Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 17 de Outubro de 2019

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Economia

Um balcão e uma infinidade de produtos

, 15 de julho de 2019 às 7h30

No próximo, dia 16, comemora-se o Dia do Comerciante. No comércio local, um dos estabelecimentos mais antigos é o da família Barden. Em funcionamento desde 1948, a loja está no Centro há 47 anos. Com cerca de 16,6 mil itens, os Barden e colaboradores mantêm comércio com uma forma bem tradicional de atendimento no balcão e o fluxo de consumidores surpreende.

Diariamente, centenas de pessoas circulam pela loja da família Barden, no Centro de Arroio do Meio. Conforme um ditado popular arroio-meense, o fluxo no estabelecimento é uma espécie de termômetro de como está o movimento na cidade, no dia a dia. Em funcionamento no Centro há 47 anos, o empreendimento dispõe de uma infinidade de produtos, que juntamente com o pioneirismo, o atendimento personificado, o bom humor, a assistência técnica, preços e condições de pagamento competitivas e atrativas, aliadas à boas marcas, conquistaram a confiança da população e atraem os consumidores da Região para compras de itens de necessidade imediata ou aquisições de bens duráveis.
A visão de negócios dos irmãos Rubem, 68 anos, e Romeu, 61, garantiu que o empreendimento se mantivesse atualizado em produtos, com um jeito mais tradicional e familiar no atendimento, o que aproxima grande parte dos consumidores.
Rubem e Romeu, assim como os irmãos Roberto (já falecido) e Lourdes, começaram a trabalhar na adolescência no estabelecimento do pai, Oscar, e da mãe, Selma Amélia Korb Barden, situado na baixada da rótula de acesso da cidade, na ERS-130, em Bela Vista. Lá, de 1948, a meados da década de 1970, funcionava um armazém de secos e molhados, que também comercializava galinhas vivas, produtos de origem animal e tecidos, típico para a época. “Eram tempos difíceis. Nosso pai começou com um bar e cancha de bocha. Depois vendia leite de charrete para complementar a renda”, recordam.
Em 1961, o armazém começou a vender bicicletas, máquinas de costura, rádios à pilha, fogões à lenha e televisores em preto e branco, o que impulsionou os negócios. “Os agricultores chegavam a negociar a colheita da soja pelos televisores e pagar o saldo devedor na safra seguinte. Quem casava tinha, quase que por obrigação, de comprar uma máquina de costura. Em 1966 fomos campões em vendas de bicicletas pela Monark em todo o RS”, contam. Neste período, a distribuição de botijões de gás tornou-se um plus no mix de serviços.
Em 1972, a família adquiriu o ponto comercial de Edgar Spohr, situado na mesma quadra da prefeitura, na rua Dr. João Carlos Machado, o que lhes dava o direito de comercializar estofados, balcão de pia, roupeiros, mesas e cadeiras de fórmica, que tinham grande procura pelas famílias do interior que estavam deixando as cadeiras de palha de lado.
No Centro, o movimento triplicou e o armazém da rodovia acabou sendo fechado. Naquela época, Roberto e Lourdes abriram filiais em Estrela e Lajeado. Inicialmente as lojas tinham algumas operações conjuntas, especialmente no compartilhamento de estoque, mas logo cada estabelecimento começou a atuar de forma independente.
Os irmãos lembram que, no início, era normal trabalhar fora de horário de expediente e nos domingos pela manhã, especialmente na montagem de máquinas e equipamentos e assistência técnica.
A loja foi a primeira a dispor de televisores coloridos das marcas Telefunken e Philco, entre outras, que faziam sucesso no mostruário da vitrine da rua principal. Na época estava sendo transmitida a Copa da Confidência que, atualmente, é a Copa América, e dezenas de pessoas paravam na calçada para assistir as partidas por alguns instantes. Os chuviscos na imagem eram normais quando o sinal estava fraco. O valor de um televisor, no começo das vendas, era bem próximo de um automóvel popular zero quilômetro.
Em cada época havia produtos diferentes que estavam em destaque, como a fase das antenas parabólicas, lavadoras automáticas, máquinas de cortar grama à gasolina, cozinhas sob medida, entre outros. “O boca a boca em cima dos produtos e o atendimento, fez com que clientes viessem de tudo que é lugar. Até das regiões altas como Guaporé”, recordam.
Num período em que não existiam oficinas autorizadas, a assistência técnica foi fundamental para garantir a preferência dos consumidores. A concorrência com as grandes redes e magazines foi superada com produtos a pronta entrega. Atualmente são cerca de 16,6 mil itens entre eletrodomésticos, eletroeletrônicos, utensílios, implementos, ferragens, motores, máquinas, ferramentas, tintas, material elétrico, e móveis em geral. “Os próprios clientes acabaram moldando o portfólio. Um produto está ligado ao outro”, explicam.

Na última década, a maior parte dos contatos com fornecedores ocorre pela internet. Isso porque, para contenção de despesas, as marcas mais conceituadas, cortaram a atuação com representantes comerciais que, antigamente, visitavam a loja para mostrar produtos. Esta realidade também mudou a relação de suporte técnico de garantia, que ocorre de forma mais protocolar. “Se o fornecedor não resolve, buscamos solucionar por iniciativa própria. Jamais deixamos os clientes desassistidos”, explicam.
Outra situação desafiadora é o aumento da inadimplência. Apesar de haver mecanismos como o SPC, é praticamente impossível ter uma certeza em torno da idoneidade dos consumidores e a legislação acaba dificultando a cobrança judicial. Mesmo assim, mais de 80% deles são bons pagadores, incluindo pessoas de extrema confiabilidade. A internet é vista como uma concorrente de todos os setores e uma tendência. Porém, avaliam que as lojas virtuais podem vir a perder competitividade, caso o governo ajuste a política de impostos. Além disso estabelecimentos físicos têm a função social e a vantagem de o consumidor conhecer os produtos de perto.
Há cerca de 25 anos, a família abriu a Barden Eletromóveis, que inicialmente funcionou na rua Gustavo Wienandts, e desde 2002, também está na rua Dr. João Carlos Machado. A nova sala comercial possibilitou o aumento do espaço físico para apresentação dos produtos.
Apesar do atendimento familiar nos dois estabelecimentos, a sucessão ainda é uma incógnita, pelo fato de os filhos estarem focados em outras carreiras. Hoje a equipe é composta por 16 pessoas, incluindo as esposas Maristela e Helena Liane. A dimensão do estoque faz com que novatos levem em torno de três meses para começar a se situar entre o atendimento dos clientes e a localização dos produtos.
Fora do trabalho, Rubem, por muito tempo, teve a pesca esportiva em rios e lagoas como passatempo. Mas, no momento, tem preferido apenas descansar para energizar e curtir os netos. “Me acostumei a trabalhar, fico ansioso quando não tenho nada para fazer”, revela.
Já Romeu sempre preferiu o futebol e a motocicleta como hobbies. Segundo ele, é impressionante a evolução dos itens de consumo. “Quem diria que o VHS e o DVD, iriam cair em desuso”, dimensiona. Por outro lado, determinados materiais, como na parte elétrica, ferramentas e equipamentos para trabalhar, sofrem um upgrade mais pontual. Ele revela que atualmente, entre os produtos de maior procura estão os chuveiros eletrônicos.

Por daiane