Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 23 de Agosto de 2019

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Animais e humanos, um exercício de afeto

8 de fevereiro de 2019 às 8h06

É cada vez mais frequente nas redes sociais a postagem de conteúdos ligados aos animais, com ênfase para os casos em que o mascote morreu. São comuns comentários irônicos como “canalize seu amor para os humanos”, “gaste seu tempo com pessoas”, “animais nascem, crescem e morrem, é normal!”. Fazer o que? Democracia é isso mesmo, conflito e debate.

Já fui menos tolerante com essa onda de onipresença de animais. Tenho um cusco em casa que atende pelo nome de Fiuk, o que me faz passar vergonha em praças e parques ao ter que chamá-lo em altos brados. Afinal, é o nome de um cantor/ator, filho do príncipe do romantismo, Fábio Jr. O rei, é claro, é o inoxidável Roberto Carlos.

O nosso maltês chegou há nove anos, pouco depois do Natal, quando nasceu. Tomou conta do pedaço, impõe suas vontades. Tem prioridade absoluta. Duvidam? No dia 26 de janeiro – conforme contei aqui – meu filho formou-se em jornalismo. Depois da coleção de grau, comemoramos com familiares e amigos.

O arrasta-pé prolongou-se até às 4h. Depois que os garçons invadiram o salão fiquei batendo papo com os sobreviventes para chegar em casa às 5h20min. De terno e gravata, peguei a coleira, saco plástico e saí a passear com o pulguento por 15 minutos. O dia estava quase nascendo, mas o rapazinho precisava fazer as suas necessidades.

Fiuk tem sido um ótimo exercício de paixão, sentimento démodé.

A rotina de higiene é o pomo da discórdia familiar. Todos são muitos ocupados (!). Apesar de ser alvo de mordidas e rosnadas furiosas, todos os dias levo o caçula para passear. Apesar de minúsculo, o cão adora irritar seus semelhantes, quase sempre os grandes e bravos.

Até os dóceis labradores e golden retrievers perdem a paciência com aquele chaveirinho de cachorro que habita minha casa. Levá-lo ao pet para banho e tosa é outra tarefa de gincana que afugenta aqueles que incentivam a compra do cachorro, ou seja, meus dois filhos Laura e Henrique.

Quando minha mulher não está em casa, Fiuk é um cão dócil, obediente, calmo. Mas basta o elevador estacionar no nosso andar para que o animal seja tomado por um espírito maligno que se manifesta por latidos irritantes, não importa a hora. Portas são alvos preferidos para afiar os dentes, resultando em lascas pendentes. Apesar dos ataques de ferocidade, é impossível não amar o maltês.

Exageros existem em todos os lugares. Com relação aos cães, a permissão para passeios em shoppings considero uma demasia. Acho que os próprios animais são submetidos ao estresse desnecessário, sem falar nas dificuldades que alguns têm para caminhar em pisos lisos e com obstáculos.

Em um mundo repleto de ódio, desavenças e desamor, nutrir afeição pelos mascotes é um consolo, um treino, até para que os chamados “humanos” se comportem de maneira digna e civilizada. E o Fiuk tem sido um ótimo exercício de paixão, sentimento démodé.

Por daiane