Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 22 de Março de 2019

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Prefeito apresenta investimentos para valorização da costa do arroio Forqueta

, 22 de dezembro de 2017 às 8h24

Envolvido em movimentos estudantis e diretorias de entidades esportivas, o espírito comunitário e comprometimento cidadão sempre fez parte da cultura e conduta pessoal do prefeito Brida, que escolheu o município para constituir família e estabelecer-se no campo empresarial.

Na juventude foi peemedebista, sendo o presidente fundador do partido em Marques de Souza, mas antes disso apoiou campanhas estaduais e em Lajeado. Foi subprefeito do governo de Leopoldo Feldens.

Na primeira eleição, após a emancipação, planejava concorrer a vereador, mas devido a desistência de outros líderes na coligação, foi convidado a concorrer como prefeito. Acabou sendo derrotado em duas oportunidades pelo ex-prefeito Gelsy Arend. Atuou como secretário de Agricultura no governo de Deonilo Bazzo (falecido). Entretanto nunca desistiu de buscar seu espaço para um dia administrar o município.

Os gestores da pequena e simpática cidade de Marques de Souza, com 4,2 mil habitantes, estão otimistas com os rumos do município quanto ao desenvolvimento econômico e qualidade de vida da população.

Desde janeiro, o prefeito Edmilson Dörr, o Brida e o vice-prefeito Lucas Stoll estão empenhados num modelo de gestão que privilegia a economia de gastos públicos, com ampliação e melhoria nos serviços, além de investimentos estratégicos pensando na saúde administrativa e criando oportunidades para empreendedores atentos no potencial do município.

Com as medidas a Administração recuperou a capacidade de investimentos com recursos próprios, superando R$ 2 milhões no primeiro ano de governo, e convida a comunidade regional para prestigiar as festividades de 22 anos de emancipação política administrativa.

Confira a seguir entrevista do prefeito Brida concedida ao AT:

Jornal O Alto Taquari: Os cortes, revisão de contratos e remanejamento organizacional geraram economia. Como avalia o atendimento ao público? Pretende rever cortes? Há necessidade de contratações?

Prefeito Edmilson Dörr (Brida): Sim. Era uma prioridade de governo porque a folha de pagamento da Câmara e Executivo chegava a 48%, sobrava pouco para Saúde e Educação, e ficava impossível investir nos agricultores que geram a maior parte de nossa renda. Havia muitos privilégios, envolvendo contratos desnecessários, excessos de CCs e FGs que não se justificavam. Manifestações que afirmavam que era muito fácil cortar despesas diminuindo serviços. Mas fizemos o contrário, ampliamos serviços. Na Saúde, retornou o atendimento médico em Bela Vista do Fão. Não há nenhum aluno sem transporte escolar ou vagas nas instituições de ensino. Estamos fazendo mais com menos, sem turno único, exigindo a cooperação dos servidores públicos. Ainda temos alguns ajustes organizacionais. Nem todos entenderam a nova filosofia de trabalho, que precisa aliar a modernização tecnológica e a otimização da mão de obra, pois não há mais nada para ser feito manualmente. Queremos promover ainda mais melhorias no sistema, que vai agilizar mais o atendimento ao público. E vamos devolver a economia gerada com o enxugamento, sem aumentar a tributação, garantindo a retomada e continuidade dos investimentos.

AT: Como tem articulado a conquista de novos investimentos para o município?

Brida: Temos feito de tudo para atrair investimentos. Mas no momento de incertezas na economia, os empresários estão com muita cautela. Por isso buscamos valorizar os empreendimentos locais. Estamos evoluindo e à disposição de quem quer investir aqui, inclusive com a doação de áreas de terras. A primeira conclusão que tivemos após análise da contabilidade, é que a maior parte da arrecadação própria vem da Agricultura, e 52% vem da Avicultura, o que justifica o Condomínio Avícola da Cosuel. Por isso não medimos esforços para aquisição da área de 16 hectares valorizada em R$ 210 mil, e honrar compromisso com terraplanagem (previsto em Lei Municipal), perfuração do poço artesiano, estruturação e licenciamentos ambientais. A vantagem é a otimização de nove terraplanagens num lugar só onde não há maiores dificuldades em termos de relevo. Certamente será o maior investimento neste mandato, que só vai gerar frutos aos próximos governos, incrementando a arrecadação própria em R$ 600 mil anuais, além da valorização socioeconômica ao distrito de Bela Vista do Fão e Vasco Bandeira. Até o momento as previsões orçamentárias feitas pelo ex-prefeito Ricardo Kich vão ficar uma pouco melhores que a expectativa, apesar do último trimestre estar em leve baixa e cientes que a recessão pode levar ainda dois anos.

