Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 29 de Setembro de 2020

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Agricultura

2017 – Um ano de dificuldades e de superações

29 de dezembro de 2017 às 6h00

Sendo esta a última edição do ano de 2017, o momento e a oportunidade sugerem uma breve reflexão sobre o que sentimos e de como vemos mais este período que se encerra e que, com certeza, proporcionou situações diversas, constituindo-se hoje uma página da nossa história.

Em cada final de ano tenho procedido da mesma forma, fazendo considerações sobre fatos que dizem respeito diretamente ao setor agropecuário e aos que, com persistência, por vocação, e na maioria das vezes, no sacrifício, se mantêm em uma atividade muito insegura, incerta, de resultados normalmente frustrantes, pelo menos recentemente.

Faço um breve parêntesis para registrar a perda de um dos líderes mais evidenciados no setor agropecuário do Rio Grande do Sul, nos últimos 20 anos. O médico veterinário, produtor de grãos e criador de ovinos, Carlos Sperotto, presidiu a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul – Farsul, desde 1997, completando um ciclo de sete mandatos na entidade. O seu falecimento ocorreu no último final de semana.

Sperotto foi uma das vozes mais fortes na defesa da produção agrícola, especialmente a pecuária do Estado. Ele era incansável como dirigente classista e sempre teve o reconhecimento de todos, independentemente de sua condição, que lhe foi atribuída, de dirigir uma entidade vinculada ao latifúndio. Nas suas últimas manifestações sobre o atual momento do setor produtivo, ele disse o seguinte: “O produtor rural está apreensivo e consciente de que o produto que ele tem na mão, é para outros valores e não os que estão sendo praticados. A recuperação é lenta, mas já está ocorrendo. É fruto da qualidade do produto que nós temos para comercializar”.

Abre-se, portanto, uma lacuna, silenciou uma voz que sempre se colocava em defesa da agricultura, da pecuária, do produtor, da remuneração justa dos produtos.

São desafios, são dissabores como esse, que marcaram o ano a findar. Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, a mais profunda crise do setor leiteiro, o episódio da carne bovina (carne fraca), as mudanças que o Estado anunciou em relação aos integrados, que poderiam provocar uma perda anual de mais de 25 milhões de reais para a região do Vale do Taquari, a crise moral que o Brasil inteiro está a enfrentar, agravada pela crise política, sem precedentes, tudo isso passa para a história, como sendo uma página que muitos gostariam de não lembrar mais.

Se há algumas semanas comentava que a agricultura familiar estaria perdendo praticamente 30% de sua renda, é uma constatação muito dura e de repercussões. Recuperar isso poderá nunca mais acontecer. Pois esse processo decorre da não valorização dos produtos agropecuários e a constante elevação dos preços de custo para produzir. E a própria condição recessiva em que o país se encontra, com um enorme contingente de pessoas desempregadas e o salário mínimo aumentando, na virada do ano, em tão somente 3,4%, não se terá uma melhora no poder de compra da população que inclusive terá que mudar seus hábitos alimentares.

O que podemos esperar de 2018? Continuaremos sob a ameaça de “Reformas”, dentre essas a previdenciária. O governo federal diminuiu recursos, no orçamento do próximo ano, para diversos programas da agricultura familiar. Os incentivos, através de linhas de crédito, não encorajam o produtor. Não há aceno de qualquer garantia de preços mínimos para os principais produtos agrícolas. As ações de assistência técnica serão diminuídas.

E para tumultuar ainda mais o cenário, teremos um processo eleitoral pela frente, onde haverá uma série de proibições impostas pela legislação. Dirão que determinadas ações não podem ser feitas, porque a lei não permite.

Para os que entendem ou consideram que “estamos no fundo do poço”, a tendência é que em alguns aspectos devemos ter melhoras. E como o produtor rural, o agricultor, nunca deixa de acreditar, quem sabe, o ano de 2018 traga novas perspectivas e novas (re) conquistas.

Por daiane