Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 23 de Agosto de 2019

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Itaci Johann

, 12 de julho de 2019 às 9h58

Ao caminhar pelas ruas de Arroio do Meio, seguidamente um ex-aluno a chama carinhosamente de professora. Não é à toa. Itaci Johann, 86 anos de idade, exerceu a profissão por quase três décadas. Trabalhou com as séries iniciais em Travesseiro, por dois anos – 1955 a 1957 – e depois na escola Guararapes, em Arroio do Meio.

Nascida em Forqueta, filha de Pedro Isidoro e Hilda Fröner, saiu da casa dos pais cedo para estudar. Aos 11 anos de idade foi para Estrela, onde permaneceu por dois anos como interna do Colégio Santo Antônio. No colégio de freiras, o regime era rígido. Só podia ver a família na Páscoa e nas férias. Depois de Estrela foi estudar em Montenegro, onde permaneceu por oito anos morando com uma tia. Formou-se no Magistério em 1954. No ano seguinte, em outubro, foi chamada para assumir uma vaga na escola Pedro Pretto, Travesseiro, que na época pertencia a Arroio do Meio.
Sua turma era multiseriada, algo bem comum para a época, com alunos do primeiro, segundo e terceiros anos. Conta que eram turmas pequenas, não havia transporte escolar como na atualidade. Ela e mais duas colegas professoras moravam na escola, numa espécie de apartamento que havia anexado ao prédio escolar. Num dos fins de semana que retornou à casa paterna, conheceu Benito Jacob Johann, num baile, em Forqueta. Namoraram e, em janeiro de 1957, casaram-se.
O casal fixou residência no Centro de Arroio do Meio e Itaci pediu transferência para a escola Guararapes. Do casamento nasceram os filhos Ilda Maria, Márcia Regina e Jaime Braz. As filhas moram em Porto Alegre, enquanto que Jaime, que é dentista, reside e trabalha em Arroio do Meio. Itaci tem dois netos, Frederico e Flávia, que atualmente residem na capital gaúcha.


Primeira-dama

Quando casou com Benito não imaginava que a política faria parte de sua vida. O marido era sócio-fundador e trabalhava como contabilista na antiga Fábrica de Balas Wallerius. Talvez por sua influência na economia arroio-meense, passou a ser visto como um bom nome para a política. Incentivado por Antonino Fornari candidatou-se para a vereança em 1963 e foi eleito. Na eleição seguinte foi eleito prefeito para o mandato 1969 a 1972.
Da época em que foi primeira-dama, diz que guarda boas lembranças. Acompanhava o marido aos eventos sempre que podia. Tentava ser participativa, sem deixar de lado a criação dos filhos. No período, pediu licença da escola Guararapes e integrou a administração, atuando no Setor de Ensino Municipal, mais especificamente no controle da merenda escolar. Recorda que fazia visita às escolas junto com o coordenador da pasta Léo Kist e Ilva Suhre. Arroio do Meio era geograficamente maior, pois ainda tinha os territórios que deram origem aos municípios de Pouso Novo, Coqueiro Baixo, Travesseiro e Capitão. O interior era vasto e alguns lugares muito distantes da sede.
Afirma que o marido era um homem que gostava da política e se esforçava muito para fazer o melhor e deixar sua marca positiva para o município. “Quando ele pegava uma coisa, ele ia até o fim. Não era de desistir no meio do caminho”.
Das obras do marido enquanto prefeito, lembra da criação do Comam, e da aquisição do terreno e início das obras do atual prédio da prefeitura. “Me sinto feliz em ver os feitos que ele deixou. Iniciou o prédio da prefeitura, que é muito bonita”, afirma, contando que guarda álbuns de fotos do período de mandato. Cinquenta anos depois, percebe que boa para se morar. “Eu gosto muito de morar aqui. É tranquilo, bonito e tudo é próximo. Nossa Praça é muito linda. São poucas que são tão bonitas como a nossa”, pontua.

A professora

Da sala de aula são muitos os ensinamentos e aprendizados. Observa que o professor também aprende muito. Tem boas recordações, pois gostava do que fazia e os alunos eram bons, muito respeitosos com os professores. Na Guararapes sempre lecionou para os anos iniciais e nunca trabalhou no turno da noite. Aposentou-se em 1982 e nos primeiros tempos sentia falta da rotina na escola. Com o passar do tempo acostumou-se e, até hoje, muitos ex-alunos a chamam de professora quando a encontram. “Eu gostava de ser professora. Fico feliz, me sinto bem quando um aluno lembra de mim. Dá uma sensação boa ser lembrada por eles. Sempre se deixa uma marca. Tenho muitas lembranças boas”.
Ficou viúva em 1988, mas não se abateu. Se manteve ativa, física e socialmente, e independente. A família é próxima, visitam-se com frequência e, volta e meia Itaci vai para Porto Alegre ver as filhas. Curtiu muito os netos quando estes ainda moravam em Arroio do Meio.
Para passar o tempo gosta de ler, de fazer caminhadas e não abre mão do pilates duas vezes por semana. Antes fazia academia, mas teve de trocar para o pilates há dois anos depois de uma queda que resultou numa fratura no fêmur. Adora caminhar na Área de Lazer Pérola do Vale e vai sempre que a condição climática permite.
Itaci sempre gostou de viajar. Antes da fratura o fazia com mais frequência. Já foi para a Europa duas vezes. Também conheceu Nova Iorque, Bariloche, na Argentina, o Canadá e vários lugares no Brasil como Maceió, Morro de São Paulo, Lençóis Maranhenses, Caldas Novas, entre outros. Tinha uma grande companheira de viagem, Darci Scheid, já falecida, com quem compartilhou bons momentos. Muitos deles estão registrados em fotografias.
No verão gosta de ir para Capão da Canoa, onde a família possui um apartamento. Chega a ficar dois meses, as vezes mais. Gosta do clima do litoral e não se importa se tiver de ficar sozinha, o que raramente acontece. Apesar de gostar do ambiente praiano, do sol e do mar, fica feliz em retornar para sua casa em Arroio do Meio. “Gosto de morar aqui, da minha casa, da nossa cidade. Arroio do Meio é muito bom”.

 

Por daiane

Aos 86 anos de idade, a professora aposentada Itaci se mantém sempre ativa