Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 15 de Dezembro de 2017

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Agricultura

Temporal – vendaval

6 de outubro de 2017 às 10h49

O assunto mais em evidência nesta semana, depois do domingo de noite é, sem dúvida, o acontecimento ou evento climático, em forma de vendaval de intensidade assustadora, deixando marcas e sinais em uma vasta região do Estado.

Muito raramente ocorrem episódios tão abrangentes, pois em torno de 180 municípios registraram estragos e prejuízos, alguns menores, outros de proporções mais acentuadas.

Indiscutivelmente o setor mais afetado foi o abastecimento de energia elétrica, tendo consumidores que ficaram até quatro dias, mais de 90 horas, sem o serviço essencial em qualquer circunstância.

Vários fatores contribuíram para esse caos no sistema de distribuição de energia, como a queda de árvores sobre as redes, rompendo cabos e fios, mas a causa de maior contribuição é o precário estado dos postes, principalmente de madeira, que sustentam as redes.

Essa precariedade dos postes é problema antigo. Há anos há o alerta para este aspecto, mais acentuado nas regiões abastecidas hoje pela RGE-RS, que herdou essa situação comprometedora e sucateada de concessionárias que a antecederam.

Seguramente podemos dizer que em um próximo evento de proporções parecidas, com ventos alcançando uma velocidade de mais de 100 quilômetros por hora, os estragos tendem a se repetir, senão forem ainda maiores, caso sejam mantidas as redes com os postes de madeira, altamente comprometidos e de muitos anos de uso.

O cenário chegou a ser dramático, tanto em áreas urbanas, em plenos centros de cidades, como em inúmeras localidades do interior, no meio rural. No balanço dos prejuízos, figuram perdas de parte do comércio, do setor industrial, de órgãos de prestação de serviço, inclusive agências bancárias. E no setor de produção agropecuária o desconforto foi desesperador, principalmente para quem lida com criação de animais, vacas de leite, frangos de corte e suínos, pois além da falta de energia, chegou a faltar água para a alimentação de rebanhos.

Muitos empreendedores rurais, no desespero, se viram forçados a buscarem soluções, indo às compras de geradores de energia, obrigando-se a fazerem investimentos não previstos. Esgotaram-se os estoques de “máquinas”, ficando para muitos as contas para pagamentos futuros através da produção de suas propriedades que em épocas normais, já não oferecem ganhos suficientes.

Em um momento desses nós percebemos o quanto o nosso sistema elétrico é vulnerável, frágil e inseguro. E as respostas aos desastres são demasiadamente lentas. Pois a demora de quatro a cinco dias para a execução dos reparos é algo inconcebível, para quem se considera um país desenvolvido.

É preciso fazer um registro em favor dos trabalhadores das empresas concessionárias. As equipes foram incansáveis e muitos técnicos não tiveram descanso, com uma dedicação exemplar. Desses abnegados funcionários não podemos cobrar nada, mas sim daqueles que há muito tempo foram alertados e não tomaram iniciativas e precauções adequadas.

O serviço público não pode apenas cobrar dos usuários. Ele tem que dar a devida contrapartida, com produtos de qualidade, nas diferentes áreas, como energia, estradas (pedágios), água e outros.

Os postes de madeira, podres, quase caindo, são muitos. Nos próximos temporais muitos deles tombarão. E muitas pessoas, indefesas, novamente serão vítimas de problemas estruturais, pagando contas muito altas pela falta de providências preventivas.

Por daiane