Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 11 de Dezembro de 2018

O Alto Taquari - Cotidiano

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Encontro reúne cerca de 200 ex-seminaristas e padres

, 9 de março de 2018 às 10h02

Cerca de 200 ex-seminaristas e padres participaram, no último sábado, dia 03, do 25º Encontro de Ex-seminaristas do Vale do Rio Pardo e Taquari. O evento foi realizado no Seminário São João Batista de Linha Santa Cruz, Santa Cruz do Sul. Os participantes vieram de estados como São Paulo, Mato Grosso e Paraná.

Arroio do Meio, Capitão e Travesseiro estiveram presentes com cerca de 40 pessoas entre ex-alunos e familiares. Participaram Nairo Linck e família; Telmo Schmitz e esposa; Antonino Schnorr e família; Carlos Haas e seu filho, Paulo Haas e Auri Haas; Paulo Kuhn; Irineu Telöken e família; Hugo Schmidt e esposa; João Regert e família; Paulo Alécio Weizenmann e esposa; Jacó Rauber e esposa; Silvério Huppes e esposa; Genésio Rockenbach; Irio Warken; Livio Warken; pároco de Travesseiro, João Bernardo Limberger; Marcos Rempel e Orlando Rauber e esposa; entre outros. Elson Hunhoff, natural de Capitão, mas residente em Sorocaba (SP), também prestigiou o evento.

Um encontro, muitas lembranças

Seminário é uma instituição da Igreja Católica, cuja finalidade é a formação dos candidatos ao ministério sagrado – o sacerdócio. Os seminaristas são jovens que, por convite ou vontade, sonham em ser padre e ingressam num seminário para se preparar para o sacerdócio. Os seminários foram grandes oportunidades para jovens do interior e de famílias humildes poderem estudar e conhecer mais do mundo.

Em Arroio do Meio temos o Seminário Sagrado Coração de Jesus, que já abrigou grande quantidade de jovens. Nas décadas de 60 e 70 eram mais de 100 alunos por ano nas três turmas (6ª, 7ª e 8ª série) do Ensino Fundamental. Os estudos continuavam em Santa Cruz do Sul, no Seminário São João Batista, com o Ensino Médio. Depois seguiam ao curso de Filosofia e Teologia, em Viamão e Porto Alegre, respectivamente.

Os seminários funcionavam como internatos em tempo integral, ou seja, os seminaristas passavam meses sem visitar sua família, realizando as atividades necessárias para manter funcionando a instituição num projeto autossustentável. Os jovens aprenderam a vencer as dificuldades com os colegas, pois conviviam mais com estes do que com a própria família. No seminário também havia funcionários para cozinhar, lavar a roupa e garantir os serviços básicos. As demais atividades eram realizadas pelos internos: limpar a casa (dormitório, salas, capela, banheiros), manter a horta, cultivar a roça, tratar os animais (suínos e bovinos) e fazer lenha, entre outras.

Estar no seminário não era só estudar e jogar futebol, como alguns imaginavam. Havia rígida disciplina; horários e tarefas a serem seguidas. Desde o despertar às 6h; missa às 6h30min; café às 7h; aula às 7h30min. As tardes tinham programação variada conforme o dia, mas basicamente eram atividades braçais. As tarefas eram realizadas por equipes. Lenha, por exemplo, não podia faltar na cozinha. A equipe providenciava o corte das árvores, transportava ao galpão, cortava, rachava e levava aos locais de uso. O trabalho na horta era outra atividade importante. Imaginem alimentar 100 pessoas: a quantidade de leite, pão, saladas, feijão, arroz e carne necessários diariamente. A carne era limitada. O pomar era área proibida, pois as frutas eram repartidas para todos. Havia horários para estudar, para exercícios físicos, rezas, reflexões e higiene pessoal. A janta tinha horário fixo e depois, tempo para estudo. Havia também o Coral, aulas de música e, periodicamente, apresentações artísticas. Às 22h encerravam as atividades. Nos finais de semana havia maior flexibilidade: podíamos jogar futebol, assistir TV, sair do seminário ou receber visita.

Com relação aos estudos, as disciplinas eram regulares e com professores exigentes. Para muitos foi necessário reforço, mesmo assim, com rendimento insatisfatório, o jovem era reprovado. Os professores encontravam dificuldade de harmonizar o conteúdo, em razão da grande disparidade de conhecimentos dos estudantes que vinham dos mais variados recantos da diocese. A maioria ingressava no seminário na 6ª série, contando com 12 ou 13 anos de idade.

Para lembrar um pouco dessa história e celebrar, ocorreu no dia 03 de março, o 25º encontro de ex-seminaristas da Diocese de Santa Cruz do Sul, no Seminário São João Batista, reunindo cerca de 200 ex-colegas de várias gerações. O objetivo principal é reencontrar amigos, ex-colegas de estudos e do internato, lembrando de fatos marcantes curiosos e engraçados que ocorreram. O encontro deste ano teve um objetivo específico: celebrar os 50 anos do Seminário São João Batista, completados dia 1º de março de 2018. A comissão organizadora apresentou um histórico do seminário e alguns jovens que inauguraram o seminário em 1968 fizeram relatos daquele tempo. Além dos ex-seminaristas com familiares, estiveram presentes cerca de dez padres e os bispos Dom Aloísio Dilli e Dom Gílio Felício. Outro momento especial, nestes encontros, é o tradicional Gre-Nal, em que prevalece a descontração, apesar da rivalidade sempre presente. O próximo encontro será dia 09 de março de 2019 em Relvado.

Paulo Gilberto Kuhn, natural do bairro Medianeira, ingressou no Seminário Sagrado Coração de Jesus em 1975 para cursar a 6ª série, época em que a média eram 30 alunos por turma

Por daiane