Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 20 de Junho de 2019

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Cultura

Desenhos que mais parecem fotografias

, 26 de abril de 2019 às 11h08

Os traços de desenho, que se treina desde a escola, são quase que uma meditação. O artista mergulha em um mundo feito de papel e lápis, com uma imagem que, aos poucos, vai tomando forma. Para alguns, é questão de treino, para outros, se resume em dom. Quando há a soma destes dois fatores, o resultado é um trabalho que impressiona, como os desenhos feitos por Leonardo Casaril, 25 anos, morador de Pouso Novo.

Casaril desenha desde os sete anos e, hoje, é reconhecido em sua comunidade, pelo talento de fazer desenhos à mão, que são tão realistas como uma fotografia. “O desenho sempre esteve presente em minha vida, é uma terapia para mim. Os primeiros eram simples, apenas com linhas. É mais relativo eu fazer com a mente sem ter uma foto de referência”, relata.

Ele conta que, em 2015, viu um desenho realista, postado em uma rede social, que o motivou a aprimorar sua técnica, descobrindo como fazer traços com mais detalhes, com as proporções adequadas para o resultado ser igual ao da foto de referência. Com a internet como ferramenta de aprendizado, fez um curso que o ajudou a alinhar seus objetivos com os resultados no papel. “Fiz um curso com vídeo aulas em DVDs, num total de 8 horas. Para mim foram importantes elas serem em DVD, porque não tenho aceso à internet em casa. Aprendi muito, mas o mais importante foi descobrir os materiais adequados para realizar o trabalho, como tirar o traço e, de modo geral, ter a visão da foto para transmitir para a folha surgindo o desenho”, relata.

Casaril já expôs seu trabalho em Pouso Novo, com incentivo da Prefeitura e é bastante reconhecido por eles. “Recebo muitos elogios, as pessoas pedem para ver os desenhos, quando chegam em minha casa sempre perguntam por eles. Nunca imaginei receber esse reconhecimento, ” orgulha-se.

Para desenhar, o artista utiliza material específico, como lápis apropriado, grafite especial, caneta, borracha, esfuminho, pincel, folha, apontador de manivela, verniz fixador e, principalmente, uma boa iluminação. É um trabalho que exige muita paciência. “Demoro, em média, 25 horas para fazer um desenho. Teve um que demorei 50 horas, mas o tempo não importa, porque faço pelo prazer de desenhar”, declara. Os modelos favoritos de Casaril são pessoas, entre personalidades e anônimos, caminhões, santos e instrumentos musicais.

Para o futuro, o artista sonha em poder viver do desenho. “Mas sei que é uma área que não traz muitas oportunidades profissionais. Recebi muitas indicações para atuar na área de tatuagem, mas eu gosto mesmo é desenhos a lápis”, revela. Por enquanto, o desenho para Casaril é um hobby, mas ele não descarta poder, ainda, ensinar o que sabe como professor.

Por daiane