Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 26 de Fevereiro de 2018

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Carta Branca

A vida é viagem

9 de fevereiro de 2018 às 6h00

Meio de última hora, resolvo viajar para a cidade de Quito, a capital do Equador.

Não vou ao encontro de nenhuma atração em particular. Meu objetivo é mais acanhado. Quero passar uns dias em um lugar diferente, onde não faça muito frio nem muito calor. Aí entra uma consulta ao Google e a sugestão de Quito ganha pontos na tabela.

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A cidade de Quito fica próxima à linha do Equador e seus quase três mil metros de altitude garantem muito sol com temperatura amena. A média anual gira em torno dos 16 graus; a máxima, fica pelos 23. Além de tudo, a cidade é suficientemente antiga para o meu gosto – os espanhóis a estabeleceram no ano de 1534. O centro de Quito foi o primeiro que a UNESCO declarou como patrimônio cultural da humanidade no ano de 1978. Tem muitos museus, igrejas e centros culturais, além de um rico artesanato.

O que mais posso querer? Feito o carreto.

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Tomo a bênção do Sr. Gonzalo Yépez – equatoriano que reside em Arroio do Meio – e arrumo a mala. Lá vou eu testar um estilo de viagem que me agrada muito. Ou seja, viajar sem grandes objetivos, além de conhecer vagarosamente o lugar; conversar com pessoas comuns; procurar, enfim, entender um outro jeito de levar a vida.

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É claro que não precisaria ir a Quito para fazer isto. Bem poderia passar uns dias em Medorema ou em Belém do Pará. Mas o fato de ser outro o país, outra a língua, outra a moeda, isto parece muito atraente.

O google socorre de novo: ajuda a arranjar a passagem e o lugar para me hospedar. Agora vou mesmo.

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Mas qual é este estilo despretensioso de viagem que procuro no momento?

Acho que tem ligação com uma maneira de estar no mundo, em que o ideal é viver com menos peso. (Viajar é uma metáfora para a vida – como se sabe.) Para este tipo de viagem, um dos requisitos é fazer uma mala bem magrinha e só levar o indispensável. Além de peças de roupa, vai como indispensável um adaptador para a tomada de energia, pois o contato com as pessoas queridas não pode falhar. Também vai uma bolsinha a tiracolo, para que passaporte, celular e dinheiro fiquem bem à mão sem ocupar as mãos. E – cláusula pétrea – nada de encher previamente as horas com múltiplas tarefas, como se estivesse indo para uma gincana. Deixar espaço para o incerto, para o inesperado

Ao viajar para um lugar quero, principalmente, estar lá.

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Se não fico com medo de encarar uma empreitada assim?

Fico. Um pouco de medo, sim. Mas a curiosidade vence a parada.

Por daiane