Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 16 de Julho de 2019

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Economia

Consumidores preferem rótulos tradicionais e promoções

, 25 de janeiro de 2019 às 8h15

Na última década a produção de bebidas artesanais e de sucos integrais, ganhou força no país e consequentemente no RS, pelo apelo gourmet e nostalgia de elaborar receitas exclusivas com ingredientes diferenciados. O movimento, inclusive, mobilizou uma série de ‘bandeiras’ por uma flexibilização e simplificação das legislações sanitária e tributária, como forma de incluir pequenos estabelecimentos no mercado.

Na prática, percebe-se um sucesso maior dos fabricantes artesanais que focam bastante na venda direta e em parcerias exclusivas com revendedores, diminuindo custos de distribuição. No varejo as marcas tradicionais que mantêm boas ações promocionais lideram a preferência entre os consumidores. Também se detecta uma adequação das grandes marcas à tendência de consumo provocada pelo movimento artesanal.

Nas cervejas, a preferência é por latões de 473ml e long necks de 355ml, pela praticidade de consumo, que inclui a refrigeração e descarte, comercializadas a partir de R$ 2,69, dependendo da promoção no varejo. A tradicional garrafa retornável de 600ml, e as de 1l e de 300ml, perderam um pouco de espaço, mas ainda têm boa procura. Detecta-se também uma boa saída para as latas e long necks slim de 250 ml, vendidas às vezes abaixo de R$ 2. O segmento é liderado pela Ambev (Brahma, Polar, Bohemia, Skol, Antarctica, Corona, Amstel e outras), seguido pela também multinacional Heineken (Eisenbahn, Kaiser e Devassa), e acompanhado distantemente pela Cervejaria Petrópolis (Itaipava), e posteriormente por marcas como Dado Bier, Bela Vista, Colônia e Glacial. O grande destaque vai para a ampliação do mix puro malte.

Apesar da preferência por artesanais ter crescido, elas ainda representam pouco em termos de volume de vendas. O gerente de Divisão de Varejo do Supermercado Dália, Daniel Martin Weingartner, explica que são produtos procurados por um público muito restrito, degustadores que querem provar diferentes sabores, e o excesso de opções dificulta a fidelização destes consumidores às marcas. O valor um pouco mais elevado acaba afastando o grande público, que compra estes rótulos eventualmente. “Mas no inverno a procura não cai tanto como a das tradicionais”, compara.

O proprietário da loja de atacado e varejo de bebidas Ilha Tropical, Alessandro Hachtel, explica que a tendência é a manutenção dos rótulos artesanais, que têm maior aprovação popular. Segundo ele, os estabelecimentos não têm espaço para ficar com os produtos caros empacados nos estoques, sem gerar liquidez nas vendas, correndo o risco de perder a validade, levando a prejuízos. Por isso defende parcerias comerciais com algumas marcas que também são interessantes para o ponto de venda e para os consumidores. “O valor das cervejas especiais é mais alto, porque o custo de fabricação é mais elevado. Hoje meu principal rótulo de artesanal é do meu fornecedor de chopp”, atribui. Hachtel confirma ainda o aumento da procura por chopp para confraternizações com mais de 15 pessoas.

Nos sucos integrais, o crescimento em relação ao próprio segmento tem sido expressivo, ano após ano, mas ainda muito pequeno em comparação com o volume de venda dos refrigerantes. Geralmente os sucos integram mixes de distribuidores de outras bebidas e gêneros alimentícios, mas os consumidores têm preferência por boas promoções envolvendo produtos de qualidade.

O segmento de refrigerantes é liderado pela Coca-Cola (Fanta, Teen, Sprite e outras), seguida pela Ambev (Pepsi, Guaraná Antarctica, Soda Limonada) e Fruki. A preferência dos consumidores é a garrafa pet de 2 litros, seguida da caçulinha de 200ml e tradicionais latas de 350ml. Nas pets de 2l, a Coca-Cola chega a ser vendida a quase R$ 2 mais cara que as concorrentes. Nos energéticos à base de taurina, os consumidores têm a preferência por pets a um baixo preço, seguido de marcas mais conceituadas também em pets e latas slim. Outros produtos como isotônicos e chás também têm tido crescimento nas vendas, mas ainda representam pouco. As embalagens de água mineral mais vendidas são as de 500 ml, onde a preferida é a Água da Pedra e a de 20L em que os consumidores escolhem a marca pelo preço.

Os vinhos têm maior procura no inverno. O maior volume no varejo gira em torno de garrafas de 750ml, em rótulos de vinhos finos de entrada, com valores entre R$ 18 e R$ 22, onde os consumidores analisam preço e qualidade. Cestas mais caras são adquiridas por um público de maior poder aquisitivo. Já o vinho de mesa de garrafas pet é mais direcionado a sobremesas, como o sagu. Entretanto, neste segmento constata-se também a compra direta de cantinas e fabricantes artesanais.

Os espumantes têm maior venda em ações promocionais relacionadas às festas de fim de ano. E no decorrer do ano são vendidas para um público restrito, que assim como nos vinhos observa o custo benefício e qualidade.

Outras bebidas como ices, cooleres e licores ainda perdem espaço para os destilados, liderados pela vodca e vodcas saborizadas. Os consumidores preferem produtos em garrafas de vidro, de marcas com credibilidade a um preço competitivo. Já as cachaças artesanais mais caras perdem em volume de vendas para as tradicionais (vidro) e populares (plástico), e os uísques envelhecidos são adquiridos por um público muito restrito.

Por daiane