Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 23 de Abril de 2019

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Saúde

Com a autoestima nas alturas

, 30 de outubro de 2017 às 10h30

A afirmação “quase não te reconheci” tem se tornado corriqueira para a vendedora Márcia Daltoé Scherer. Nos últimos meses ela a ouve praticamente todos os dias e mais de uma vez. E não é à toa. Quem não a vê há algum tempo e casualmente a encontra na rua, realmente corre o risco de não a reconhecer de imediato.

E não são apenas os 64 quilos a menos que chamam atenção. O brilho no olhar, a alegria contagiante e a autoestima nas alturas dão um ar ainda mais jovial para esta nova mulher que surgiu depois da cirurgia bariátrica, feita em março do ano passado.

Cansada de ir nas lojas e ter de optar pela roupa que lhe servia e não por aquela que gostaria, há cerca de dois anos Márcia decidiu que era chegada a hora de dar uma guinada na sua vida. Queria cuidar de si mesma e ao mesmo tempo dar mais atenção à filha Júlia. Ela e o marido Jocemar decidiram se desfazer do café, restaurante e padaria que possuíam no Centro de Arroio do Meio, mesmo período em que tomou a decisão radical: faria a cirurgia de redução de estômago.

Da decisão até a cirurgia foi mais de meio ano. Isso porque precisou passar por um programa de 10 encontros que prepara os pacientes para o procedimento, o pós-operatório e seus cuidados, bem como para a reeducação alimentar que deve ser seguida a fim de manter o peso. “Não adianta fazer a cirurgia se não preparar a cabeça, porque daí a pessoa engorda de novo. Nesses encontros eu soube dos riscos da cirurgia e das dificuldades do pós-operatório. Mas nunca pensei em desistir, estava bem focada no que eu queria: encerrar uma fase da minha vida e iniciar outra”, conta.

Depois da espera, era chegada a hora do procedimento que foi realizado no Hospital Bruno Born e teve a duração de cinco horas. A técnica utilizada permite fazer a redução estomacal com apenas cinco incisões no abdome. Dois dias após já estava em casa.

Pós-operatório

Os primeiros 15 dias foram os mais delicados. Márcia podia tomar somente 50 ml de líquido a cada duas horas. Mesmo a quantidade sendo tão pequena, revela que nem sempre conseguia tomar todo o volume. Na segunda quinzena a dieta ficou um pouco mais encorpada, com a incorporação de batidas. No entanto, não podia ingerir nada que pudesse criar gases no intestino, o que significa nada de carne, nada de gordura nem de amido. No segundo mês a dieta era branda e incluía batata e frango e fígado de galinha amassados. Cada troca de dieta era acompanhada de desconforto, já que o estômago tinha que se adaptar com os novos alimentos ingeridos. Depois de 60 dias a dieta passou a ser intermediária e, após os três meses, estava liberada para comer legumes e verduras. A partir deste período pôde adotar a dieta que segue até hoje, conforme sua meta de peso, atingida 13 meses após a cirurgia.

Apesar dos desafios, o resultado era animador já no início. Em 14 dias foram 11 quilos a menos, chegando a 17 ao final do primeiro mês. A perda de peso se manteve acelerada nos primeiros meses. A medida que os quilos caíam, a autoestima subia. Ao eliminar todo o peso que desejava, montou um novo guarda roupa. Das peças que usava antes da cirurgia não sobrou uma para lembrança. Hoje usa as roupas que sempre desejava, justas ao seu corpo.

Para manter o corpo conquistado segue uma rotina alimentar. Hoje as porções ainda são pequenas. Por isso Márcia aprendeu a selecionar o que come. Opta por alimentos nutritivos e os mastiga muito bem. “Até hoje uso um prato menor. Antes eu comia poucas vezes e muito em cada refeição. Hoje eu percebo como eu não mastigava a comida e de como isso é importante. Se tu engolir tudo quase inteiro não dá tempo para o cérebro se dar conta de que o estômago já está cheio. Até chegar o ‘aviso’, tu já comeu bem mais do que precisava”.

A qualidade de vida e a autoestima elevada que ganhou depois de perder peso, não tem preço. O único arrependimento é por não ter feito o procedimento há mais tempo. Revela que antes sentia-se desconfortável ao entrar numa loja, pois muitas vezes tinha que optar por roupas de modelo não condizente com seus 37 anos. “Hoje estou muito bem. Não saio de casa sem me arrumar. Minha autoestima está maravilhosa, sem falar que não fico ofegante quando caminho e tenho mais resistência física. Hoje sou eu quem escolhe o modelo das roupas que compro e não elas que me escolhem. E isso é maravilhoso, porque não tem nada que baixe mais a autoestima de alguém do que tu ir comprar roupa e nenhuma te servir”, desabafa, revelando que passou do manequim 54 para o 40.

Da nova vida Márcia só vê pontos positivos. Diz que tudo mudou e que se sente uma nova mulher. Da antiga ficam apenas as lembranças e a certeza de que sempre é possível fazer mudanças quando algo nos incomoda.

Por daiane