Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 08 de Dezembro de 2019

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Recursos minerais para manutenção de estradas podem acabar em pouco tempo

, 20 de outubro de 2018 às 9h30

Durante os três meses de inverno, mais precisamente entre julho e setembro, choveu em 59 dias. Neste período, a secretaria de Obras de Arroio do Meio teve em torno de 17 dias úteis para tentar manter as estradas em condições trafegáveis. Porém, o excesso de dias sem sol impossibilitou a execução de um trabalho padronizado, no que tange à qualidade e durabilidade esperada por parte dos contribuintes.

De acordo com secretário de Obras, Paulo Roberto Heck, sempre nos intervalos dos períodos chuvosos, nas raras sequências de dias de sol, os servidores se dividiram em 12 equipes com caminhões e máquinas para dar uma resposta o mais rápido possível, pensando no bem-estar da população. Os mutirões partem da área urbana em direção ao interior, atendendo primeiramente as localidades mais habitadas e vias de maior fluxo de veículos, além dos acessos à ERS-130. Contudo, a previsão do tempo precisou ser observada para não haverem esforços e despesas desnecessárias.

O principal transtorno ocorreu em estradas mais íngremes. Bueiros entupidos dificultaram o escoamento da chuva, levando à erosão em alguns trechos. No entanto, a manutenção foi difícil inclusive em áreas mais planas, onde intervenções parecem simples. “Depois das chuvas, não adianta iniciar o patrolamento de imediato. Vai gerar barro e borrachudos. O ideal é esperar a água dos buracos secar”, explica.

Na primavera, se o clima colaborar, haverá chance de recuperar o ‘tempo perdido’ e atender o cronograma de serviços projetados até o fim de 2018. Entretanto, o sol excessivo também não é tão adequado quanto parece. Para realizar um serviço satisfatório com máquinas é necessário um equilíbrio da umidade no solo. E depois de uma semana de sol, a terra fica muito solta e acaba gerando poeira. “Quando o clima está seco por muitos dias, optamos em levar os serviços para estradas secundárias com sombra, onde a vegetação mantém a umidade, além de atender terraplanagens de ruas, empreendimentos, empresas e propriedades particulares. Inevitavelmente, nas estradas gerais, em muitos dos casos, contribuintes reclamaram dos buracos, barro ou da poeira”, dimensiona.

Por isso critérios logísticos e de gestão tem pautado a organização do setor, que é o terceiro mais expressivo no orçamento municipal, com R$ 10 milhões previstos para 2019. Um simples patrolamento, por exemplo, rende até três km por dia. O mutirão de máquinas, que engloba limpeza de valetas com a retirada do material, que é destinado a aterros, revisão dos bueiros e colocação de material novo, rende 1km por dia. Lembrando que anualmente também são programadas duas roçadas.

Já o programa Passo à Frente, que envolve nova terraplanagem, nivelamento e drenagem em estradas, afim de corrigir defeitos no escoamento da água das chuvas, e aumentar a vida útil dos serviços prestados, rende 500m/dia. A base para futuros asfaltamentos, que incluiu a compactação, rende até 250m/dia. O rendimento dos serviços anteriormente citados, obviamente depende da distância do local atendido das saibreiras, britadores e do parque de máquinas.

