio em Lajeado, Zanatta não pretende deixar Rui Barbosa. O principal motivo é justamente a mão de obra, que reside nas redondezas.

O coordenador da secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, de Arroio do Meio, Carlos Henrique Meneghini, salienta que Rui Barbosa se reestruturou. A mão de obra que ficou ociosa com a falência foi reabsorvida pela economia local. Percebe que hoje este não é um problema no bairro, mas revela que o município está sempre aberto a auxiliar na ocupação do prédio que pertenceu à fábrica. Avalia que Rui Barbosa é um bairro com muitos atrativos. O acesso é asfaltado, tem posto de saúde, escolas, uma comunidade estruturada, é próximo da ERS-130 e o valor imobiliário é mais em conta do que às margens da rodovia. “Dependendo da empresa, se não precisar de vitrine, o bairro é uma boa opção para se instalar”, afirma.

Por daiane

Ismael e Juliane continuam acreditando no bairro e decidiram investir e construir um supermercado novo