Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 19 de Agosto de 2019

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Jornal da Semana
Carta Branca

Aprendizados

3 de maio de 2019 às 6h12

Acabo de ler o livro que Gisele Bündchen lançou no ano passado. O título do livro é “Aprendizados: minha caminhada para uma vida com mais significado”.

Gisele teve ajuda profissional para escrever, mas a história e as ideias são dela. Não vou dizer que se trata de uma obra-prima da literatura. Tem até partes meio repetitivas que cansam. Os méritos do livro ficam ligados principalmente à sinceridade com que Gisele fala e à visão que ela demonstra ter do mundo e da vida. E nestes quesitos o livro é nota dez. Com estrelinha.

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“Aprendizados”, não é uma biografia. Gisele conta a sua vida desde a infância em Horizontina, mas sem muitos detalhes. Os fatos que evoca sempre têm como objetivo destacar alguma ideia. Por exemplo, quando fala da família, ressalta a amizade que as seis irmãs cultivam desde pequenas. Se lembra da mãe, bancária, destaca a disciplina que era necessária para manter a casa limpa, a roupa lavada e o almoço pronto na hora, sem contar com outra ajuda senão a colaboração de todos os membros da família.

Talvez o ponto alto do livro seja o relato do que lhe aconteceu aos 23 anos, quando alcançara a posição de modelo mais bem paga do mundo.

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Aos 23 anos, Gisele andou próxima do suicídio e explica por que. Com o sucesso, vieram fabulosas ofertas de trabalho que a menina de origem modesta não via como recusar. Ela tinha batalhado muito para chegar neste patamar e como iria se fechar agora para tantas oportunidades? Resultado: trabalhava demais, dormia quase nada, fumava muito e se alimentava pessimamente. Era uma bomba-relógio. Havia de explodir mais cedo ou mais tarde.

E explodiu mesmo. Os ataques de pânico se tornaram cada vez mais frequentes e ela foi desenvolvendo a sensação de que faltava ar para respirar. Não podia mais andar de avião, porque faltava ar. Não podia mais usar o elevador, porque sentia que ali dentro não tinha ar. Não conseguia mais ficar em ambientes fechados. Mas quando o ar começou a faltar também em lugares abertos e até no terraço de casa, ela viu que estava chegando no fim da linha e procurou tratamento. Não se acertou com nenhum tratamento a que foi submetida. Não queria simplesmente tomar tranquilizantes ou coisas assim. Aí fez um intervalo. Passou um tempo com a família, começou a levar exercícios a sério, aproximou-se da yoga, parou de fumar e revisou totalmente a alimentação.

Aos poucos foi melhorando e hoje tem um estilo de vida que faz questão de recomendar a todos.

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Fica muito claro que Gisele abre a caixa dos seus segredos para mostrar que a vida traz desafio para todos. Nem o glamour da profissão, o sucesso ou o dinheiro a salvaram de grandes problemas. O pulo do gato foi a maneira que encontrou para lidar com as dificuldades. Baita lição!

Além do admirável exemplo, o livro nos presenteia com muitas fotos. Bela chance de espiar a vida da guria de Horizontina, aquela que acontece fora das passarelas.

Por daiane