Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 12 de Novembro de 2018

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Setembro Amarelo

14 de setembro de 2018 às 6h00

Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015 em Brasília. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Apesar da alta incidência de casos, trata-se de um tabu disseminado. Nem famílias, escolas, sindicatos ou clubes de serviço tratam o assunto com a devida importância, apesar das estatísticas assustadoras.

O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de casos de suicídio. Em 2017 foram 1.168 notificações, somadas a outras 6 mil de lesões autoinflingidas. A Organização Mundial da Saúde trata a questão como “fenômeno complexo”, com 800 mil casos por ano, 40 por segundo. Estudos relativos ao assunto revelam que a cada suicídio, pelo menos dez outras pessoas acabam afetadas de alguma maneira.

Tratar a questão do suicídio exige informação, como o combate de todas as doenças e males. Aí já reside uma dificuldade porque se convencionou, dentro dos meios de comunicação, que o tema não deve ser noticiado em termos de notícias. “Isto estimula outras pessoas a repetir o gesto, apenas para aparecer na imprensa”, rezam os manuais das redações dos mais diversos veículos.

Sim, é preciso tratar sobre suicídio para salvar vidas!

Quando era piá ouvia que a ocorrência de suicídios obedecia a determinadas nuances. Uma delas rezava que em família onde ocorrera um caso, no máximo na segunda geração se repetiria. Outra, essa mais comum, tratava da vergonha ao saber que estão em débito em algum estabelecimento comercial.

Lembro com nitidez das notícias veiculadas pelo eterno programa Arroio do Meio Em Foco, por décadas apresentado pelo saudoso Norberto Ritt. O momento mais temido era aquele que, com voz grave, o locutor anunciava:

- … E atenção para a relação de pessoas chamadas ao Banco do Brasil para tratar de assuntos de seu interesse.

Isso tornava público que o correntista citado estava em atraso junto a instituição bancária, o que era uma grande vergonha. Bastante diferente do que se constata hoje, onde os índices de inadimplência são manchete diária na mídia.

A solidão, a depressão, o estresse, a doentia necessidade de ser feliz, bonito e realizado nas redes sociais impinge um fardo insustentável para muitas pessoas. Especialistas afirmam que é preciso ficar atento aos sinais de suicídio iminente. Mas também aí falta tempo, nesta correria diária em que a falta de comunicação aumenta os riscos. É preciso, sim, discutir o suicídio, sem preconceitos, sem tabus. Para salvar vidas!

Por daiane