AT: Quando e como as máquinas adquiridas vão ajudar no desenvolvimento?

Brida: As máquinas já estão fazendo a diferença. Já é possível notar uma melhoria gradativa nas estradas. A tendência é de que operem em pleno vapor depois do período de férias e assim que alguns operadores retornarem de licença saúde. A mudança do regime celetista para o estatutário vai nos permitir ajustes específicos relocando profissionais às máquinas conforme sua especialidade. Investimos mais de R$ 1,5 milhão em recursos próprios na aquisição de uma apoclain, patrola, retroescavadeiras e caminhão. Será acrescentado mais um caminhão à frota.

Encerramos o primeiro ano. com as três primeiras das seis metas do Plano de Governo feitas.

Ano que vem não precisaremos investir tanto no parque de máquinas. Temos ciência do aumento da despesa, mas vai sobrar mais para a educação, ação social, comércio, serviços, cultura e desporto.

AT: O senhor tem falado em união entre as comunidades e o resgate da autoestima dos marques-souzenses. Como pretende valorizar cada comunidade e cidadão e buscar um desenvolvimento igualitário?

Brida: Começamos dando nossa atenção do morro para baixo para o interior que se sentia desvalorizado. Fizemos um pequeno investimento na comunidade de Bela Vista do Fão, que tem sediado a Festa da Bergamota, o maior evento do município, na melhoria de ruas e calçadas, paisagismo. E em contrapartida a comunidade enfeitou a praça e ruas com decoração natalina e outros enfeites. Convido a todos para irem ver com os próprios olhos.

Em breve a comunidade de Tamanduá também será atendida com a mesma atenção e resultado, e temos certeza que vai gerar entusiasmo semelhante. Vamos entregar a nova praça, teremos o caminho autoguiado, e vamos realizar desassoreamento do arroio. Não haverá só obras, mas também valorização da cultura local.

Na Sede, três desapropriações de áreas na costa no arroio Forqueta, totalizando nove hectares, iniciando pela BR-386 no camping do Stackão, até o CTG e Esporte Clube Brasil vão oportunizar na transformação da orla. Haverá espaço para áreas de lazer, quadras e canchas esportivas, academias ao ar livre, centro de eventos, um caminhódromo com belvederes mais seguros para os munícipes do que caminhar na rodovia, além da recuperação da mata ciliar. Vai valorizar a juventude e todos os cidadãos, além de atrair investidores e novos moradores na área central da cidade. O investimento gira em torno de R$ 220 mil em desapropriações amigáveis, considerado baixo porque o valor venal é baixo em decorrência de APPs. É inspirado num projeto de revitalização do prefeito de Guaíba, José Sperotto (PTB).

Vai valorizar áreas onde não se pode ter edificações e oferecer espaços públicos de qualidade à população, até porque não temos ruas largas, avenidas e praças. Claro, será impossível terminar tudo nesse governo, mas é um legado para o futuro e para as próximas gerações.

AT: Tradicionalmente a relação do Executivo com o Legislativo é conturbada no município. Como está sua relação com a Câmara de Vereadores?

Brida: O poder Executivo respeita autonomia e conhece a qualidade da Câmara. Por isso valoriza sua presença em eventos públicos e concede espaço para diálogos. Mas a relação é menos recíproca do que o esperado. Contamos apenas com o apoio de dois vereadores dos quatro que estavam na nossa coligação. Acredito que não entenderam nosso projeto de enxugar a máquina. Em uma das polêmicas foram contrários à proposta de revogar a lei que concedia folga aos funcionários públicos no dia do pagamento no período da tarde. A matéria vinha ao encontro de uma demanda da própria comunidade, mas a maioria do Legislativo não entendeu isso, a contragosto da própria população. Conseguimos manter o atendimento apenas com CCs e constatamos que a prefeitura é procurada todos os dias pelos contribuintes. No ano que vem vou recorrer a um Decreto.

