Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 19 de Abril de 2018

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Em Outras Palavras

Verão dos velhos tempos

12 de janeiro de 2018 às 6h00

O verão era uma época aguardada com grande expectativa, até uma certa ansiedade, pela gurizada da minha época. Não só porque significava o fim das aulas, mas pela diversidade de passatempos que tínhamos à disposição, todos ao ar livre.

O principal, sem dúvida, eram os banhos de rio e arroio que, analisados com olhos da atualidade, beirava a total irresponsabilidade daquele bando de piás que invadia as águas para combater o calor.

Um dos principais pontos de encontro das tardes tórridas era a represa do Seminário Sagrado Coração de Jesus. Apesar da profundidade do local, muita gente usufruiu das benesses do local e – pasmem! – até hoje não sabe nadar. É o caso, por exemplo, desse cronista que mais parecia uma pedra ao entrar em contato com a água.

A pressão para mergulhar e dar “pontas” (de cabeça) era intensa para nós, desprovidos da capacidade de permanecer à tona sem uso de qualquer equipamento de segurança.

- Se tu não entrar “por bem”, a gente te atira no fundão e te dá um caldinho… pode escolher! – ameaçavam os malfeitores, geralmente em bando, prontos a cumprir as promessas.

Apesar dos constantes desafios à lógica, não lembro de acidentes graves durante as peripécias de férias

A solução era fechar os olhos e saltar no vazio. E esperar o impacto com a água, seguido da submersão instantânea. O desafio era chegar ao fundo e, com os pés, dar o impulso necessário para voltar à tona. O pior, depois de todo este esforço, era permanecer boiando, outra habilidade que jamais consegui desenvolver.

As pescarias em arroios do entorno da cidade e no próprio rio Taquari também faziam parte da agenda de verão. Minha mãe, falecida há pouco mais de um ano, ficava estarrecida ao tomar conhecimento, neste espaço, das façanhas cometidas em grupo em janeiro e fevereiro.

- Ainda bem que nunca fiquei sabendo, senão, morreria do coração – confessou a dona Gerti.

Apesar dos constantes desafios à lógica, não lembro de acidentes graves durante as peripécias de férias. Um tornozelo torcido, um olho inchado – resultado de uma guerra de barro – ou pequenos cortes na sola dos pés… nada muito grave diante do que poderia ter acontecido, conforme a fértil imaginação de todas as mães que tomaram conhecimento de nossas aventuras…

Por daiane