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Câncer de mama: o diagnóstico e a autoestima

, 18 de outubro de 2019 às 11h25

Descobrir um câncer de mama é uma experiência desafiadora para as mulheres. O diagnóstico costuma assustar e abalar não apenas a saúde física, mas também a emocional. Um dos temores das pacientes, além do medo da morte, é a perda da mama e a incerteza acerca de sua aparência. A influência que esse diagnóstico tem na autoestima feminina tem uma explicação bastante profunda, conforme explica a psicóloga Ivone Brito.

Segundo ela, nos últimos séculos, a preocupação com a estética do corpo vem sendo imposta às mulheres, formada pelos mitos sociais, causando uma extrema preocupação. “E, neste sentido, em grande medida, por meio da mídia, esse mito continua a ser reproduzido. Tornando-se assim um processo externo a elas, na forma das expectativas sociais criadas em torno da própria definição do que é ser mulher, algo interno, na forma de uma demanda íntima derivada pelos selves particulares”.

Desta forma, o câncer de mama e o tratamento representam um trauma psicológico para as mulheres, já que a mama é um símbolo do corpo e da feminilidade. “A mastectomia gera alterações na autoimagem da mulher, causando sentimentos de medo, rejeição e inferioridade. A cirurgia afeta a vida sexual, uma vez que se sentem envergonhadas, mutiladas e sexualmente repulsivas”, observa Ivone

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de mama deve ser abordado por uma equipe multidisciplinar, visando o tratamento integral da paciente. As modalidades terapêuticas disponíveis atualmente são as cirúrgicas e a radioterápica para o tratamento loco-regional e a hormonioterapia e a quimioterapia para o tratamento sistêmico.

A psicóloga salienta que a experiência do câncer ocorre dentro de um contexto familiar, desencadeando mudanças, como um todo, na família. “O marido, os filhos e os pais são as pessoas que mais sofrem e passam por momentos de muita angústia. Ao mesmo tempo, são as pessoas mais importantes e que têm efeitos diretos no tratamento da mulher com câncer”, ressalta. A família, neste momento, é vista como ponto de partida para suporte emocional, físico e financeiro. “Com esse apoio, a mulher ganha estímulo e força para garantir um ajustamento saudável à nova condição de saúde”, diz Ivone, acrescentando que, assim, a paciente sente-se acolhida e reconhecida dentro do seu núcleo de convívio, que tem papel essencial na sua recuperação.

O acompanhamento psicológico é fundamental porque o câncer de mama surge com um significado de ameaça à vida e à integridade física e emocional da paciente. Ao receber o diagnóstico, a mulher passa a vivenciar a expectativa de um futuro incerto, um caminho de dificuldades, que vem acompanhado do medo da morte e da mutilação. Sentimentos intensos e contraditórios como medo, raiva, incerteza e aceitação passam a fazer parte do seu cotidiano.

A abordagem mais indicada é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por ser diretiva, focada, favorecendo a identificação e modificação dos pensamentos, ocasionando sentimentos mais realistas e menos disfuncionais. “O terapeuta busca, de uma variedade de formas, produzir mudanças cognitivas e nos pensamentos disfuncionais, como também, no sistema de crenças do paciente. Promovendo, através da psicoeducação e das técnicas, mudanças emocionais e comportamentais. Com isso, as mulheres conseguem lidar melhor com a doença, com a perda e fazer uma reorganização em suas vidas”, finaliza Ivone.

Por Alan Dick