Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 21 de Novembro de 2018

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Mudança de rumos pelo voto

1 de novembro de 2018 às 6h00

Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, foi eleito o 42º presidente da República com mais de 57 milhões de votos, uma diferença de 10 pontos percentuais para o seu opositor, Fernando Haddad (PT), nas eleições no último domingo. A sua vitória e liderança foram construídas de forma surpreendente, num pleito marcado por polarizações, principalmente a partir da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva em abril deste ano, por envolvimento em corrupção e tornado inelegível pela Lei da Ficha Limpa. A campanha do presidente eleito encontrou consonância no desejo de mudança de rumos por parte do povo brasileiro, que estava sendo despercebido por boa parte da elite política tradicional, órgãos públicos, intelectuais, incluindo parte da grande mídia.

Na sua trajetória, Bolsonaro rompeu vários paradigmas. Com um tempo mínimo de TV, sem recursos de fundo partidário, viajou pelo país quando decidiu ser candidato. Captou a insatisfação popular que foi às ruas já em 2013 e avançou na esteira da vitória apertada de Dilma Rousseff (PT) em 2014 e que sofreu o impeachment em 2015. Foi ungido como o candidato que representaria a quebra do sistema político diante da onda de toma-lá-dá-cá, negociatas no Congresso e crimes de corrupção levantados pela Operação Lava Jato e pelo sentimento contrário ao PT. Como estratégia de comunicação com os eleitores, apostou nas mídias sociais. O contato se intensificou ainda mais nas últimas semanas depois que voltou para casa, em recuperação do atentado sofrido em plena campanha no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora.

Bolsonaro quebrou uma sequência de quatro vitórias petistas, duas de Lula e duas de Dilma. No último domingo saiu vitorioso em 15 estados brasileiros e no Distrito Federal tendo feito a maioria dos votos em quatro regiões, – Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Norte – (Haddad venceu em 9 estados do Nordeste e dois do Norte, Pará e Tocantins ) mas com menor representatividade de eleitores. A vitória confortável, mais o fato do partido ter feito 52 deputados e três governadores, o credenciam para promover mudanças de rumos no Brasil, numa guinada para a direita e o conservadorismo.

Pacificação

Logo depois de ser confirmado como presidente eleito democraticamente pelas urnas, Jair Bolsonaro, fez um discurso de pacificação e foi na esteira de valores que defendeu durante a sua campanha que teve como lema, Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, reforçou e defendeu que “…A liberdade é um princípio fundamental. Liberdade de ir e vir, de andar nas ruas, em todos os lugares, deste país. Liberdade de empreender, liberdade política e religiosa. Liberdade de informar e ter opinião. Liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas. Este é um país de todos nós, brasileiros, natos ou de coração”.

Eduardo Leite, o jovem governador do Estado

Até ser candidato ao governo do Estado, Eduardo Leite era pouco conhecido no Vale do Taquari. Mas o jovem governador, da Zona Sul do Estado, já tinha conquistado a confiança e credibilidade em Pelotas, cidade onde foi suplente de vereador pela primeira vez em 2004, aos 19 anos, com 2.937 votos. Após a eleição, integrou a Secretaria Municipal de Cidadania durante o governo Bernardo de Souza e foi chefe do gabinete do prefeito Fetter Junior, quando este assumiu. Em 2008 concorreu novamente e se elegeu com 4.095 votos. Em 2011 foi líder da bancada do PSDB. No Legislativo apresentou projetos de lei sobre transparência nos gastos públicos, o Código de Ética da Câmara e o da publicação e redução de diárias do legislativo municipal. Em 2010 concorreu a deputado estadual, mas não se elegeu. Nas eleições municipais de 2012, candidatou-se a prefeito de Pelotas com a coligação Pelotas de Cara Nova. A candidata a vice foi a professora de Ensino Superior, Paula Mascarenhas, do PPS. Foi para o segundo turno e concorreu com o petista Fernando Marroni, obtendo então 57,15% dos votos, a maior votação da história de Pelotas. Em janeiro de 2013 assumiu como prefeito e em maio de 2016 quando as pesquisas apontavam que ele tinha aprovação de 87% do seu governo, colocando-o como candidato natural à reeleição, Eduardo Leite anunciou que não concorreria e cedeu lugar para a vice, Paula Mascarenhas que foi eleita com 59,86% dos votos. Esta é um pouco da trajetória política do governador eleito que assume em janeiro de 2019 o Palácio Piratini, aos 33 anos, com a missão de equilibrar as finanças estaduais com déficits há vários anos.

Por daiane