Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 08 de Julho de 2020

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Agricultura

Crise do leite: mais de R$ 10 milhões em perdas

2 de fevereiro de 2018 às 5h54

Os produtores de leite do município de Arroio do Meio tiveram perdas de mais de 10 milhões de reais no ano de 2017, em consequência das constantes quedas nos preços do produto.

E o município, a partir da diminuição do Valor Adicionado do setor da produção primária, deverá acumular perdas, no retorno do ICMS, que possivelmente ultrapassarão a casa dos 400 mil reais, já neste ano.

Completando essa “bola de neve”, com a não circulação dos R$ 10 milhões que os produtores deixaram de receber no ano passado, os reflexos no comércio, no setor de prestação de serviços, nas indústrias, estão a indicar perdas de, no mínimo, 30 milhões de reais, em razão do que podemos denominar de efeito multiplicador, pois o giro do dinheiro tem o poder de multiplicar os recursos.

Essas reflexões são resultado da reunião realizada na última segunda-feira, promovida pelo STR, Emater, secretaria de Agricultura e outras entidades convidadas, com o objetivo de debater a crise da atividade de produção de leite.

Conforme já comentei na semana passada, neste espaço, os custos de produção do litro de leite estão, atualmente, maiores do que a remuneração que o produtor recebe das indústrias. É claro que as condições de produção diferem de uma propriedade para outra, não sendo os custos necessariamente iguais ou idênticos. Mas, em média devemos chegar próximo de R$ 1,20 para produzir o litro, enquanto o preço pago ao agricultor situa-se entre R$ 0,85 a R$ 0,90, também em média.

Não há como contrariar a lógica e esses números mostram que a atividade fica inviabilizada, onde os resultados negativos se acumulam, tornando praticamente impossível a permanência no setor por aqueles produtores que têm somente, na propriedade, a atividade leiteira, sem o consórcio de outras cadeias produtivas, como suinocultura e avicultura de corte, ou até gado de corte.

Temos como consequência a constatação de que em 2017, em torno de 20% dos pouco mais de 400 produtores de leite do município desistiram da atividade, sobrevivendo hoje apenas cerca de 320 agricultores mantendo seus plantéis e sua estrutura, esperando por um quadro mais favorável.

No âmbito estadual, e considerando que o Rio Grande do Sul tem a terceira ou quarta posição no ranking dos maiores produtores de leite brasileiros, a desistência de produtores deve ficar acima de três mil propriedades apenas no ano de 2017, acelerando de forma muito preocupante o processo do êxodo rural, com as conhecidas consequências sociais e econômicas.

A reunião da segunda, indicou alguns encaminhamentos, demandando inclusive um estudo jurídico quanto a medidas de repercussão, como a possibilidade de o Município decretar “Situação de Calamidade Pública”. Talvez não seja este o instrumento ou o ato mais indicado, porque existem conceitos e definições e o caso pode não ter esse enquadramento legal.

É ainda oportuno lembrar que no Vale do Taquari, há vários municípios que têm na atividade de produção de leite, expressiva parcela de sua geração de renda. Todos eles encontram-se em situação semelhante. Perdas substanciais e a sua economia sofrendo os efeitos. E se os levantamentos forem feitos em toda a região nos depararemos com números assustadores.

Para desestimular ainda mais os produtores de leite, contribui o fato de não se vislumbrar ações dos governos estadual e federal que pudessem vir em apoio dos produtores.

 

Por daiane