Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 10 de Dezembro de 2018

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Forqueta revive a vida e a morte de Jesus

, 29 de março de 2018 às 8h59

Está tudo pronto para a 21ª edição do espetáculo A Paixão de Cristo, que se realiza amanhã, sexta-feira, a partir das 20h no Cenário da Lagoa, em Forqueta, Arroio do Meio. Em duas horas de apresentação os mais de 100 atores, a maioria da comunidade, vão emocionar o público com a encenação da vida de Jesus até sua morte e ressurreição. A preparação teve início em fevereiro, sob a coordenação do diretor Paulo Haas.

Assim como em 2017, a Orquestra Municipal de Travesseiro participa e inicia sua apresentação por volta das 19h30min, agregando o talento dos 18 músicos ao espetáculo que deve reunir em torno de cinco mil espectadores, vindos de vários municípios da região e de fora.

Neste ano, a novidade fica por conta do uso de mais efeitos especiais, além da repaginação da iluminação, que está a cargo da Tecnosom, e a estreia de novos atores no elenco. O cenário também foi ampliado e o público ficará surpreso com algumas novas construções que lembram a antiga Roma. O Cenário da Lagoa é um local amplo e que favorece para quem está assistindo, já que permite uma boa acomodação na parte plana e um excelente ângulo de visão, já que todo o espetáculo acontece na área mais elevada.

No roteiro também haverá inovações. O diretor Paulo Haas diz que o enredo central não tem muitas alterações, já que segue o contexto bíblico da paixão e morte de Cristo. Contudo, antecipa que a surpresa fica por conta da introdução e do desfecho, que serão diferentes da última edição.

Para assistir ao espetáculo, que envolve além dos atores e coadjuvantes que entram em cena, uma grande equipe de bastidores, não há cobrança de ingresso. Contudo, a programação tem um custo e, por isso, os organizadores recebem contribuições espontâneas, para garantir a cobertura das despesas e a continuidade do espetáculo no próximo ano. Segundo o diretor, o orçamento para a encenação ultrapassa os R$ 20 mil. A iluminação e o som somam os custos mais elevados.

Quem for assistir deve levar cadeiras para melhor se acomodar e estar preparado para a temperatura e o sereno, já que não há cobertura. Haverá amplo espaço para estacionamento, com a presença de orientadores. Também terá chimarrão, copa e lanches, bem como uma ambulância para casos de emergência. Em caso de mau tempo a programação será cancelada.

O Cenário da Lagoa fica atrás da igreja São Vendelino, que se localiza em frente à subprefeitura e o Forquetense. O espetáculo conta com o apoio da comunidade de Forqueta, patrocinadores e da prefeitura de Arroio do Meio.

A dedicação de todos faz o espetáculo acontecer

O hoje consagrado espetáculo A Paixão de Cristo, que leva milhares de pessoas para Forqueta na Sexta-Feira Santa, chega em sua 21ª edição. Iniciou a partir da boa vontade de um grupo de jovens, que queria fazer algo diferente e hoje é uma marca registrada de Arroio do Meio. Nestes mais de 20 anos, houve muita evolução, seja no número de atores, na estrutura, no cenário e no público. Por mais mudanças que tenham sido feitas, algo se manteve sempre: a dedicação do grupo. Para manter o espetáculo com sucesso por tanto tempo, é necessária uma grande dose de doação de cada membro que integra o grupo, independente de qual sua função na noite. Todos participam e se dedicam de forma voluntária.

No decorrer desta semana os trabalhos se intensificaram nos preparativos finais. Hoje à noite acontece o ensaio final e amanhã mais uma apresentação que vai emocionar milhares de pessoas. E ao final de mais um espetáculo, o reconhecimento do público vai gratificar toda a dedicação do grupo que faz esse grande evento acontecer.

Voluntariado

Paulo Haas está na direção do espetáculo desde a terceira edição. Assim como os demais envolvidos, a participação é sempre de forma voluntária. Neste período já trabalhou muito, se emocionou e enfrentou dificuldades junto com o grupo. O orçamento apertado é uma realidade de todos os anos. Assim como a colaboração de muitos apoiadores, patrocinadores e do próprio elenco, o que garante a programação. Diz que vários atores estão desde o início e este é o diferencial para que o grupo e o próprio espetáculo se mantenha. Da mesma forma, salienta a dedicação de muitas pessoas cujo trabalho se dá longe dos holofotes, seja nos bastidores, auxiliando na confecção dos figurinos, na construção do próprio cenário ou em outras situações.

A voz que conduz

O professor Carlos Haas não lembra em que ano iniciou sua participação emprestando sua voz ao espetáculo. Atrás do público, do alto, é ele quem narra toda a história e auxilia para que os atores se situem dentro do roteiro. Salienta que, pelo fato de tudo ser ao vivo, a locução precisa encaixar perfeitamente com o que acontece no cenário. Uma desatenção pode comprometer o trabalho de todo o grupo.

Ciente da sua responsabilidade, se mantém focado e concentrado na peça. Do local privilegiado, percebe o quanto as pessoas se emocionam e declara que vivencia tudo de uma forma muito profunda, já que a história de Jesus sempre esteve presente na sua vida enquanto católico com passagem pelo seminário. Quando pega o microfone em mãos assume por inteiro seu personagem de narrador e se entrega à encenação. Mesmo que o público não o veja, sente-se gratificado em poder participar desta forma e mesmo depois de tantas participações, vive o espetáculo como se fosse a primeira vez.

Um grande desafio

O jovem Liniker Duarte, que interpreta Lúcifer, diz que seu papel é desafiador. “É um desafio muito grande, uma vez, que as atitudes e o psicológico do personagem vão contra meus princípios e condutas. Talvez esse seja o segredo de minha atuação. Amo a arte da cena e me entrego sem timidez, totalmente ao personagem. Já fazem cinco anos que interpreto o demônio, e requer um estudo profundo dele. Durante três meses antes do espetáculo leio livros que se referem a Lúcifer e assisto a filmes e documentários sobre o tema. Cada ano tento retratar de forma mais icônica e maléfica possível o personagem; entre uma cena e outra saio do palco muito esgotado, pois a entrega na cena é pesada. Ano passado, para minha atuação, me inspirei no psicológico do Coringa, do Batman. Para esse ano, é surpresa, mas com certeza, por mais que carrego uma atuação pesada e marcante, meu objetivo é deixar alguma mensagem para que o espectador se identifique e volte no ano seguinte para nos prestigiar”.

A mãe do salvador

Leila Reichert participa da encenação desde a sua 1ª edição. Afirma que fazer parte do espetáculo é algo maravilhoso. “Vários sentimentos se misturam desde os primeiros ensaios: união, superação, alegria, amizade, criatividade e fé, de um grupo de pessoas que se doam muito para mostrar e vivenciar um pouco da vida de Jesus”.

Leila dá vida à Maria, mãe de Jesus desde 2002. “Interpretar Maria é tentar transmitir a força e a emoção de uma mulher que teve de sofrer e passar por muitos momentos difíceis junto ao seu filho. Tento transmitir ao público o papel desta mãe que mesmo vendo seu filho sofrer não o abandona e o consola.

A emoção de interpretar este papel se torna, com certeza, mais especial neste ano após ter me tornado mãe e imaginar a dor desta mãe, vendo seu filho sofrer tanto”.

Por daiane