Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 19 de Outubro de 2018

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Agricultura

Com média de 12 hectares, propriedades da microrregião se destacam na produção de suínos, frangos e leite

O Censo Agropecuário 2017, que iniciou o trabalho a campo em outubro e têm como projeção de encerramento, 28 de fevereiro de 2018 está ocorrendo dentro da normalidade na subárea de Arroio do Meio. Alguns municípios como Capitão e Travesseiro estão com a coleta de dados bem adiantada e devem terminá-la antes do prazo previsto. Com 299 estabelecimentos recenseados, Capitão está com 84% das propriedades visitadas e deve finalizar os trabalhos em 15 dias. Em ritmo acelerado o município de Travesseiro contabiliza 77% das propriedades recenseadas, totalizando 385 propriedades visitadas. Nesse município o trabalho de coleta deve encerrar no final de janeiro.

Mais atrasados os municípios de Arroio do Meio e Marques de Souza contabilizam 58% e 51% da coleta de dados. Nesses municípios foram recenseadas 643 e 358 propriedades respectivamente e, ao contrário de Capitão e Travesseiro o trabalho dos recenseadores deve se estender até dia 28 de fevereiro, prazo máximo para o término.

Apesar da coleta não ter sido finalizada, o Censo Agropecuário 2017 aponta alguns dados da região. Nos quatro municípios citados o destaque vai para a produção de suínos, frango e leite. Capitão e Travesseiro destacam-se também na produção de ovos férteis. Na subárea de Arroio do Meio a média é de 12 hectares por propriedade. Entretanto, entre os quatro municípios, Arroio do Meio possui a menor média de hectares por estabelecimento, de 10,8. Todavia, maiores são as propriedades de Marques de Souza que possuem em média 11,5 hectares e Travesseiro onde a média é de 13,4 hectares. Capitão possui a média maior da região 13,9 hectares.

O trabalho a campo revelou ainda que a mata preservada ocupa boa parte das propriedades rurais. Entre os quatro municípios, Marques de Souza é o que apresenta menor área nativa por propriedade, de apenas 18%. Em Arroio do Meio a mata preservada chega a 22% dos estabelecimentos visitados e Capitão a média de área nativa chega 27%. Em Travesseiro a percentagem de mata nativa nas propriedades chama atenção, chegando a 29%.

O coordenador da subárea de Arroio do Meio, Paulo Ricardo Hamester, e a coordenadora do posto de coleta, Cândida Zanetti, falam que mesmo preliminarmente é possível perceber uma redução de propriedades na região. Entretanto, citam que há um aumento na produção em razão das tecnologias adotadas no setor primário.

Na agricultura, os quatro municípios destacam-se pela produção de milho para a silagem, milho em grão e soja. O município de Capitão chama a atenção pela produção de mandioca. Paulo e Cândida lembram também que os dados comprovam que a produtividade é maior em áreas de várzeas e, que em cada estabelecimento trabalham duas pessoas, em média. “Essa contagem de pessoas trabalhando nas propriedades, refere-se às pessoas da família e não empregados”, reforça Cândida e conclui: “outra importante fonte de renda provém da previdência. Foi constatado até o momento: 490 pessoas aposentadas em Arroio do Meio, 193 em Capitão, 267 em Travesseiro e 219 em Marques de Souza”.

Cândida chama a atenção para que as pessoas recebam bem os recenseadores e frisa que o Censo Agropecuário serve para fins de diagnóstico e não para fiscalização. Por isso, pede veracidade por parte dos entrevistados ao responderem o questionário. Observa ainda que os profissionais estarão identificados com colete, boné, bolsa e crachá do IBGE. Os nomes dos recenseadores podem também ser conferidos no site do IBGE. “O Censo quer saber a estrutura organizacional da propriedade a exemplo da receita e despesa no período”, afirma.

Paulo e Cândida chamam a atenção àqueles munícipes que não foram recenseados até 20 de fevereiro para que entrem em contato com o posto de coleta pelos números 98211-1638 com Cândida ou 98146-2754 com Paulo, os quais tomarão as providências e enviarão um profissional ao local para fazer o trabalho de coleta dos dados.

No Estado

A diversidade da produção agropecuária do Rio Grande do Sul é o principal desafio para o Censo Agropecuário 2017. Na Serra Gaúcha e nas regiões Norte e Noroeste do Estado, predominam as pequenas propriedades, com uma grande variedade de produtos, enquanto na metade sul e na região da fronteira oeste encontram-se estabelecimentos maiores, geralmente dedicados à monocultura, tradicionalmente o arroz ou a pecuária.

Essa diversidade afeta a operação censitária no Estado. Nas regiões de pequenas propriedades familiares, o recenseador tem um número grande de estabelecimentos dentro de uma área menor, o que facilita a locomoção e o tempo de deslocamento entre as propriedades, porém o tempo de entrevista é maior pela diversidade da produção. Já nas áreas de grandes terras, a distância é maior e o número de propriedades é menor, mas são questionários mais rápidos de serem feitos, pois, geralmente, existe apenas um tipo de cultura.

Maior produtor nacional de uva, arroz, batata-doce, fumo e trigo, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2016, do IBGE, o Rio Grande do Sul tem o campo como um ponto central de sua economia. A agropecuária familiar é a responsável pela maior parte da produção gaúcha de feijão, milho, mandioca e de leite de vaca, produtos que estão no cotidiano da mesa de famílias na área rural e nas cidades.

Por daiane