Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 18 de Outubro de 2017

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Tecnologia não gera inteligência

6 de outubro de 2017 às 9h35

Sou jornalista há 40 anos. É uma profissão que abracei muito antes de ocupar os bancos escolares da Escola Luterana São Paulo, do Colégio São Miguel ou da Unisinos. Os “concursos de composição” – a atual redação – me seduziam, graças a uma pretensa facilidade de escrever, somada ao incentivo de ótimos professores.

A revolução das comunicações é assustadora para um dinossauro como eu. Muita coisa melhorou, outras nem tanto. Basta ter um computador ou smartphone que qualquer pessoa se transforma em comunicador. Muita gente, de maneira equivocada, acredita na seguinte frase:

- Graças à internet a quantidade de idiotas em todo o mundo cresceu de maneira vertiginosa.

Todos estes idiotas já existiam. A diferença é que estes descerebrados são dotados de voz e vez, graças à rede mundial de computadores. O acesso à tecnologia não garante inteligência a ninguém. Basta observar as incoerências postadas 24 horas por dia em todo o mundo.

Os espaços destinados ao noticiário, digamos oficial, também experimentou mudanças substanciais. A briga pela informação trouxe riscos enormes porque a ânsia pela primazia de transmitir a notícia em primeira mão compromete perigosamente a checagem dos dados levados ao público.

A agressividade das redes sociais é reflexo do noticiário nem sempre criterioso

A velocidade da informação é vertiginosa. Uma mentira percorre o planeta em questão de minutos. Bilhões de pessoas tomam conhecimento daquilo que muitas vezes, pouco mais tarde, se mostra uma inverdade. Ou, no jargão jornalístico, uma “barriga”.

Esta prática pode parecer inofensiva à primeira vista. Isto, porém, criou uma “era da ofensa moral” sem freios, responsável pela destruição de biografias e reputações construídas com muito esforço, trabalho, sacrifício. Como comunicador tenho certo constrangimento diante de tantas falsidades vendidas como verdades absolutas em manchetes de redes nacionais.

O manejo equivocado das redes sociais contraria os objetivos que inspiraram a sua criação. Havia esperança de facilidades em trocas produtivas de ideias e de conteúdo, além de acumulação de saber, estimulo à inteligência e alto nível de relacionamento.

A agressividade que campeia nas redes sociais é reflexo do noticiário nem sempre criterioso que cria heróis e vilões na mesma velocidade. E nem sempre é possível fazer a distinção clara de quem é quem. Isso confunde e acirra ainda mais os ânimos da eterna divisão entre favoráveis e contrários a qualquer conteúdo tornado público.

Por daiane