Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 22 de Junho de 2018

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Termo de Cooperação com o Daer surge como esperança para o asfalto

, 24 de fevereiro de 2018 às 10h00

A Administração Municipal de Arroio do Meio cobra do governo estadual e do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer), a recontratação da STE Engenharia, para conclusão do projeto de asfaltamento da ERS-482. Até o momento, apenas um quilômetro da rodovia que dá acesso a Capitão teve asfaltamento, paralisado em decorrência de entraves burocráticos relacionados ao repasse de verbas e divergências a empreiteira e fiscais da execução da obra.

Contudo, o prefeito Klaus Werner Schnack espera do Estado a execução dos nove quilômetros do trecho da planície (sem incluir pontes e intercessões) que é entendida como de mais fácil realização, pois não traz tanta intervenção ambiental. O mínimo aceitável é o asfaltamento dos quilômetros restantes que já possuem base, até as imediações da propriedade de Marino Spellmeyer, para não haver desperdício de dinheiro público. A indicação deve ser de recursos da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide/Combustíveis).

Schnack entende que a obra é uma obrigação do governo estadual, entretanto, suas equipes das Secretarias Municipais de Obras e do Planejamento, já trabalham em alternativas para atender os anseios da comunidade do Vale do Arroio Grande que aguarda a conclusão da obra de 16,53 km desde 1998.

Desde janeiro, representantes do Executivo e Legislativo locais têm tratado, na sede geral do Daer em Porto Alegre, com o diretor de Infraestrutura Rodoviária, Luciano Faustino, e na 11ª superintendência em Lajeado, com o engenheiro superintendente Nelson Haeser, o engenheiro fiscal Ângelo Prediger e a fiscal terceirizada Eliete Halmenschlager, da formalização de um Termo de Cooperação técnica e de serviços entre o município e a autarquia.

O convênio possibilitará com que a prefeitura realize a manutenção da rodovia, além de direcionar equipes do projeto municipal Passo à Frente, para executarem a terraplanagem e compactação da base. Os engenheiros do Daer ficariam responsáveis pela orientação dos servidores municipais. A imprimação e pavimentação seria realizada de forma terceirizada com recursos destinados do programa de manutenção e recuperação de malha viária.

A mesma parceria será firmada para a conclusão do asfaltamento da VRS-811, que liga o distrito de Forqueta a Travesseiro, onde restam apenas 6 km. Mas, apesar dos avanços nas tratativas, Schnack segue cauteloso quanto à evolução, na prática.

Capitão dá preferência a São Jacó

De acordo com o secretário da Administração de Capitão, Márcio da Costa, a atual Administração enjoou de pedir o asfalto do Estado e não tem esperanças, mas mantém interesse na obra. “Se Arroio do Meio fizer sua parte na ERS-482, para nós restam apenas 2,5 km da base e uma galeria, o restante já foi feito pelo Daer. Continua sendo nossa principal rota econômica”, apura.

Atualmente a prioridade do governo municipal é o asfaltamento da estrada geral de São Jacó, inicialmente um quilômetro por ano. Tecnicamente é o trajeto mais curto entre o município e a ERS-130, apenas 12km. Destes, para Capitão restam 9 km e 2 km para Arroio do Meio.

Em março de 2017 os municípios de Capitão e Encantado firmaram convênio com o Daer para asfaltamento da estrada de Linha Argola – 2,1 km estão no território de Capitão e 7 km no de Encantado. A contrapartida dos municípios será de 30%, mas o projeto não avança. Até o município vizinho, que é o preferido dos consumidores capitanenses para compras no supermercado e lojas, são 14 km.

O asfaltamento por São Jacó foi amplamente defendido pelo petebista Silvino Cadore, durante a década de 1990. Ele possuía apoio do atual prefeito de Encantado, Adroaldo Conzatti, também prefeito na época. Cadore chegou a ser candidato ao Executivo e Legislativo de Capitão, mas nunca foi eleito. O fruticultor faleceu há cerca de 15 anos após ser atropelado na BR-386 em Lajeado, instantes antes de ser entrevistado num programa de rádio a respeito do assunto.

O empresário rural e imobiliário Amélio Frigieri, 64 anos, natural de São Jacó e sobrinho de Silvino, acredita que o tio nunca foi levado a sério pelos capitanenses porque era brincalhão, apesar de ser trabalhador e ter boas ideias. “Nossa localidade voltou a crescer. É bastante procurada por funcionários da Dália e operários que trabalham em Roca Sales. Chega próxima a 100 famílias. O asfalto representa conforto e valorização”.

Ponte privilegia acesso à BR-386

Na ótica do secretário de Administração de Travesseiro, Pedro Finger, a ligação histórica com Arroio do Meio continua, mas a ponte sobre o arroio Forqueta tem levado às pessoas primeiramente a Marques de Souza. “As pessoas continuam indo para Arroio do Meio, mas quando estão com tempo, preferem ir por Lajeado. São apenas 9 km a mais. A estrada por Cairu é utilizada apenas em extrema urgência”, detalha.

Perdas para o comércio

O ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Arroio do Meio, Lair José Fritzen, empresário do setor de comércio e assistência técnica de motocicletas e revendedor de automóveis, avalia que a não execução da obra durante as duas últimas décadas diminuiu o dinheiro externo que circulava no município. “Os capitanenes tem um bom poder aquisitivo e acabaram, em parte, escolhendo o comércio de Encantado. Já a queda de travesseirenses no nosso comércio foi ainda mais relevante. Antigos clientes só vêm para cá quando têm mais de um afazer. Marques de Souza e Lajeado são o destino para compras e serviços de rotina”, dimensiona.

Segundo Fritzen não há dúvidas de que o asfalto teria fortificado o setor, e que a arrecadação em parte teria justificado a obra. Sem citar a permanência de muitos trabalhadores no Vale do Arroio Grande, que acabaram escolhendo outras localidades para morar e investir, pela falta de qualidade de vida e infraestrutura.

Por daiane
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