Na concepção de Heck, o ideal seria que o município tivesse ao menos três saibreiras e três pedreiras licenciadas em pontos estratégicos para atender bem as diferentes localidades, diminuindo o custo logístico e operacional. Porém, a dificuldade tem sido encontrar áreas com recursos minerais suficientes para viabilizar a instalação de um conjunto de britagem que gira em torno de R$ 2 milhões. “Só temos áreas de no máximo 35 mil metros cúbicos, que dá para 3,5 mil cargas de truck, facilmente extraídas em um ano. Entretanto, estamos permanentemente de olho em pedreiras maiores. Nossa atual área licenciada é de 100 mil metros cúbicos, em torno de 10 mil cargas, o que garante material para no máximo 13 anos. Estamos evitando utilizar brita em estradas gerais de grande fluxo e nestes acessos, pois em alguns dias este material acaba soltando e migrando para fora da pista, gerando grande quantidade de poeira e desperdício. O saibro duro tem tido melhor aderência ao solo e durabilidade. A brita tem sido direcionada apenas a loteamentos e estradas secundárias, onde há menos movimento e consequentemente melhor compactação. O custo da produção própria e distribuição de brita e de rachões é de R$ 25 o metro cúbico. Em licitação, conseguimos contratar empresa terceirizada para produzir brita em nossas pedreiras a R$ 30 o metro cúbico. O ideal seria licenciar uma pedreira em uma localidade próxima de um município vizinho, por meio de um convênio, e futuramente adquirir uma carreta que permitirá o transporte de 28 mil metros cúbicos por carga, dispensando o deslocamento de três caminhões truck. Somente em combustível vai diminuir o custo em dois terços”, dimensiona Heck, que esclarece que mesmo com o avanço dos asfaltamentos, que tendem a diminuir serviços de máquinas, em médio prazo será impossível pavimentar 350 quilômetros no município. Lembrando que o material da secretaria de Obras também atende as 1,1 mil propriedades rurais.

Outras alternativas como a aplicação de Con-Aid, produto estrangeiro para estabilização do solo, são considerados ineficientes para estradas de alto fluxo e muito caros para vias sem tráfego regular.

O secretário também esclarece que o estoque de material fresado da ERS-130, liberado pela EGR ao município, já está diminuindo e está em 2 mil metros cúbicos, e tende a acabar em breve. O freso tem sido prioritariamente utilizado nos acessos à rodovia. E não há perspectivas de curto prazo para nova remessa, considerando que grande parte da rodovia em território municipal já foi recapeada. Já operações tapa buracos em asfaltos municipais dependem da liberação das usinas de asfalto, que não têm produção diária, devido ao alto custo de acionamento.

Em condições climáticas equilibradas, os dias de chuva são aproveitados para realização de reparos programados, como troca de pneus, soldas, correias e trocas de óleo. “Já tentamos aproveitar o tempo para transportar cascalhos e outros materiais, mas com o solo molhado ocorrem mais danos na parte mecânica e rasgos nos pneus”, explica.

Como a secretaria tem priorizado a manutenção preventiva, as despesas com imprevistos são relativamente baixas. Os maiores transtornos ocorrem quando há uma quebra no trecho, o que inevitavelmente implica na perda de meio turno de trabalho em algumas situações. Além de oficina e mecânico próprio, a secretaria de Obras possui uma empresa terceirizada para manutenção de máquinas pesadas e duas para caminhões.

Os pneus lideram as despesas, mas em compensação, o cuidado redobrado permite um melhor aproveitamento em recapagens. Já o sistema hidráulico de uma patrola, por exemplo, requer 200 litros de óleo especial, com troca programada a cada seis meses. “Temos optado em comprar veículos e máquinas com garantia estendida. E na sequência obedecemos com atenção as recomendações dos fabricantes, para uma maior vida útil dos equipamentos. As peças de maior reposição são compradas em mais quantidade diretamente dos fabricantes. Assim evitamos depender das concessionárias que tem pouco estoque, e geralmente mandam vir itens de outros estados […] De crônico, apenas temos problemas com uma patrola de origem chinesa, que tem custo operacional e de manutenção elevado, além da dificuldade de encontrar peças. Já tentamos leiloar, mas não houve interessados. Este veículo voltará a leilão”, expõe.

A área da secretaria de Obras tem recebido investimentos na construção do novo Parque de Máquinas, que incluiu nova sede administrativa, oficina para o maquinário, containers para almoxarifado e cercamento do entorno. Apenas a última etapa da obra, o cercamento, está paralisado devido a falência da empresa vencedora da licitação.

Por daiane