Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 20 de Novembro de 2017

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Trilhos Urbanos

Casais infantis

10 de novembro de 2017 às 8h07

O Brasil apresenta os maiores índices de infidelidade de toda a América Latina. A pesquisa feita pelo instituto Tendências Digitales em 11 países da região, revela que o percentual dos que traíram pelo menos uma vez na vida chega a 70,6%. Entre as mulheres, o número é 56,4% — ou seja, as brasileiras são as que mais traem entre os latinos! Apenas 36,3% dos brasileiros nunca traíram um parceiro. A pesquisa, infelizmente, também não apresenta dados sobre os casais de relações imaturas, ou fantasiosas, como os dois casos que cito abaixo.

O primeiro aconteceu quando a esposa perguntou, com olhos meigos, se ele ainda a amava, sem ressalvas, apaixonadamente, como no início. Ele, bom marido, pai exemplar, mas em um momento de super sinceridade disparou: “Amor de paixão, sei lá, é difícil medir… o tempo esfria a gente”, argumentou. Foi o que bastou para ela, injuriada, ferida em seu orgulho despachar, sem chances de reversão, cara que tinha como seu para o “resto da vida”. Resto que ela agora varria, entre lágrimas e o dedo em riste a indicar a porta da saída. Até hoje não entendo o porquê dessas perguntas dispensáveis – especialmente pelo lado feminino da espécie – quando as coisas aparentemente vão bem. Mas o cara, convenhamos, pisou na bola.

Outro dia, a mesma situação se repetiu, porque no amor não existem roteiros originais desde os tempos de Adão e Eva. Desta vez, o ilustre marido, casualmente também em um final de semana, de uma hora para outra ajeita a mala com um kit básico de roupas e, ao contrário do que a esposa esperaria ouvir, tipo uma viagem urgente de negócios, diz que está abandonando a vida a dois. Sentia saudades de uma ex, aliás, uma ex que o traíra. Vá entender! Ele disse que em todo o tempo juntos, esse fantasma sem escrúpulos aparecia em pensamentos que, naquele instante delicado, não sabia definir como saudade ou paixão mal resolvida.

Voltou para o velho quarto de infância, na casa da família. E lá ouviu dos pais que tudo o que pretendia ouvir: que agira afoitamente, misturara sentimentos e magoara a mulher que verdadeiramente o amava. Assim, depois de esfriar a cabeça, decidiu pedir para voltar. Com aquele típico discurso de arrependimento. Queria mais uma chance o que, em outras palavras, significa um novo acordo. Com as regras dela, sabia. Afinal, o erro fora dele. Mas a moça, intempestivamente, não o aceitou de volta. Doía a humilhação inesperada e também, a sensação de estar com um adolescente, nunca um homem adulto.

Concluo que traição é muito mais do que um caso fortuito com outra pessoa. É trocar um projeto de vida a dois, por minutos de relaxamento. Como alguém pode viver com uma pessoa que realmente ama e não ter sensibilidade de traduzir um sentimento, ou de manter aquela centelha bonita dos tempos de namoro? E viver na saudade de uma relação que não deu certo, especialmente por que um dos lados foi infiel é realmente muito imaturo. E isso é trair juramentos, é ignorar o amadurecimento que vem na história a dois é nunca ter saído do jardim de infância emocional. E tenho dito.

Por daiane