Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 11 de Dezembro de 2018

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Carta Branca

Hinos Nacionais

6 de julho de 2018 às 6h00

Quando inicia uma partida de futebol da Copa do Mundo, é linda a imagem dos jogadores perfilados. Toca o hino dos países de ambos os times e os rapazes cantam, em geral com emoção, naqueles minutos que antecedem o embate.

Fora o caso do nosso hino, a gente nem imagina o que eles estão cantando.

Fui conferir. Percorri as letras dos hinos de alguns países que participam da Copa. Considerando as palavras que os jogadores pronunciam, é espantoso verificar que ninguém entra armado no campo.

Sucede que, em geral, os hinos nacionais têm uma letra que instiga a luta para vencer inimigos, falam em independência, em armas e em morte. Dá para entender que seja assim. A maioria das nações se constituiu a partir da briga contra algum povo dominador e o hino celebra essa independência. Alguns exemplos:

O hino de Portugal encoraja:

Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar.

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar.

 

Contra os canhões

Marchar! Marchar!

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Os mexicanos, por sua vez, cantam:

Y retumble em su centro la tierra

Al sonoro rugir del cañon.

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Os uruguaios dizem:

Orientales la Patria o la tumba!

Libertad o con gloria morir.

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E é bom não esquecer que o hino brasileiro afirma: “Verás que um filho teu não foge à luta/Nem teme, quem te adora, a própria morte.”

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Por tudo isto é preciso reconhecer a extraordinária evolução ocorrida. Neste enfrentamento de agora, os povos estão longe de campos de batalha onde obtiveram a independência. Nações rivais se batem em verdes gramados, obedecendo a regras que um juiz fiscaliza e tem milhares de pessoas como testemunhas. O clima é de festa. O grupo vencedor comemora; o grupo vencido pode até chorar, mas vai respeitar o mérito do adversário. Daqui a quatro anos tudo há de recomeçar. O campeão de hoje pode ser o último na próxima vez.

Todos gostam de vencer, claro. Mas estas batalhas esportivas proclamam os valores ligados ao esforço pessoal e em favor da equipe, na busca do resultado positivo. Tudo muito longe da guerra de que falam os hinos nacionais.

Por daiane