Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 17 de Julho de 2019

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Notícias falsas se proliferam e causam preocupação na Região

, 22 de dezembro de 2018 às 9h30

A notícia de que um homem havia abusado de uma criança de dez anos em Capitão e estava sendo procurado pela polícia ganhou repercussão e se espalhou como pólvora nas redes sociais e grupos de Whatsapp. A imagem do suposto homem acompanhada de um pequeno texto dava conta de que ele teria fugido para a cidade vizinha de Encantado deixando a população das redondezas em pânico.

As mensagens ganharam tamanha proporção que algumas horas depois chegaram ao chefe da Polícia Civil em Porto Alegre, Emerson Wendt, que contatou o delegado regional Miguel Mendes Ribeiro Neto que comunicou os delegados Juliano Stobbe e Augusto Cavalheiro Neto das delegacias de Arroio do Meio e Encantado que averiguaram. Ambos constataram de que não passava de uma notícia falsa, conhecida também como fake news.

Outros boatos vêm sendo disseminados nas redes sociais da região como no caso do gerente de uma agência bancária de Anta Gorda que está desaparecido há mais de um mês e que teria sido encontrado. Outra imagem, de um homem morto ao lado de uma viatura circulou pelas redes sociais e aplicativos na última semana dando conta que policiais haviam perseguido e matado um homem no interior de Capitão, o que também era mentira.

Autoridades alertam para que a população tome cuidado com postagens recebidas em aplicativos ou redes sociais que muitas vezes não passam de boatos. O delegado Juliano Stobbe, da delegacia de Arroio do Meio, ressalta que primeiramente antes de repassar a informação em outros grupos é preciso checar a fonte da notícia. “De onde foi tirada aquela informação, qual é a fonte? É uma pessoa conhecida, idônea e com credibilidade que te enviou a notícia? O veículo de comunicação que divulgou é um veículo comprometido com a verdade?”, instrui.

Ressalta que as notícias falsas são disseminadas em redes sociais como no Facebook em vídeos curtos e editados. Esses boatos possuem um título chamativo, poucos parágrafos escritos e nenhum contexto sobre as informações vagas. O tom é alarmista, exagerado e desperta o que há de mais curioso nas pessoas. Tudo para chamar a atenção. Textos com a ausência de entrevistados, bem como manchetes escandalosas, podem ser indícios de fake news. “Essas fake news se propagam com muita rapidez e alcançam milhares de pessoas em poucas horas”, explica o delegado.

O anonimato de quem divulga essas notícias é o principal alimentador da disseminação das fake news. Juliano ressalta que muitas vezes são pessoas que conhecem a região e descrevem os fatos com riqueza de detalhes passando maior credibilidade e veracidade aos boatos. “Como em Capitão a notícia dava conta de que o suposto estuprador teria fugido para Encantado. Ou seja, quem disseminou esses boatos tem um conhecimento da região”, salienta.

Stobbe coloca a Delegacia de Polícia de Arroio do Meio à disposição da população no sentido de auxiliar na elucidação das fake news. Reforça ainda para que as pessoas tenham um senso crítico em relação a informações que recebem em grupos de whatsapp e redes sociais. “As pessoas não podem acreditar piamente em tudo o que visualizam em sua timeline, ou recebem por aplicativos de mensagem. É preciso desconfiar de informações que chamam muito a atenção, como imagens chocantes, por exemplo. Checar antes de repassar é importante”, observa.

Checando a fonte

O empresário Ismael Fernando Schmitz, de Arroio do Meio, não tem o costume de repassar notícias em redes sociais e grupos de whatsapp. Mas ao receber uma postagem tem o cuidado de verificar a fonte da informação, prática que considera fundamental. “Verifico se a pessoa que me enviou é séria e idônea. Confio também em informações com fontes oficiais, como autoridades municipais e veículos de comunicação locais que possuem compromisso com o leitor”, observa.

Da mesma forma a funcionária pública Betânia Rohr, pesquisa em sites confiáveis para averiguar se a notícia é verdadeira ou falsa e só depois de checar cuidadosamente a postagem decide em compartilhar ou não. Entretanto, revela que não repassa informações para grupos de whatsapp e redes sociais. “Quando recebo alguma informação repasso para pessoas bem próximas no sentido de trocar ideia sobre a veracidade daquela informação”.

Por daiane