Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 26 de Novembro de 2020

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De Arroio do Meio para a Suécia,em busca de crescimento acadêmico e profissional

, 26 de março de 2019 às 7h30

Morar em outro país pode ser um grande desafio, mas sempre implica em aprendizado e crescimento. Em 2015, Franciele Dietrich deixou Arroio do Meio, junto do marido Jean Zagonel, com destino a Linköping, na Suécia, buscando ampliar sua qualificação acadêmica e profissional. A cidade tem pouco mais de 100 mil habitantes e fica a duas horas de Estocolmo, capital do país. Em 2018, Fabrícia, irmã de Franciele, juntou-se a eles.

Franciele mudou-se para a Suécia motivada pela excelência em pesquisa. Junto dela, Fabrícia pretendia avançar os seus estudos na área clínica (pesquisa envolvendo pacientes) e encontrou no país nórdico esta oportunidade. A irmã decidiu se candidatar a uma vaga, passou na seleção e entrevista e foi contratada.

As diferenças no clima, com o frio rigoroso, e o novo idioma assustaram no início, mas segundo Fabrícia, a estrutura e a organização da Suécia deixou o processo de adaptação mais fácil. “Na Suécia tudo funciona muito bem. Aqui temos muita qualidade de vida, pois o contexto estimula um estilo mais ativo”, exemplifica Fabrícia.

A segurança no novo país é outro destaque, citado pela pesquisadora, em comparação ao Brasil. “Pode-se caminhar na rua com o celular, o fone de ouvido ou a carteira na mão, fazer todas as coisas a pé ou de bicicleta, sentar num parque, sem se preocupar com a sensação de insegurança. Isto não tem preço”, enfatiza. A praticidade da questão burocrática facilita o dia a dia e muitas coisas funcionam na base da confiança. “A população sueca trata todos de forma respeitosa e igualitária”, diz.

A parte difícil para quem alça voos para longe, sempre é a saudade de casa, dos familiares, dos amigos. A tecnologia e a internet ajudam a amenizar esse sentimento e o trio volta ao Brasil uma ou duas vezes ao ano. “Sentimos falta das comidas preparadas pela mãe e o churrasco do pai”, completa Franciele.

Um currículo de orgulho

O objetivo de Franciele, com a viagem, foi dar continuidade ao doutorado que iniciou no Brasil. Depois de concluir os estudos, permaneceu como pesquisadora de pós-doutorado, vinculada à Universidade de Linköping. Sua linha de pesquisa busca melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem de rupturas de tendão, acelerando o processo de cicatrização. O trabalho, inicialmente, foi supervisionado pelo professor e médico Dr. Aspenberg, referência mundial em pesquisa com tendão de Aquiles. Atualmente ela atua com o grupo de pesquisas no setor de Ortopedia do Departamento de Medicina Clínica e Experimental. Tem viajado frequentemente para conferências das sociedades americana e europeia de ortopedia, incluindo eventos em Oxford, na Inglaterra e em Austin e Portland, nos Estados Unidos.

Jean dedicou-se à conclusão do mestrado na área de Administração, focado em Estratégia e Gestão em Organizações Internacionais, também na Universidade de Linköping. Sua dissertação foi publicada na área de inovação, com foco no caso de colaboração entre a Universidade e a empresa SAAB, fabricante dos caças recém adquiridos pela Força Aérea Brasileira. Ele trabalhou na área de marketing internacional e no departamento de colaboração estratégica da Universidade. Foi responsável pela comercialização, para a América Latina, de uma empresa de tecnologia localizada no Mjärdevi Science Park. Jean atuou como professor assistente em uma escola do município e faz parte do Conselho de Administração do Mjärdevi Science Park.

Fabrícia é pesquisadora de pós-doutorado no Departamento de Medicina Clínica e Experimental, Divisão de Saúde da Criança e da Mulher, na Universidade de Linköping. Trabalha com os pesquisadores Dr. Johnny Ludvigsson e Dra. Rosaura Casas. O foco do grupo é o diabetes tipo 1, e seu trabalho consiste em experimentos laboratoriais e análises de pacientes voluntários, recentemente diagnosticados com a doença. Eles recebem uma vacina que foi criada e desenvolvida pela companhia sueca Diamyd Medical. A pesquisa avalia a segurança da vacina com o intuito de disponibilizar aos pacientes diabéticos um novo tratamento. No ano passado, os resultados desse trabalho foram apresentados em uma conferência em Londres, Inglaterra.

As diferenças na educação, clima e cultura

Na Suécia, a educação é gratuita desde o básico até o superior. Os alunos são incentivados a experimentar e aprofundar os estudos. A comunidade de Linköping oferece cursos de inglês e de sueco para os imigrantes.

O inverno é bem rigoroso, com poucas horas de claridade – em torno de seis horas de luz do sol no seu auge. Já no verão, o clima é agradável e, ao contrário do inverno, com poucas horas de escuridão – em torno de três horas. “Aqui na nossa cidade tivemos 21 graus negativos, mas no Norte já chegou a 50 negativos. Além disso, aqui é possível ver as famosas auroras boreais. Quanto às pessoas, são mais reservadas, não tão calorosas e hospitaleiras como o povo brasileiro. Mas, uma vez que se constrói uma relação de confiança com os suecos, essa relação é muito sólida”, relata Franciele.

Uma curiosidade da rotina sueca é a pausa diária nos ambientes de trabalho, chamada de fika, onde todos os trabalhadores se reúnem em uma sala, para tomar café e fazer reunião informal pela manhã e pela tarde. As jornadas diárias são de oito horas e as repartições dispõem de máquina de cafés especiais e frutas frescas, sem custo. “No interior do hospital/universidade, pesquisadores, médicos, enfermeiros andam de patinete e skate para agilizar o deslocamento entre os setores”, lembra. Outra novidade para quem vem de fora é a celebração da chegada do verão, através da tradicional festa do Midsummer.

Por daiane