Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 13 de Agosto de 2020

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Edição de 2018 aponta a fraternidade como um caminho para a superação da violência

, 24 de fevereiro de 2018 às 9h30

A Campanha da Fraternidade de 2018, lançada na semana passada e cujo material já está sendo distribuído nas comunidades da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Arroio do Meio, e demais paróquias da região e do Brasil, debate uma questão cada vez mais presente no dia a dia: a violência. Com o tema “Fraternidade e Superação da Violência” e o lema “Vós Sois Todos Irmãos” (Mt 23,8), a campanha visa construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da palavra de Deus, como caminho de superação da violência.

Para o padre Décio Weber, vigário na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o tema atenta para o fato de que a violência nunca constitui uma resposta justa e não pode ser aceita como a solução para os problemas. Já o lema busca resgatar a fraternidade. “Deus é pai e somos todos irmãos. Essa é a ideia central do Evangelho, da Bíblia. Se isso fosse vivido, na prática, teríamos um mundo muito melhor. Quando se vive essa fraternidade do Evangelho, somos construtores da paz”, afirma.

O padre aponta uma série de aspectos que devem ser observados acerca da temática violência no Brasil, especialmente no que tange à sua realidade, a partir de três pontos – a cultura da violência, a sua sistematização e os rostos da violência – para então iluminá-la e agir para superá-la. Chama atenção para o fato de que há um discurso de que o povo brasileiro é pacífico, quando, na verdade, a violência está presente no dia a dia das pessoas. Observa que no decorrer do tempo a violência tornou-se uma cultura institucionalizada e sistematizada – comportamentos, expressões, músicas foram se tornando “normais” – gerando rostos nos quais se percebe o descaso com a pessoa humana e seus direitos.

A violência apresenta-se nas mais variadas formas: física, psicológica, institucional, sexual, de gênero, doméstica, simbólica, entre outras. Superar as várias faces da violência é tarefa de todos e exige o compromisso no enfrentamento das múltiplas formas de ofensa à dignidade humana. A Campanha da Fraternidade busca justamente mostrar que por trás de cada vítima há um rosto, uma pessoa com vontade, liberdade e capacidade para amar, que teve os seus direitos arrancados pela violência. O convite que a Igreja faz, por meio da Campanha da Fraternidade, não visa à superação de um quadro estatístico cheio de dados e números alarmantes, mas à superação na vida e na história de cada homem e mulher subtraídos de seus direitos.

A Igreja não quer apenas apontar dados e estatísticas, mas convida cada um a contemplar os rostos e a história de tantos irmãos e irmãs: o rosto dos que sofrem violência racial; dos que sofrem violência de gênero; dos que sofrem violência doméstica, tendo como principais vítimas as mulheres, as crianças e os idosos; o rosto das vítimas da exploração sexual e do tráfico humano, sobretudo mulheres e crianças; o rosto dos trabalhadores rurais e dos povos tradicionais; das vítimas do narcotráfico; das vítimas do trânsito. Com esse elenco de rostos da violência e uma profunda reflexão, a Igreja quer mostrar que há uma infinidade de pessoas e situações marcadas por essa triste realidade.

Mas não basta identificar a violência como cultura e como sistema e distinguir suas vítimas. A Campanha da Fraternidade propõe algo além: é preciso iluminar essa realidade com o Evangelho. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, (CNBB) que promove a Campanha da Fraternidade, convida todos os homens e mulheres de boa vontade a percorrer o caminho da superação da violência, crescente em todos os níveis. “Para isso, é preciso olhar a realidade, iluminá-la com a luz da palavra de Deus e do magistério da Igreja e, por fim, agir sobre ela, transformando-a. Temos de voltar à prática da solidariedade, como era no início do Cristianismo. Os cristãos viviam a solidariedade, eram tempos difíceis, de guerras, e eles se acolhiam mutuamente, porque entendiam que Deus é pai e somos todos irmãos. Esse era o jeito de Jesus e se conseguirmos chegar a isso, vamos conseguir superar. Precisamos ser construtores da cultura da paz”, observa o padre Décio.

Para a Igreja a superação da violência não é uma teoria, mas deve ser um caminho de ativa transformação, que passa, necessariamente, pela pessoa, pela comunidade e pela sociedade. O mundo muda quando a pessoa muda. A proposta é de que as pessoas adotem cada vez mais a postura de Jesus, promovendo a cultura da paz e assim se construa iniciativas capazes de mudar paradigmas na sociedade e garantir o respeito à dignidade humana.

Por daiane