Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 01 de Outubro de 2020

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Agricultura

Enchentes: números impressionam

18 de janeiro de 2019 às 8h21

Imagino que todos estejam acompanhando as notícias divulgadas sobre os excessivos volumes de chuvas que estão sendo registrados em algumas regiões do Estado, especialmente na Fronteira Oeste e Campanha. Somente neste mês de janeiro já foram anotadas precipitações que ultrapassam 500 milímetros, ou seja, 500 litros de água em cada metro quadrado de terra.

Essa anomalia no comportamento do clima resulta em uma situação caótica em todos os setores, seja nos perímetros urbanos, bem como na área de produção agrícola.

No setor da agropecuária, as perdas maiores, além da morte de animais, criados nos campos, relacionam-se às lavouras de soja e arroz. No município de Alegrete, estima-se que mais de 6 mil hectares de plantação de arroz estejam submersos, sem contabilização de perdas por enquanto. Em Barra do Quaraí, deixarão de ser colhidas 411 mil sacas de arroz, com prejuízos que devem superar a casa dos R$ 16 milhões. Em Uruguaiana a quebra da safra de arroz ficará em torno de um milhão, quatrocentos e oitenta mil sacas, representando R$ 60 milhões de reais.

Provavelmente esses números não são definitivos, e, somados às perdas nos demais municípios atingidos, as apurações deverão alcançar números inimagináveis, com impactos financeiros estrondosos no setor de produção primária, em que outras culturas de verão, como o milho e soja, igualmente indiquem perdas muito expressivas.

Há também registros de enormes perdas nos países vizinhos, Argentina, Uruguai e Paraguai, com grandes frustrações de safras na cultura da soja. Então, seguindo os princípios da lei da oferta e da procura, a nossa produção de soja, milho e arroz, das regiões não afetadas pelos eventos climáticos deverá chegar a patamares bons, com perspectivas de preços compensatórios.

Cadastro repercute

Assunto principal da minha coluna da semana anterior, o Cadastro de Atividade Econômica de Pessoa Física (CAEPF) segue em debate e impasse. Mesmo com a vigência obrigatória anunciada para a partir do dia 15 de janeiro, desta semana, a própria Receita Federal admite que o cadastro será cobrado ou exigido do agricultor em abril, quando se tornará obrigatório o eSocial nas pequenas propriedades.

Embora apenas uma empresa integradora esteja cobrando do integrado o referido cadastro, as entidades classistas sugerem cautela de parte do produtor rural, recomendando que apenas os que realmente precisam da comprovação, procurem adequar-se ao disposto na Instrução Normativa nº 1.828, de setembro de 2018.

Representatividade da Região…

Dentre as maiores frustrações e fator de desânimo do meio político do Vale do Taquari, é a histórica falta de representatividade da Região, nos mais elevados escalões dos governos estadual e federal, que ajudam a eleger.

Não bastasse a natural aspiração deste nosso polo de produção agropecuária, além dos setores industrial, comercial e de serviços, Região muito evoluída na área da educação e cultura, candidatos, de ambos os níveis, em vésperas de eleições vêm para cá, acenando simpaticamente com essa possibilidade. E não foi diferente no último pleito.

O curioso é que nós temos um Colégio Eleitoral de quase 300 mil eleitores e não conseguimos eleger deputado estadual e/ou federal que seja daqui.

O governo federal é algo tão distante e o máximo que se consegue é cargo de assessor de deputados.

O Estado, este sim mais próximo, dá sinais de que será mais um que não precisa do Vale. As forças vivas têm que reivindicar e quebrar a estrutura de dominação exercida pelas cúpulas partidárias de sustentação dos Executivos. Essa falta de oportunidades jamais pode ser creditada à falta de capacidade.

Por daiane