Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 20 de Novembro de 2017

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Economia

Custo de produção elevado obriga empresários a buscarem alternativas

, 22 de outubro de 2017 às 10h00

A elevação do preço do gás, dos combustíveis e da energia elétrica tem impactado diretamente no custo de produção de padarias, restaurantes e indústrias do setor de alimentos. Em menor escala o preço dos insumos também tem pesado no preço final dos produtos, diminuindo o lucro final.

Roni Francisco Lohmann, proprietário de uma fábrica de biscoitos no bairro Aimoré, Arroio do Meio, revela que o preço do combustível, que teve vários reajustes no decorrer do ano, é o vilão do setor. Observa que quando o combustível é reajustado, sobe também o preço do frete, que incide diretamente sobre os produtos transportados, os insumos. Cita também o combustível utilizado pelos vendedores para a comercialização do produto que tem parcela significativa no custo final. Porém não esquece da elevação do preço do gás de cozinha utilizado diariamente e da energia elétrica que também tem contribuído para a diminuição da margem de lucro.

Lohmann revela que o custo de produção aumentou em aproximadamente 10% desde o início do ano e não foi repassado ao cliente. A decisão em absorver o custo de produção foi possível mediante algumas estratégias adotadas pela empresa. A primeira delas foi comprar os insumos direto da fábrica e em maior quantidade, eliminando o atravessador e garantindo um preço melhor. Outra estratégia foi trocar o forno a gás pelo forno a lenha para assar os biscoitos. “A lenha dá mais trabalho, pois precisa de mão de obra para o manuseio, espaço para armazenamento e de tempo para a secagem. Entretanto ainda assim é mais vantajosa”, observa.

Outro fator determinante é o custo com a mão de obra que impacta diretamente no preço final. O biscoito fabricado pela Delícias Mil é feito de forma artesanal o que, ao contrário daquele feito em máquinas industriais, dispende de maior tempo para ficar pronto. “Esse tipo de produção manual é o que mantém as características do biscoito colonial. Por isso o custo de produção é maior na comparação com aqueles feitos em grande escala e, portanto, possui um valor agregado”, cita.

Os consecutivos aumentos do preço do gás de cozinha, energia elétrica e gasolina também têm reduzido o lucro do empresário, Arthur Mann, que possui um restaurante no bairro Bela Vista. O gás de cozinha foi o principal responsável pela elevação do custo de produção que aumentou desde o início do ano em aproximadamente 10%. Para preparar os alimentos Arthur utiliza um botijão por dia, o que no fim do mês representa uma despesa de R$ 1.440. “Qualquer aumento no preço do gás impacta diretamente no custo de produção”, enfatiza.

Para fidelizar os clientes, decidiu não repassar o custo de produção e vem praticando os mesmos valores desde o início do ano cobrando apenas R$ 11,50 pelo almoço. Congelar o preço após sucessivos aumentos do gás e da gasolina só foi possível após modificar algumas práticas em seu estabelecimento.

A primeira delas foi substituir a energia elétrica por um sistema que produz energia limpa, através dos raios solares, reduzindo drasticamente a conta de energia, caindo de R$ 1.000 mensais para menos de R$ 100. O segundo passo foi instalar um reservatório que armazena água da chuva que é utilizada no banheiro e para lavar o chão do restaurante. Com isso reduziu em 50% o consumo de água e passou a pagar a metade do que vinha sendo pago anteriormente.

Janelas grandes também foram idealizadas no momento da construção do prédio que abriga o restaurante, com propósito de receber iluminação natural, reduzindo assim o consumo de energia. Para tentar reduzir ainda mais o custo de produção, Arthur estabeleceu parcerias com os fornecedores de gás que almoçam duas ou três vezes por semana em seu restaurante. “Essa é uma forma de diminuir os gastos com esse insumo que mais impacta no nosso custo: oferecendo o meu produto”, observa.

Por daiane
Custo de produção da fábrica de biscoitos aumentou em aproximadamente 10% desde o início do ano e não foi repassado ao cliente

Custo de produção da fábrica de biscoitos aumentou em aproximadamente 10% desde o início do ano e não foi repassado ao cliente