Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 24 de Setembro de 2018

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Data para refletir e exaltar o Dia da Mulher

, 9 de março de 2018 às 9h56

Cerca de 600 mulheres de Travesseiro, Capitão e Arroio do Meio lotaram as dependências do Clube Esportivo Travesseirense ontem, dia 08, para comemorar o Dia Internacional da Mulher. A promoção foi do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e da Prefeitura de Travesseiro. Autoridades dos três municípios e também de movimentos sociais ligados à causa feminina estiveram presentes no encontro que iniciou às 9h com apresentação da Orquestra Infanto-Juvenil da Pedro Pretto, seguido de culto ecumênico.

É preciso avançar

Várias palestras marcaram o encontro, entre elas da delegada de polícia aposentada e professora da Univates, Elisabete Barreto Müller, que falou sobre os desafios da mulher na sociedade. Elisabete abordou as conquistas da mulher ao longo da história através da comparação de imagens de revistas e jornais antigos e da atualidade, a exemplo do direito ao voto e à educação, que anteriormente eram exclusivos do sexo masculino. As imagens que mostravam frases machistas eram remetidas à atualidade, questionando a igualdade entre homem e mulher.

Em sua palestra enfatizou conquistas alcançadas, como no campo profissional nas mais diversas áreas, citando como exemplo a política. Entretanto, apesar das conquistas, revela o machismo enraizado que permeia a história, continua na atualidade e que parece estar aflorando com o advento das redes sociais. “O preconceito sempre existiu. As redes sociais deram voz à intolerância. Precisamos estar de olhos bem abertos”, alerta.

Ainda sobre o machismo, a professora diz que o Brasil tem muito a avançar citando a desigualdade dentro de casa, lembrando as atividades domésticas que devem ser divididas igualitariamente. Nesse sentido citou a Suécia, onde as crianças possuem no currículo escolar disciplinas relativas às atividades domésticas. Dessa forma, ambos os sexos vão desempenhar as mesmas atividades sem restrições. “Não é uma questão de superioridade e sim de igualdade, que deve ser buscada na prática. Se não queremos uma sociedade patriarcal, também não queremos uma sociedade matriarcal. Queremos sim a igualdade dentro de suas diferenças”.

Abordou a importância da mulher rural que produz o alimento que vai para as mesas e a violência por ela sofrida de forma silenciosa. Elisabete salientou que é difícil mensurar essa violência em números, já que a maioria dos casos não são denunciados. “Por medo, poucos casos são levados adiante”.

A mulher como protagonista

A advogada Bernardete Lermen Jaeger falou de questões relativas à Previdência. O encontro continuou na parte da tarde com apresentações artísticas, brincadeiras e culminou com a palestra do médico Ronald Wolff que atua na secretaria de Saúde de Travesseiro. Wolff trabalha na área de Saúde de Família, gestão, formulação e execução de projetos em Saúde e Assistência Social, capacitação e grupos de Saúde.

Com a Administração Municipal está implantando um projeto de Saúde Integral que também usa medicamentos naturais como plantas medicinais, conhecido por Fitoterapia. “Nesses grupos de saúde trabalhamos a visão de que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas todo um estado de contemplação de necessidades humanas, como moradia, trabalho, alimentação saudável, entre outras, que com as plantas medicinais, produzem resultados enormes em saúde e qualidade de vida”, explica.

Em sua palestra o médico ressaltou o protagonismo social da mulher, ou seja, a presença ativa e efetiva das mulheres no mercado de trabalho, no exercício de sua cidadania e nas lutas sociais que vão desde as questões de gênero até as de contemplação dos seus direitos. Enfatizou a relevância do papel da mulher, fundamental na família, sem se esquecer do homem que deve assumir, com sua companheira, responsabilidades domésticas. “Mulheres e homens que se amam devem ser menos colegas e mais, ‘cúmplices’, e mais amantes. E dessa forma encontrarão coisas bem mais agradáveis para fazer juntos do que apenas colocar a casa em ordem”, brinca.

Wolff defende que paz e felicidade são resultados das próprias ações e que saúde pessoal é resultado da felicidade e da paz de espírito. “Não precisamos passar a vida competindo e ganhando para sermos felizes e saudáveis, esse comportamento é pura ilusão. Amor, felicidade, paz e muita saúde são frutos colhidos todos os dias por quem sabe viver e amar de verdade”, cita.

Ronald abordou questões centrais do universo feminino chamando a atenção para as dimensões espiritual, mental, afetivo, intelectual e a saúde do corpo, acessando assim a alma da mulher através da musicalidade. Nesse sentido definiu as participantes como um público aberto e corajoso. “Não venho falar com centenas de mulheres, mas com cada coração, cada alma, com cada par de olhos, com cada mulher inteira”, e complementa, “dessa forma, utilizando da musicalidade e da sensibilidade humana é possível parar e olhar para dentro de si mesma. Esse encontro foi um momento no qual vocês se deram o direito de fazer uma revisão de vida, e desta revisão, tirar algumas lições mas, principalmente, tomar decisões. De saírem das atividades mais comprometidas consigo mesmas no sentido de plantar um amanhã que vale a pena ser vivido.”

Histórico

Wolff também é médico da Prefeitura de Porto Alegre. Trabalha no Pronto Atendimento na área de medicina intensivista. Foi gestor na capital no início dos anos 2000 e professor da Faculdade de Medicina da UFRGS no Departamento de Medicina Preventiva e Social. Atualmente é supervisor do Programa Mais Médicos Para o Brasil pelo Ministério da Educação e pela Universidade Federal Fronteira Sul. Também foi gestor em Saúde nas cidades de Cruzeiro do Sul, Teutônia e Lajeado.

Dia especial

A moradora de Picada Arroio do Meio, Rosane Maria Mayer, fala que o encontro é uma oportunidade não só para reencontrar as amigas, mas para fazer uma reflexão sobre a luta dos direitos e conquistas alcançadas ao longo da história. “É um dia único”.

Da mesma forma, a moradora de Arroio Grande, Clair Graeff, denomina a data como um dia especial. “Esse encontro é para comemorar nossas conquistas que foram adquiridas com muita força e determinação. É o nosso dia”, avalia.

Por daiane