Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 16 de Dezembro de 2017

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Economia

Cadastro positivo pode reduzir a inadimplência

, 25 de novembro de 2017 às 9h30

Tramita em regime de urgência no Senado projeto que trata de mudanças no cadastro positivo – histórico de bom pagador que auxilia os consumidores (pessoas físicas e empresas) a conseguirem taxas de juros mais baixas na hora de negociar um empréstimo ou comprar um produto parcelado. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) entende que, com a aprovação desse projeto e a utilização desses bancos de dados, a inadimplência pode cair 45%.

As mudanças buscam corrigir os principais obstáculos que impediram que o cadastro positivo deslanchasse no Brasil. A medida é considerada uma das mais importantes na agenda que o BC lançou, no final do ano passado, para reduzir o custo do crédito.

A primeira das ações altera a lei complementar 105, que trata do sigilo bancário pelas instituições financeiras. A proposta é deixar claro, na lei complementar 105, que o fornecimento de dados financeiros e de pagamentos relativos à operação de crédito a gestores de bancos de dados para formação do histórico de crédito não se configura uma violação do sigilo bancário. A medida dá segurança jurídica ao repasse das informações.

A proposta também permite a inclusão automática dos consumidores no cadastro positivo. Pela lei atual, a pessoa ou a empresa tem de autorizar a inclusão do seu nome no cadastro. Com a mudança, a regra se inverte. Todos estão incluídos no cadastro e, se a pessoa quiser, ela pede para sair da lista.

A regra antiga em vigor tornou o processo muito mais moroso, o que impediu o seu crescimento no país. Com as mudanças haverá procedimentos específicos para que o consumidor peça a retirada do seu nome. Recebido o pedido por uma das empresas de cadastro, todas as outras empresas são avisadas automaticamente. Dessa forma, o consumidor não precisa pedir para todas as empresas de cadastro.

Haverá duas “camadas” de acesso à informação pelo solicitante do cadastro. Na primeira delas, os bancos passam ao solicitante dos dados uma nota com base num ranking construído pela própria empresa de cadastro. Numa segunda “camada” de informação, a pessoa ou a empresa tem de autorizar o acesso ao cadastro detalhado. Para o diretor do BC, a nota do cadastro poderá ser usada pelo consumidor para barganhar descontos maiores e taxas menores. Ele destacou que hoje, com o avanço das informações pela internet, o consumidor já é ranqueado por diversas empresas.

O Brasil tem hoje quatro empresas cadastradas para funcionar como cadastro positivo: Serasa, Boa Vista, SPC e GIC. Esse último foi criado pelos bancos e entrará em funcionamento no ano que vem. O Brasil tem cerca de 5,5 milhões de consumidores no cadastro, mas o potencial é de 150 milhões.

Inadimplência nos bancos é inferior a 3%

A Caixa Econômica Federal registrou uma redução de 0,7% nos índices de inadimplência em comparação aos últimos 12 meses, alcançando 2,51%, enquanto a média do mercado é de 3,74%. Os dados são do último balanço semestral do banco e o levantamento apresenta somente dados nacionais.

Para alcançar tais resultados, a Caixa tem oferecido alternativas para a renegociação de contratos. A instituição financeira sempre busca manter os clientes em dia com suas obrigações contratuais. Mesmo nas dívidas que possuem garantia fiduciária, não ocorre execução do bem até que sejam esgotadas todas as tentativas de renegociação da dívida.

A inadimplência no Sicredi Vale do Taquari (Microrregião de Lajedo) e Região dos Vales (Microrregião de Encantado), tem se mantido estável, em torno de 0,75% e 0,58%, respectivamente, da carteira de crédito, tomando por base os meses de agosto e setembro de 2017, patamar que tem oscilado pouco mesmo com instabilidade na economia. Dentre os fatores que contribuem com o baixo índice, são os associados cooperados que mantém seus compromissos assumidos junto à instituição. Outro fator é a análise de crédito, que ocorre de forma cautelosa, dentro da capacidade financeira de cada associado.

Não há concentração de inadimplência em produtos específicos, e sempre que necessário, cooperativa e associado buscam alternativas para solucionar eventuais contratempos financeiros.

Comércio tem os maiores registros

Como as operações bancárias tem taxas de juros maiores e mecanismos administrativos para educar os clientes, o que também ocorre nas grandes redes de varejo, os maiores índices de inadimplência acabam sendo registrados no comércio de médio e pequeno porte.

Atualmente o banco de dados do SPC de Arroio do Meio possui 3.403 registros de pessoa física, num total de 2.349 CPFs e 302 registros de pessoa jurídica, em 286 CNPJs, negativados. O número é considerado elevado numa população economicamente ativa de 13,4 mil pessoas. Por outro lado, dentro da realidade em um país que possui cerca de 65% da população com alguma dívida.

O SPC de Arroio do Meio fornece aos seus associados consultas de pessoa física e jurídica através das informações de crédito no SPC Brasil, Serasa, protestos e cheques.

Com o SPC, a empresa tem acesso a dados confiáveis para prospectar com mais decisão, vender a prazo com mais segurança e manter o relacionamento com seus clientes.

Inadimplência no cartão cresce mesmo após nova regra do rotativo

A regra que permite parcelar as dívidas do cartão de crédito a juros menores não impediu o aumento da taxa de inadimplência. Desde o início da mudança do chamado “rotativo” do cartão de crédito, em abril, cresceu de 34,48% para quase 40% o percentual dos que não pagaram o valor mínimo da fatura ou atrasaram as parcelas por mais de 90 dias, mostram dados recentes do Banco Central.

Por daiane