Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 19 de Setembro de 2019

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Meio Ambiente

Da sala de aula para o pátio de casa

, 8 de dezembro de 2018 às 9h30

A família Kehl, de Arroio Grande Central, Arroio do Meio, tem o prazer de poder conviver com uma paisagem de cartão postal no próprio pátio de casa. Os contrastes do céu, da sombra e floração se destacam ainda mais na primavera. Mas nem sempre foi assim. O cenário, hoje apenas mantido, é resultado de projeção e ações desenvolvidas ao longo de uma trajetória.

Natural de Xaxim, Progresso, José Arno Kehl, 71 anos, conhecido como professor, conta com orgulho de como pode apreciar a beleza deslumbrante de uma árvore bolão de ouro, típica das regiões mais altas, que o fazem lembrar de sua juventude.

Com longa carreira no magistério, que iniciou em Picada May, Kehl foi convidado para suprir uma necessidade da Escola Duque de Caxias na década de 1980. Entre suas características sempre esteve o desenvolvimento de atividades extracurriculares e práticas, pois entendia que valorizar a bagagem dos alunos era crucial para injeção de conhecimento, integrar os jovens na comunidade e facilitar o aprendizado. Esta marca o faz ser lembrado por uma geração.

Uma das iniciativas que pôde dar continuidade na Escola de São Luís, Capitão, já na década de 1990, foi o projeto Clube da Árvore, vinculado à Afubra. Os alunos buscavam sementes e mudas nativas no mato da comunidade e arredores, para desenvolver um viveiro no educandário. As mudas e plantas chegavam a ser vendidas em promoções comunitárias.

O bolão de ouro que possui em seu pátio hoje, foi plantado no início da década de 1990, logo após concluir a construção de sua residência, quando começou a se dedicar ao paisagismo. A árvore foi podada apenas uma vez e possui 15 metros de altura e copa de um diâmetro de 20 metros. “Se não me engano, quem trouxe a semente foi o Altemir Gerhardt de Linha Marinheira. Hoje ele é representante comercial da Girando Sol. Na época os alunos chamavam a árvore de facão, pois a sementes vinham numa vagem de em torno de 45 cm, que se desenvolve após a floração. Apesar das vagens, aqui nenhuma semente virou muda, pois o clima não é propício”, recorda.

Além deste exemplar, nesta época Kehl plantou centenas de árvores nativas como jacarandá, ipê roxo, paineira, jerivás, caroba, cedro, cana cístola, pau ferro, uvaia, figueira, tipuana e variedades frutíferas. A propriedade de um hectare é bem arborizada desde a encosta com o arroio Grande à estrada secundária do distrito. A maioria das mudas foi obtida por meio deste projeto, além de outras campanhas. No chão, o destaque vai para canteiros de flores com palmeiras e cactos. Outro atrativo é o campo de futebol particular que no horário de verão tem jogos semanais entre amigos e familiares.

Kehl, que se aposentou em 2008 atuando pelo Guararapes, tem hoje a jardinagem como principal ocupação. Além disso cultiva milho, aipim e uma horta. “Não uso veneno. Capino tudo. Isso me dá mais vigor e disposição, fundamental para longevidade”. Sua esposa Soeli, de 66 anos, é responsável pelas questões domésticas e jardinagem mais detalhada.

Por daiane