Os vereadores também rejeitaram a implantação da taxa de iluminação pública, que permitiria investimentos na modernização (tecnologia led) e expansão deste atendimento, gerando economia de até 80% nos gastos públicos com energia elétrica. É uma medida antipática que oneraria cada imóvel em apenas R$ 7,90 mensais, mas proporcionaria mais segurança e comodidade à noite, além de uma cidade mais bela. A apresentação do projeto foi uma orientação do Tribunal de Contas, que é contrário à renúncia de receitas. Antes da votação éramos um dos três municípios dos 38 da região que não cobrava a taxa, agora somos o único. Faltou debate público, não fui recebido pela Câmara, que simplesmente jogou o assunto para a torcida. Todo dia pessoas pedem mais um ponto de iluminação pública, sem ter o conhecimento da real finalidade. A prioridade deveria ser logradouros públicos, instituições bancárias, hospital, pontos de ônibus e escolas, para diminuir crimes, violência e consumo de drogas. A comunidade deveria estar sensibilizada. Hoje muitos pontos de iluminação não são estratégicos, foram distribuídos eleitoralmente, de público não tem nada. Se atendermos todos os pedidos, os atuais R$ 200 mil reais gastos em iluminação vão passar de R$ 400 mil rapidamente, comprometendo obrigações com a saúde, educação e prestação de serviços.

Somos um município considerado pobre, altamente dependente da União e Estado, e apenas 8% da receita é oriunda dos recursos próprios e precisamos aumentar a arrecadação. Sem a taxa, os investimentos em iluminação não deixarão de ocorrer, mas serão mais tímidos. Se no futuro o Tribunal de Contas voltar a apontar a necessidade da instituição dessa taxa, terei de reenviar o projeto à Câmara. Não me comunico por meio de redes sociais porque muitas pessoas não tem argumentação e chegam a vias de fato, inclusive com ameaças. Pessoalmente ficou ruim pra mim, saí manchado, mas tenho que responder pela Administração Pública. Prego a transparência. A rádio local chegou a proporcionar um debate público com líderes que tinham opiniões contrárias a mim, mas ninguém apareceu. Entendo que a Câmara seria um espaço ideal para a discussão, mas não fui convidado para me manifestar na tribuna. Ao longo de 20 anos a lei representaria 20 retroescavadeiras novas, 15 caminhões ou dez patrolas, ou outros investimentos para própria comunidade. Não vai afetar nosso Plano de Governo e em breve pretendemos esclarecer isso à população.

AT: Como tem se relacionado com os demais líderes e representantes regionais, estaduais e federais? E que benefícios isso tem trazido ao município?

Brida: Em primeiro lugar fizemos o tema de casa, administrar com recursos próprios. E o que vier de fora é um complemento de parlamentares que estão valorizando nosso município. Só para o Hospital de Marques de Souza conseguimos um aporte de R$ 630 mil e um caminhão para o parque de máquinas. Em 2018 os repasses devem superar estes valores e dar margem para diversificar os investimentos. Estamos com uma relação muito boa com parlamentares de todas as siglas, que ainda deve ser intensificada. Como prefeito não posso contar apenas com meu partido e sim pensar no bem do município, e peço aos vereadores da nossa Câmara, que é pluripartidária, que também busquem apoio com seus representantes em Brasília. Os recursos vêm para a população que saberá reconhecer. O governo estadual tem atrasado alguns repasses, especialmente quanto ao Consisa do Samu. Sabemos das dificuldades e temos sido bem atendidos dentro das possibilidades, como o empréstimo de um trator esteira para terraplanagem do condomínio avícola, e melhorias em redes de água e perfuração de poços artesianos. Em âmbito regional, tenho uma boa relação com os prefeitos do G8, respeitando cada ponto de vista, e com os demais busco aprender com acertos e erros de cada prefeitura, e da mesma forma estamos de portas abertas para dialogar com todos. Precisamos pensar no fortalecimento da região, pois nosso desenvolvimento está interligado.

Por daiane
Desde janeiro, o prefeito Edmilson Dörr,  o Brida e o vice-prefeito Lucas Stoll estão empenhados num modelo de gestão que privilegia a economia de gastos públicos

Desde janeiro, o prefeito Edmilson Dörr, o Brida e o vice-prefeito Lucas Stoll estão empenhados num modelo de gestão que privilegia a economia de gastos públicos