Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 26 de Agosto de 2019

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Cotidiano

Quando as redes sociais ajudam a identificar e preservar a fauna local

, 3 de maio de 2019 às 9h47

O Bichos do Vale do Taquari está nas redes sociais desde o ano passado e tem estimulado as pessoas da região a olhar ao redor, prestando mais atenção na fauna específica daqui. O perfil do Instagram e a página no Facebook já têm mais de 500 seguidores cada.

A forma de participar é simples: basta fotografar com o celular, ou câmera, algum animal silvestre ou inseto e enviar para os administradores das páginas. A imagem é publicada com a identificação da espécie e informações adicionais, além dos créditos ao fotógrafo e a cidade em que o registro foi feito.

É um verdadeiro trabalho científico da fauna da região. Apenas em Arroio do Meio, já foram registradas 18 espécies, com um total de 20 registros. Os principais colaboradores aqui são o Tiago Josué Diedrich e Astor Gabriel.

A idealizadora deste trabalho é Marina Schmidt Dalzochio, pós-doutoranda do PPG em Ambiente e Desenvolvimento que, atualmente, atua no laboratório de Ecologia e Evolução da Univates. “O Bichos do Vale do Taquari, hoje, é um projeto de levantamento e monitoramento da fauna dos municípios que envolve esta região, com viés também de educação ambiental, para que a população conheça os animais que vivem aqui, cuide e respeite”, explica.

Aproveitando as redes sociais

O projeto surgiu como uma atividade de aula, no semestre passado, quando Marina substituiu um professor do curso de Ciências Biológicas da Univates, na disciplina de biologia de cordados. Identificando a familiaridade que os alunos tinham com as redes sociais, ela teve a ideia de unir conteúdo de aula e Instagram. Foi criada assim, a página na rede, com a proposta de a turma fazer postagens semanais com animais vertebrados (anfíbios, répteis, aves ou mamíferos), valendo a metade da nota da disciplina. “Eu queria que eles passassem mais tempo observando a natureza. Sentia que eles tinham muita necessidade de se ver como biólogos, e também queria que eles fizessem isso usando uma coisa que eles tanto gostavam, que eram as redes sociais”, recorda.

A aceitação do trabalho foi quase unânime, com postagens frequentes e muita dedicação dos alunos para a pesquisa e listagem das informações sobre as espécies. Ao mesmo tempo, a página pública foi se tornando cada vez mais popular, e outras pessoas começaram a mandar imagens. “O trabalho, dentro da disciplina, durou quatro meses e levantamos muitas espécies. Tivemos muitos registros. Só com o trabalho dos alunos”, relata Marina. O trabalho rendeu a identificação, inclusive de espécies que eram consideradas extintas na natureza, ou que não eram registradas para o Rio Grande do Sul. Logo, foi criada a conta no Facebook, aumentando ainda mais a visibilidade do trabalho.

 Repercussão

Hoje, a comunidade tem a maior participação nas postagens do projeto. Outra repercussão positiva, foi servir de inspiração para a criação de novos grupos, partindo de outras turmas, como o Plantas e o Fungos do Vale do Taquari. Os vales do Sinos e do Rio Pardo também se espelharam na iniciativa e criaram suas próprias páginas. Segundo Marina, todo o material coletado ainda fará parte de um livro. Em breve, também será montada uma exposição com as melhores imagens.

Quem quiser conferir o trabalho ou enviar imagens, pode procurar por @bichosdovaledotaquari nas redes sociais.

Por daiane