Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 21 de Novembro de 2018

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Jornal da Semana
Carta Branca

Viagens

1 de novembro de 2018 às 6h00

Estive viajando pelo nordeste da Turquia e pela Geórgia.

Minha base foi a cidade turca de Trabzon (palavra traduzida para o português na forma esquisita de Trebizonda). A cidade é antiga. Foi fundada pelos gregos lá pelo século VIII antes de Cristo. Hoje é um importante porto do Mar Negro, perto da fronteira com a Geórgia. O território da Turquia e da Geórgia se encostam, mas os países são muito diferentes entre si. Para começar, a Turquia é maior e mais populosa. Tornou-se independente no ano de 1924. Mais ou menos nessa época, a Geórgia passou a integrar a União Soviética. Recentemente, no ano de 1991, a Geórgia voltou a ser um país independente, depois que a União Soviética se dissolveu.

Na Turquia a maioria da população é muçulmana. Há mesquitas por todo o lado. Na Geórgia, a maioria é cristã.

Não sei quanto essas características são responsáveis pela situação econômica dos dois países. O certo é que a olho nu se vê que a Turquia está muito melhor do que a Geórgia.

As estradas na Turquia, por exemplo, são excelentes. Quando se entra na Geórgia, tudo muda. As estradas ficam bem parecidas com as brasileiras… E a sensação que se tem é de estar um país pobre e meio abandonado.

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Na Turquia é surpreendente o número de mulheres que veste a burca – aquela roupa preta que cobre o corpo da cabeça aos pés. Às vezes, o rosto fica de fora; às vezes, apenas os olhos aparecem. Não contei uma por uma, mas no aeroporto, em Trabzon, por exemplo, a impressão era de que quase todas as mulheres vestiam a burca.

O curioso é observar essas mulheres. Não parece que usam a burca como obrigação ou como sinal de inferioridade. Parece que é simplesmente um costume. Fora a roupa preta, elas calçam tênis de marcas conhecidas e estão tão plugadas nos seus celulares como todos os demais ao redor. As mulheres que viajam, em geral, são mais jovens e muitas levam consigo bebês ou crianças pequenas. O comportamento com os filhos me pareceu muito semelhante ao nosso.

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Conversei na Geórgia com uma pessoa ligada a negócios. Perguntei se podia fazer uma comparação entre o período comunista e período posterior, da independência do país.

A resposta foi mais ou menos a seguinte:

- No tempo do comunismo todo mundo tinha o básico assegurado. Casa, emprego, saúde e educação eram garantidos pelo governo. Ninguém precisava se preocupar. Agora, cada um tem que tratar da sua vida e alguns não conseguem ganhar o suficiente. Ficaram mais pobres do que antes. Agora há liberdade, esta é a diferença. Mas o que é que as pessoas vão fazer com a liberdade, se não têm dinheiro?

Por daiane