Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 26 de Agosto de 2019

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Jornal da Semana
Agricultura

Safra menor…

22 de dezembro de 2017 às 6h00

Na semana anterior fiz uma referência ao processo de redução da rentabilidade das principais atividades produtivas dos agricultores familiares neste ano de 2017. E evidentemente este fato resulta no empobrecimento da classe, com reflexos nos demais setores econômicos do país.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, está fazendo uma projeção em relação à safra agrícola, de grãos, 2017-2018, estimando uma redução de 9,2% em relação à safra passada, podendo alcançar um total de 219 milhões de toneladas. Especialmente a cultura do trigo continua sendo a surpresa negativa, prevendo-se igualmente um desempenho menor das culturas de soja e do próprio milho que não repetirão os volumes anteriores.

Há um conjunto de fatores contribuindo para esse quadro um tanto pessimista, podendo ser relacionado o clima não tão propício neste ano. Temos a questão da queda dos preços dos principais produtos. A elevação do custo de produção a partir do aumento dos principais insumos que são utilizados nas atividades, desde os fertilizantes, sementes, combustíveis, energia elétrica, máquinas, a manutenção dos implementos, defensivos, dentre outros.

Pois assim como a agricultura familiar se ressente da instabilidade que atinge hoje o setor, também a agricultura extensiva se depara com as dificuldades, considerando a necessidade de se fazer elevados investimentos para produzir. O custo para produzir é cada vez maior e os preços dos produtos não conseguem recuperar a defasagem e o desequilíbrio que vem se estabelecendo.

Reduzir produção para melhorar o preço

A estranha recomendação do Conselho Estadual do Leite é a redução da produção, no Estado, em 10% para a garantia de uma reação nos preços do produto.

O órgão alega que normalmente neste período de verão o consumo de leite registra queda, fazendo crescer os estoques das indústrias e consequentemente os preços a nível de produtor sofrem a tendência de queda.

O caos que se instalou na atividade de produção de leite já vem sendo objeto de comentários reiterados e até cansativos. Mas enquanto não se vislumbra uma melhora na situação, temos que continuar a insistir no assunto, conhecendo o quanto a produção de leite é importante nos aspectos econômico e social, levando em conta a permanência dos minifundiários no meio rural.

O bom momento que a produção de leite alcançou em meados do ano passado, provocou um clima de otimismo, fazendo com que a maioria dos produtores apostassem em melhorias nos sistemas de produção, fazendo consideráveis investimentos. O litro do leite pago ao produtor alcançou um preço de aproximadamente R$ 1,60, o litro, quando hoje se situa em redor de R$ 0,90, ou seja um pouco mais de 50% em relação há 12 meses atrás.

O desestímulo continua levando à desistência um considerável número de produtores de leite. O setor está se encaminhando mais e mais para a desestruturação e levará um longo tempo para voltar à condição anterior.

FELIZ NATAL!

Aos prezados leitores deste jornal, mas especialmente aos habituais parceiros desta coluna, que há mais de 30 anos me acompanham e prestigiam, ficam os votos de um Natal abençoado, de muita paz e de muitas esperanças. A grande expectativa é de que possamos crescer nas dificuldades e ter uma jornada melhor no próximo ano.

Por daiane